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    Harmonias Sepulcrais -

    Alessandra Lobo

    Cervus Editora
    2019
    100 páginas
    3h 20m
    ISBN-13: 9786590036247
    Português Brasileiro
    3.8
    4 avaliações
    Leram3Lendo2Querem1Relendo0Abandonos0Resenhas4
    Favoritos1Desejados1Avaliaram4

    Escrever um conto, ao contrário do que muitos pensam, não é exatamente a tarefa mais fácil. Ouvimos contos a vida toda. Mas nunca imaginamos o quanto pode ser complicado encontrar o poder de síntese para contar uma história de forma clara, direta e mesmo assim, escolher na medida certa quais detalhes passar para o leitor. Escrevemos por que queremos transmitir algo. Quando tenho a ideia para começar um conto, costumo imaginar que eles fluem de uma maneira que remete diretamente à imagem que tenho nas mais tenras memórias: minha avó fazendo crochê, tecendo com uma única agulha e linha aquela corrente, para mim sempre pareceu uma espécie de mágica, tecer aquela corrente de uma linha emaranhada em si mesma, para em seguida, enganchando a agulha no fio certo, emaranhar a linha em volta de si mesma de novo e de novo, criando padrões elaborados que misturam, aos meus olhos, um emaranhado confuso de linhas e algum desenho de beleza frágil e resistente. Escrever um conto é o mesmo tipo de desafio, apesar de não estar muito certa quanto ao direito que tenho de fazer tal comparação, uma vez que nunca cheguei muito perto de uma agulha de crochê por pura falta de habilidade em tal atividade. Mas creio que seja algo muito próximo. Uma nova ideia aparece, uma imagem que de súbito aparece na mente e começo a descrevê-la. Desta "corrente" puxo outras linhas, desenvolvendo uma série de teorias: de onde veio tal cena? Por que eu a estou vendo assim? O que acontecerá em seguida? Tenho um pequeno banco de dados na mente, notícias, curiosidades em geral. Ficam "arquivadas", algumas não apenas na mente, mas também nos links salvos do computador, ou em um pequeno caderno de anotações. Fatos, histórias curiosidades. Todos eu posso modificar e adornar a corrente, ou os outros pontos que originaram dele. Lógico que não posso deixar de mencionar a natureza sombria da maioria dos contos. É um capricho meu. O terror brinca não só com os medos e aflições, não só transmite as sensações desagradáveis, desafiando a resistência mental de um leitor. Ele também é uma espécie de reflexão sobre a minha própria natureza. Até onde suporto escrever, perdoando a minha própria imaginação por investigar e até mesmo admirar a crueldade? Por isso eu evito permitir que a escrita seja invadida por criaturas fantásticas. Gosto de imaginar alguma espécie de natureza crua da humanidade em seu lado mais secreto. Criaturas fantásticas podem servir como unma boa metáfora para tal natureza, mas o confronto real consiste, pelo menos para mim, em não permitir que o fantasioso se torne catalisador de uma emoção negativa intrínseca. Claro, eles aparecem, mas não como fonte de tal natureza, e sim como manifestação da natureza humana. Há sempre alguma reflexão, um conteúdo obscuro, um ponto secreto no padrão do pied-de-poule da imaginação em conto de horror. Espero com isso que a imaginação do leitor seja estimulada, e que seja divertido observar como os demônios e monstros brotam naturalmente da natureza de cada um dos personagens.

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    Fábio Pedreira picture
    Fábio Pedreira18/12/2019Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Do reflexivo ao grotesco

    Harmonias Sepulcrais é uma antologia da autora Alessandra Lobo formada por quatro contos, são eles: Sonata de Agrat, O Luto, Três Mortes e Naecrophilia. . Cada conto tem suas peculiaridades, mas todos eles abordam um tema em comum, a morte. . Em Sonata de Agrat, vamos nos deparar com a maldade humana e suas consequências, não importa se você está do lado que causa dor ou do que sofreu com isso. Pra toda ação tem uma reação e é melhor ter muito cuidado com as coisas que deseja e para quem deseja. Pra mim foi o melhor conto da antologia. . Já em O Luto, temos um homem que acabou de perder sua esposa e está inconformado com isso. A escrita é meio poética até, mas admito que achei esse conto meio chatinho e monótono. . O terceiro conto é Três Mortes. Vejo esse conto como sendo bom, mas achei ele meio deslocado em relação aos outros. Todos os contos tem algo meio sobrenatural, esse não necessariamente. Apesar de o narrador ser um cara que já morreu Isso não necessariamente torna a coisa sobrenatural. Porém achei o conto muito bom, bem reflexivo, pois aqui o narrador vai falar das suas três mortes, e vai fazer você notar como na vida podemos morrer de várias formas. . E por fim temos o conto mais polêmico de todos, o Naecrophilia. Minha reação ao ler esse conto era de "Legal, instigante, aí tem coisa, que? Mas que por** é essa aqui?". Porque ao mesmo tempo que conta a história de uma pequena vila de pescadores que tratam os mortos como algo bem normal, ele chega a um ponto que trata como normal até demais. Uma mistura de bom com nojento. . Em resumo, Harmonias Sepulcrais é um livro que recomendo apenas para os fãs de terror mais pesados. Porque principalmente no último conto, precisa ter estômago. Mas é uma boa antologia apesar dos pesares.

    9 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    3.8 / 4
    • 5 estrelas0%
    • 4 estrelas75%
    • 3 estrelas25%
    • 2 estrelas0%
    • 1 estrelas0%
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    Alessandra Lobo

    Alessandra Lobo é formada em Letras, tradutora por profissão, escorpiana por natureza e escritora por vício. Entre o trabalho constante com tradução e escrita, dedica as horas vagas a brincar e cuidar do filho, também é baterista (fã de psychobilly, horror punk, rockabilly, blues, além de ópera e música de câmara), escultora, pintora, poeta e dançarina. Apesar de praticante do Budismo Tibetano, sua veia artística é influenciada diretamente por artistas como H.R. Giger, Goya, poetas como Baudelaire, Rimbaud e Rotenberg, influenciada diretamente por autores como H. P. Lovecraft, Edgar Alan Poe e outros mestres clássicos do horror, Cormac McCarthy, Sylvia Plath.

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    Alessandra Lobo