A natureza do bem / O castigo e o perdão dos pecados / O batismo das crianças (Patrística #40) -

    Santo Agostinho

    Paulus
    2019
    272 páginas
    9h 4m
    ISBN-13: 9788534949705
    Português Brasileiro

    A natureza do bem tem duas partes nitidamente distintas: a primeira contém a exposição dos princípios católicos e a segunda, as doutrinas maniqueístas. Não é dada uma definição formal de natureza (natura), sinônimo de substância e essência, que é tudo o que é. E tudo o que é, é um bem. Ser e bem identificam-se. Estabelece-se, de saída, um único princípio para a existência, uma só natureza, Deus, o Sumo, eterno e imutável Bem. Tudo mais é criado por ele do nada, e, por isso, é corruptível. Exclui-se, então, que as criaturas tenham algo da substância divina e tem-se, assim, a distinção ontológica entre o ser e os seres criados, dotados de modus, species, ordo – modo, espécie (beleza, forma), ordem – que exprimem o fundamento da ontologia agostiniana. O castigo e o perdão dos pecados nasce no contexto da tentativa de solução definitiva para o cisma donatista, quando se conheceram Agostinho e o dedicatário da obra, Flávio Marcelino, legado imperial designado para preparar e presidir a Conferência de Cartago no ano 411. Agostinho articula sua resposta a Marcelino em três pontos: 1) todo homem nasce pecador, herdeiro da culpa adâmica com sua respectiva pena; 2) o batismo livra-nos de tal herança de morte e 3) o modo com que se é libertado do pecado através do batismo, englobando aí todas as proposições pelagianas, diretas ou consequentes, sem ignorar as dificuldades implicadas.

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    Filino Carvalho Neto27/10/2024Resenhou um livro
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    Reflexões sobre o bem e uma polêmica católica

    No primeiro texto, Agostinho escreve como natureza e Bem se identificam; que há bens maiores e menores, além do material e do espiritual. Este último, mesmo que se refira (por exemplo) a um indivíduo de comportamento reprovável, ainda é superior a um bem material justamente em virtude de sua natureza, que é superior. Para cada coisa, há de se observar o modo, a beleza e a ordem (que são bens elevadíssimos). A má escolha não decorre do mal (que não tem uma natureza), mas sim de se deixar de lado algo melhor. A corrupção, como o mal, não poderia existir absolutamente porque implicaria, em última instância, a negação da própria natureza. No outro texto que compõe essa edição, Agostinho trata do batismo das crianças, sustentando-o contra os que não veem essa prática como necessária. Pode-se dizer que o eixo de sua argumentação gira em torno da passagem paulina que trata da entrada do pecado por um só homem (Adão) e a redenção que ocorreu também por um só homem (Cristo). É um embate de fundo pelagiano e é curioso notar que, ao contrário de sua atitude nas escritos sobre a graça, Agostinho em algumas passagens demonstra respeito pela figura de Pelágio. Insiste também o Bispo de Hipona que essa prática remota ao início do Cristianismo e não foi questionada sequer por indivíduos que ensinavam doutrinas errôneas (a exemplo de Joviniano). O primeiro texto é mais agradável e didático; a polêmica sobre o batismo pode cansar um pouco mais o leitor. A despeito da escrita agostiniana ser marcada, em geral, por uma prosa envolvente e instigante, em alguns momentos o outro texto pode parecer repetitivo e árido. Isso, obviamente, não diminui o genialidade de Agostinho.

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