O Cobrador

    Rubem Fonseca

    Agir
    2011
    240 páginas
    8h 0m
    ISBN-13: 9788522011872
    Português Brasileiro

    O Cobrador, publicado em 1979, era aguardado não apenas por ser o quinto livro de contos de Rubem Fonseca, já então considerado um dos mais importantes e inovadores escritores do gênero no Brasil. Era também seu primeiro livro após Feliz ano novo, de 1975, ter sido recolhido por ordem da censura, sob a alegação de ter conteúdo contrário "à moral e aos bons costumes". A resposta veio no conto que dá título ao livro, em que Rubem Fonseca apresenta um de seus personagens mais inquietantes. Amálgama de bandido, poeta e revolucionário, o Cobrador era uma espécie de vingador não apenas da divisão de classes, mas também da violência simbólica que é o controle da palavra. A intensidade na maneira de tratar a violência não é a única característica que faz de O Cobrador um livro surpreendente. Como bem notou Boris Schnaiderman em texto de 1980 que reproduzimos nesta edição, há uma rede de referências e reflexões artísticas que demonstra como Rubem Fonseca havia alcançado uma consciência do trabalho literário que enriquecia ainda mais sua obra. União perfeita entre o trabalho de um grande narrador e de um autor ciente de toda a complexidade da escrita, O Cobrador é um dos pontos mais altos da carreira de Rubem Fonseca e um dos livros de contos mais importantes de nossa literatura.

    Resenhas (2)Ver mais
    Ingrid Beatriz picture
    Ingrid Beatriz15/10/2021Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Resenha - O Cobrador

    “O Cobrador” é um livro de contos escrito por Rubem Fonseca. O livro tem dez contos diversos, com o retorno de um personagem já conhecido, o Mandrake. Fonseca retorna com contos marcantes, que, assim como “Feliz Ano Novo”, lhe trouxeram problemas com a censura da época da Ditadura Militar. Mas, devo dizer que não gostei do livro tanto quanto “Feliz Ano Novo”. “O Cobrador” também trouxe contos que me deixaram revoltada e conseguiram me envolver na leitura. Porém, trouxe contos mais enfadonhos, que por trazerem uma linguagem muito rebuscada e confusa, afastaram meu interesse. Ainda assim, tive alguns contos favoritos. Não consigo decidir qual seria o melhor, entre “Encontro no Amazonas” e “Onze de Maio”. “Encontro no Amazonas” conta a história de um investigador. Não tenho certeza se era um policial, mas enquanto lia, pensei que fosse. Ele e seu parceiro estavam em uma missão para localizar um homem. Esse homem tinha características peculiares, tornando fácil identificá-lo. Mas, ele também conseguiu escapar com facilidade até o momento. Esse conto realmente me deixou com aquele gostinho de quero mais. Adoro romances policiais e queria que o caso fosse um livro completo. Além disso, o conto fala muito do Pará e do rio Amazonas, e tenho bastante interesse na cultura da região, o que tornou o conto ainda mais interessante para mim. Enquanto isso, o conto “Onze de Maio” é quase uma distopia. Não sei se essa foi a intenção do autor, mas foi o que me pareceu. Nessa história conhecemos o asilo Onze de Maio, para onde os idosos são mandados quando já estão “inválidos”. Lá nosso protagonista começa a perceber que as coisas são estranhas, que os idosos morrem depois de pouco tempo e parecem ficar cada vez mais doentes com os remédios que tomam. Além desses, também gostei do conto que dá nome ao livro, “O Cobrador”, e dos contos “Mandrake” e “Jogo do Morto”. É mais um livro brasileiro que vale muito à pena ser lido. Hoje já quero conhecer tudo que Rubem Fonseca escreveu.

    1 curtida

    Estatísticas

    Avaliações

    4 / 4
    • 5 estrelas0%
    • 4 estrelas100%
    • 3 estrelas0%
    • 2 estrelas0%
    • 1 estrelas0%