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    Obra Dispersa -

    Manuel Antônio de Almeida

    Graphia
    1991
    224 páginas
    7h 28m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro
    4
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    Tal como o romance que o mantém vivo na cultura brasileira, 'Memórias de um sargento de milícias', a produção dispersa de Manuel Antônio de Almeida foi publicada, em sua grande maioria, no jornal Correio Mercantil, do Rio de Janeiro, e começa com um vigoroso artigo contra a proposta do historiador Francisco Adolfo Varnhagen, intelectual ligado ao Paço Imperial, de se voltar a utilizar os indígenas como mão-de-obra escrava, depois de lhes tomar a terra. O volume, organizado por Bernardo de Mendonça, resgata, das fontes primárias, estes textos e os reúne à correspondência do escritor e a testemunhos de contemporâneos, para revelar um oposicionista radical da monarquia e do escravismo que morre precocemente, aos 28 anos, em naufrágio na costa fluminense, depois de ser marginalizado no jornalismo e no serviço público.

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    Manuel Antônio de Almeida profile picture

    Manuel Antônio de Almeida

    Manuel Antônio de Almeida era filho dos portugueses Antônio de Almeida e de Josefina Maria de Almeida. Enquanto fazia Faculdade de Medicina, as dificuldades financeiras o levaram ao jornalismo e às letras. Formou-se em Medicina em 1855, mas nunca exerceu a profissão. De junho de 1852 a julho de 1853 publicou, anonimamente, os folhetins que compõem as "Memórias de um Sargento de Milícias", reunidas em livro entre 1854-55, em dois volumes, com o pseudônimo de "Um Brasileiro". Na 3ª edição, em 1863 - já póstuma - apareceu com seu nome verdadeiro. Na mesma época, ele ainda escreveu a peça "Dois Amores" e a compôs versos esparsos. Além do romance, publicou a tese de doutoramento em Medicina e um libreto de ópera. Em 1858 foi nomeado Administrador da Tipografia Nacional, onde conheceu Machado de Assis, que trabalhava como aprendiz de tipógrafo. No ano seguinte, foi nomeado 2º Oficial da Secretaria da Fazenda. Em 1861, quando se preparava para entrar em campanha como candidato à Assembléia Provincial do Rio de Janeiro, faleceu no naufrágio do navio Hermes, próximo a Macaé (RJ). Não estava interessado em sucesso nem na moda literária, por isso escreveu sem compromissos e apresentou, em tom direto, bem humorado e com tendências realistas, a sociedade de então, principalmente a gente simples que povoava o Rio de Janeiro. Seu romance fez sucesso pelo humor imparcial e amoral, o estilo coloquial e, principalmente, por seu grande talento como narrador. Mesmo assim, a crítica só percebeu, muito tempo depois. Recentemente, alguns críticos, como Paulo Rónai, apontam como influência tanto na elaboração como nas características do protagonista, Leonardo, o romance espanhol picaresco e de costumes.

    45 Livros
    110 Seguidores
    Rio de Janeiro, Brasil

    Manuel Antônio de Almeida