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    A Sombra e o Medo : Mistério e Suspense -

    Ricardo Santos

    Engenho da Palavra
    2018
    249 páginas
    8h 18m
    ISBN-10: B07K2K1KMK
    Português Brasileiro
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    A Antologia “A Sombra e o Medo” é composta por 22 contos de extremo suspense, mistério e terror. Criados por 20 grandes autores brasileiros que nos sequestram a atenção (por horas) com sua escrita precisa e cativante, a antologia conta, também, com a participação especial do grande escritor e editor Gianpaolo Celli que, em parceria com o escritor Sérgio Pereira Couto, é dono de uma vasta produção editorial. Degustem abaixo a introdução do conto “A Luz e a Escuridão” com o qual eu tive a honra de participar junto a estes autores incríveis. Miranda May “Quando o homem chegou à cidade, trouxe consigo a noite. Havia algo em seu rosto. Algo inicialmente incompreensível. Era uma mistura de dor extrema e de extrema escuridão. Quando a dor tem a ver com a escuridão? — perguntei-me, ao analisar meus sentimentos, quando prospectei sua expressão. E a resposta veio de minhas próprias sombras: quando a dor é tão grande que, por fim, o ser torna-se incapaz de sentir qualquer coisa. É a escuridão da alma. Nela existem sombras que não foram projetadas pela luz. Já me disseram que não pode haver sombra sem que haja luz para projetá-la; mas, essa sombra específica, a sombra causada pelo extremo sofrimento, não sabe mais que luz a criou. Só o que vê são as trevas e a destruição, a descrença e a aniquilação. De minha janela olhei o céu escurecer e vi a tempestade — fria — trazendo a umidade e as noites intermináveis. Eu estava na varanda — como de costume ao final do dia; por isso presenciei tudo, desde o começo. O sino anunciava a noite enquanto eu observava o estranho. Nunca percebera, com tanta clareza, a dor refletida em um humano. Ele arquejava. Seu corpo era um bambu exposto ao vendaval. Sua pele era cinza como cinza parecia ser sua vida. Ele sofria. E a dor espraiava-se ao seu redor contaminando qualquer um que o observasse. Sua alma, como o sino, anunciava a noite. O posto de saúde, a igreja e o bar em frente à minha casa, assim como todas as portas e janelas estavam fechadas esperando o temporal. As famílias se recolhiam para o jantar enquanto um vento frio e úmido varria as calçadas desertas. Os habitantes da pequena vila não imaginavam, mesmo em suas mais tenebrosas fantasias, que um fantasma do passado retornava para assombrá-los. Quando ele chegou, eu pressenti que uma noite escura caia sobre nosso vilarejo e, sua sombra — ou sua falta de luz —, marcaria para sempre nosso destino. A razão não temia o que poderia nos acontecer, mas o coração sempre. E, quando as sombras da tempestade inundaram o entardecer, elevei à Deus uma prece: "perdoai nossos pecados, tende piedade de nós". Olhei aquela forma humana se dissolver nas trevas noturnas como se delas fizesse parte. Mas, com raiva, fechei a janela.”

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    Ricardo Santos

    Ricardo Santos é um soteropolitano viciado em ficção científica, fantasia, terror e café. Ele acredita na literatura como uma força de transformação social. Formado em jornalismo pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), foi crítico de cinema da revista cultural ReConquista, em 2006. Vencedor do 1º lugar do concurso de contos Exercícios Urbanos, promovido pelo Portal Literal, em 2006. Teve roteiro selecionado para vídeo sobre Georges Simenon, exibido no programa Entrelinhas da TV Cultura, em 2006. Selecionado para participar de oficina literária virtual, ministrada pelo escritor e jornalista José Castello, em 2007. Em 2008, publicou o livro de viagens Homem com Mochila, que teve uma 2ª edição em 2018. Participou da coletânea de contos de terror The King, em homenagem a Stephen King (Editora Multifoco, 2013). Em 2014, participou da coletânea de poesias e contos do 1º Concurso Literário do Servidor Público, promovido pelo Governo do Estado da Bahia. Em 2015, lançou Um Jardim de Maravilhas e Pesadelos, seu primeiro romance. Participou como organizador e autor da coletânea Estranha Bahia (EX! Editora, 2016; 2ª edição, 2019), finalista do Prêmio Argos 2017, na categoria coletânea ou antologia, promovido pelo Clube de Leitores de Ficção Científica (CLFC). Ainda em 2016, foi selecionado para o projeto Mapa da Palavra, de divulgação de autores baianos, promovido pelo Governo do Estado da Bahia. Em 2017, publicou contos nas revistas Somnium e Trasgo. Também participou das coletâneas Hocus Pocus High Tech (2018), A Sombra e o Medo (Engenho da Palavra, 2018) e Cyberpunk (Draco, 2019, vencedora do Argos). Em 2020, foram lançados o livro de contos Cicatrizes e, pela editora Corvus, a coletânea Morto Antes do Amanhecer e a noveleta Grito da Lua. Além da ficção relâmpago As Mortes, pela newsletter Faísca, também finalista do Argos. Em 2021, foi um dos organizadores da antologia Farras Fantásticas, também pela Corvus.

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    Bahia, Brasil

    Ricardo Santos