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    O Morto Certo -

    Jorge Semprún

    ARX
    2005
    180 páginas
    6h 0m
    ISBN-10: 8575812033
    Português Brasileiro
    3.4
    25 avaliações
    Leram34Lendo1Querem35Relendo0Abandonos2Resenhas1
    Favoritos1Desejados35Avaliaram25

    Surpreendente, corajoso, assustador, O morto certo é um romance semi-autobiográfico que narra a história do próprio autor, quando esteve aprisionado no campo de concentração de Buchenwald e teve, sem alternativa, de assumir a identidade de um jovem moribundo, estudante de filosofia como ele, para continuar vivo. A partir desse episódio aterrorizante, Jorge Semprun narra do dia-a-dia de Buchenwald, mostrando ao leitor como o comando informal do campo cabia aos comunistas alemães, enquanto a imensa plebe morria à míngua pelos cantos.

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    Resenhas (1)Ver mais
    Waldir Figueiredo Reccanello picture
    Waldir Figueiredo Reccanello16/05/2021Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Östlich den Vergessens...

    Não é que não me tenha impressionado a forma cruel e sem subterfúgios com que o autor descreve o cotidiano de Buchenwald. O que não me impressionou foi justamente esse cotidiano: por não ser um campo de extermínio como Auschwitz II, Treblinka ou Maidanek, o que fazia com que a maciça maioria das mortes ali se deu por esgotamento frente ao trabalho forçado, a vida naquele lugar parece menos assustadora (tanto que o autor nos revela que "um dos flagelos mais funestos da vida em Buchenwald" era a inevitável e permanente promiscuidade que fazia com que "nem um único ato da vida privada pudesse ser realizado de outro modo se não sob o olhar dos outros"). Não, isso não diminui de forma alguma o horror do sistema de encarceramento e eliminação criado pelos nazistas; pelo contrário, reforça seu horror, quando comparado com locais de real e burocrático extermínio, onde "as trevas do Mal, pulsão ativa da liberdade originária do homem" se espalharam de forma tão absurda, e o "inimitável sorriso da humana alegria do mal" era tão comum. Por outro lado, ao mostrar como a "elite comunista" conseguiu se infiltrar no real comando do campo, o autor mostra não apenas a indiferença desses líderes para com a "plebe" que morria à míngua como, principalmente, sua voluntária surdez diante do desconforto trazido pelo conhecimento acerca das atrocidades de Stalin. De uma forma velada, portanto, e assim como o fato de Buchenwald não ser um campo de extermínio não o redime de forma alguma, o fato de o comunismo não ser o nazismo também não lhe dá qualquer possibilidade de redenção.

    6 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    3.4 / 25
    • 5 estrelas12%
    • 4 estrelas20%
    • 3 estrelas60%
    • 2 estrelas8%
    • 1 estrelas0%
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    Jorge Semprún Maura

    Foi um escritor e comunista espanhol. Filho de diplomata, exilou-se muito jovem em Paris, onde estudou filosofia. Dirigente do Partido Comunista Espanhol na clandestinidade, foi expulso do partido em 1964 por defender uma linha reformista. De 1988 a 1991, foi ministro da cultura da Espanha. Escreveu livros retratando os horrores da guerra; do exílio; da prisão; os bastidores da elite comunista da Espanha e o caráter autoritário e ditatorial dos partidos comunistas.

    13 Livros
    8 Seguidores

    Jorge Semprún Maura