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    Na ponta dos dedos - O livro que inspirou o filme <i>A criada</i>, de Park Chan-wook

    Sarah Waters

    Rocco
    2019
    592 páginas
    19h 44m
    ISBN-13: 9788532531469
    Português Brasileiro
    4.2
    142 avaliações
    Leram172Lendo41Querem428Relendo0Abandonos9Resenhas37
    Favoritos29Desejados428Avaliaram142

    Londres, segunda metade do século XIX. Sue Trinder, órfã de nascença, cresceu numa área degradada da cidade junto a uma família onde eram "todos mais ou menos ladrões". Sob o comando da sra. Suckby, a matriarca, o grupo passava os dias entre pequemos delitos – vivendo, de furto em furto, na ponta dos dedos. De uma hora para outra, no entanto, o destino de Sue se conecta ao de outra órfã – esta morando num casarão sinistro num campo não tão distante. Finalista do Man Booker Prize e do Orange Prize, Na ponta dos dedos é um dos mais prestigiados livros da britânica Sarah Waters, autora de Os hóspedes. Remetendo a Charles Dickens, Jane Austen e às irmãs Brontë, Waters cria, sob um olhar contemporâneo, um impactante romance vitoriano que congrega mistério, erotismo e reconstituição de época numa narrativa impecável. Como parte um plano capitaneado por um colega de golpes da família chamado Richard Rivers – mais conhecido como Gentleman por conta de seu charme e fala empolada –, Sue vai trabalhar como camareira na mansão de um idoso pedante, excêntrico e possessivo chamado Chistopher Lilly. Ele mora sozinho com a sobrinha e única herdeira, a jovem e frágil Maud, mantida parcialmente isolada do mundo. O papel é Sue é conquistar a confiança da moça e, nas palavras de Gentleman, "mantê-la tola e persuadi-la, em sua ingenuidade, a cair na cilada" – ou seja, casar-se com o charlatão após a iminente morte do tio. Em seguida, Gentleman pretende dar o toque final em seu golpe: internar Maud num hospício e tomar posse da fortuna deixada pelo velho. O que Sue não esperava era sentir tamanha afinidade com Maud, algo que, aos poucos, se transforma em desejo sexual e, enfim, numa avassaladora paixão. Enquanto os detalhes se apresentam em camadas e mais camadas de reviravoltas, jogos psicológicos e erotismo, o ponto de vista da narrativa se alterna entre Sue e Maud nas idas e vindas de uma trama que, página após página, nunca deixa de encantar, surpreender e impressionar. Conduzindo o leitor, com bem-vindos sobressaltos, entre planos sombrios de realidade e aparência, a autora constrói seu texto com precisão técnica e domínio emocional, fornecendo cada informação de maneira precisa e no momento exato. E, embora Na ponta dos dedos remeta, com muito estilo e propriedade, à literatura vitoriana, seu subtexto não poderia ser mais atual, abordando com liberdade questões de sexualidade, gênero e classe. A tudo isso se soma um trabalho sofisticado de construção de personagens, descrições de encher os olhos, ambientação atmosférica, atenção minuciosa aos detalhes históricos, diálogos precisos e um texto com o raro dom de ser tão virtuoso e elegante quanto extremamente fluido. Todo esse apuro, aliás, foi um prato cheio para o cinema: em 2016, o romance, transposto para a Coréia do Sul durante a década de 1930, foi adaptado para as telas como A criada, produção dirigida pelo aclamado Park Chan-wook (de Oldboy) que concorreu à Palma de Ouro no Festival de Cannes.

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    Marina Agatti Weber picture
    Marina Agatti Weber22/02/2025Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Fingersmith

    Fui enganada desde o começo? Sim, 5 estrelas! 🤡 Na Ponta dos Dedos, de Sarah Waters, é um romance histórico e psicológico ambientado na Inglaterra vitoriana. O livro combina elementos de suspense, drama e mistério, resultando em uma narrativa envolvente e surpreendente. A história acompanha Sue Trinder, uma órfã criada por uma gangue de vigaristas em Londres. Desde pequena, ela é cercada por trapaceiros e ladrões, sendo preparada para um grande golpe arquitetado pelo astuto Gentleman, um charmoso vigarista. O plano envolve Sue se infiltrar na casa de Maud Lilly, uma jovem rica e ingênua, para convencê-la a se casar com Gentleman, que então se apoderaria de sua fortuna. No entanto, conforme a trama avança, Sue e Maud descobrem que nada é o que parece, e os papéis de vítima e vilão se tornam cada vez mais nebulosos. De início, não tinha gostado muito da ideia de ler um livro sobre ladrões. Mas vendo as resenhas e comentários sobre o livro, me convenci a lê-lo. Achei a maneira de escrita muito agradável, foi uma leitura extremamente fluida. Simplesmente não conseguia parar de ler. Por mais que os capítulos fossem grandes, a trama, as personagens e a história foram tão envolventes que me senti imersa na leitura e nem vi o tempo passar. A cada página uma reviravolta diferente. Quando terminei a parte um, pensei: ou agora vai ter a parte da Maud, contando desde o início, porque pela quantidade de páginas... Não sei mais o que poderia acontecer. Sarah Waters constrói uma narrativa intrincada e cheia de reviravoltas, estruturada em três partes que oferecem diferentes perspectivas da mesma história (primeira parte sendo narradas por Sue até a ida no manicômio; segunda parte Maud; por fim, volta a Sue desde o manicômio em diante). A ambientação é ricamente detalhada, capturando a atmosfera sombria e opressiva da época vitoriana, desde os becos miseráveis de Londres até os pequenos detalhes dentro da propriedade de Briar. Além da trama engenhosa, a obra se destaca por seu aprofundamento psicológico das personagens. Sue e Maud são figuras complexas e ambíguas, cujas relações de poder, amor e traição desafiam as expectativas do leitor. Foi emocionante ver o desejo entre elas sendo construído página por página. Ambas se apaixonaram praticamente ao mesmo tempo. Na Ponta dos Dedos é um livro que prende do início ao fim, com uma escrita elegante e um enredo engenhoso que surpreende a cada capítulo.

    17 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    4.2 / 142
    • 5 estrelas39%
    • 4 estrelas37%
    • 3 estrelas18%
    • 2 estrelas6%
    • 1 estrelas1%
    Sarah Waters profile picture

    Sarah Waters

    Nasceu no País de Gales em 1966 e é doutorada em Literatura Inglesa. Em 1998 recebeu o prémio New London Writers. Em 2000 recebeu o prémio do Sunday Times para jovens escritores e o prémio Somerset Maugham, ambos por Afinidade. O romance Falsas Aparências foi ainda finalista do Booker Prize. Foi considerada pela prestigiada revista Granta uma das 20 jovens escritoras britânicas mais promissoras.

    26 Livros
    105 Seguidores

    Sarah Waters