Homo ludens - O jogo como elemento da cultura

    Johan Huizinga

    Perspectiva
    2019
    304 páginas
    10h 8m
    ISBN-13: 9788527311571
    Português Brasileiro

    Homo ludens é a obra mais importante na filosofia da história em nosso século. Escritor de inteligência aguda e poderosa, ajudado por um dom de expressão e exposição que é muito raro, huizinga reúne e interpreta um dos elementos fundamentais da cultura humana: o instinto do jogo. Lendo este volume, logo se descobre quão profundamente as realizações na lei, na ciência, na poesia, na guerra, na filosofia e nas artes são nutridas pelo instinto do jogo. [Roger Caillois]

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    Vitor07/11/2024Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    O jogo precede a cultura?

    Essa foi uma leitura que realizei dentro do percurso metodológico do meu TCC, onde procuro investigar as narrativas entre "clube de povo e clube de elite" em dois time de Florianópolis. Portanto, julguei interessante investir meu tempo nessa obra. A edição que li, apesar de alguns erros de revisão e alguns trechos com termos bastante confusos (que eu creio ser de responsabilidade do tradutor) é de capa dura e muito bonita, com algumas artes ilustrativas e um marca páginas belíssimo. O livro é um estudo sobre a importância dos aspectos lúdicos, isto é, do jogo, para a humanidade. Segundo Huizinga, o jogo precede a cultura, e a cultura se forma envolta dele. Nesse sentido, esses aspectos lúdicos, que possuem características específicas (e são cuidadosamente descritas) se manifestam nas mais diversas instâncias de nossa sociedade, como no direito, na poesia, na guerra, no conhecimento, na política, etc. Li algumas resenhas dizendo que o livro é eurocêntrico e eugenista, pois fala "só de Europa" e considera algumas culturas são superiores à outras. Pois bem, discordo veementemente de ambas as afirmações: Huizinga cita inúmeros exemplos de como o jogo faz parte da cultura das comunidades ditas "primitivas", dos esquimós (Inuítes), dos hindus, chineses, japoneses, etc. muitas vezes considerando-as "superiores" aos costumes europeus. Quem leu e não prestou atenção nisso está profundamente equivocado. Quanto a afirmação de que Huizinga é eugenista, pois considera algumas culturas superiores à outras, eu também discordo profundamente dessa leitura por dois aspectos: primeiro, porque o autor reconhece os méritos de diversas culturas, não somente a "europeia", mas também porque julgo que algumas culturas são realmente superiores à outras, não somente no que concerne ao "progresso", mas também à valores humanitários, que não são reconhecidos nem atualmente nas teocracias, onde mulheres são condenadas por "sexo indevido" por terem denunciado estupro. Pois bem, o livro, apesar de ser um pouco repetitivo em alguns pontos e de fazer leituras bastante generalistas sobre alguns aspectos e movimentos culturais, é fantástico. Recomendo fortemente para todos, afinal de contas, é um clássico, de um autor importantíssimo para a história cultural.

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