Gestar, parir, amar: não é só começar -

    Tayná Leite

    Letramento
    2019
    158 páginas
    5h 16m
    ISBN-10: 8595302146
    Português Brasileiro

    Este livro verbaliza que a maternidade, tão desejada, celebrada e na qual Tayná mergulhou de forma tão intensa, é no fundo o principal grilhão que aprisiona as mulheres. É o resultado de anos de reflexões para escancarar o quanto a culpa, alimentada pelo mito do amor materno, é o elemento que sustenta toda desigualdade de gênero que se tenta combater, seja nas ruas ou no mercado de trabalho. Tayná acredita que, enquanto as mulheres não desmistificarem a ideia desse amor instintivo e o processo de culpa alimentado por ele, nunca serão verdadeiramente livres. Essa desconstrução, porém, não pode ser feita de forma irresponsável e às custas da saúde de mulheres, bebês e crianças em um processo de não responsabilidade pelas nossas ações e escolhas e, muito menos, sem trazer os demais responsáveis para a discussão.

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    Alexandra do Nascimento Ferreira19/07/2021Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Gestar, parir, amar...

    Partindo da experiência pessoal com maternidade, aliado a informações estatísticas e sobre concepção, parto e maternidade, a autora discuti questões como romantização dessa função social e como nesse aspecto a maternidade representa uma sobrecarga tremenda à mulher e um instrumento de opressão. As discussões são feitas de maneira que interessam não só a quem é mãe ou deseja sê-lo, mas ao contrário demonstra que o assunto envolve outros atores sociais. Um exemplo disso é a consciência de que para criar uma criança é necessário uma "aldeia inteira" ou seja todos têm responsabilidade nesse ponto, mãe, pai, família, Estado. De maneira muito sensível a autora toca em questões extremamente relevantes como a infantilização da mulher gestante e mãe, a pressão e as cobranças que se desdobram sobre essa mulher, mesmo ante a expectativa da gestação, bem antes de sequer pensar na maternidade, como algo determinado, a sociedade já a tem pre-estabelecida como uma realidade fatal para qualquer mulher e se assim não for, ela é vista como uma pessoa incompleta ou fracassada. Ou seja a mulher tem seu valor determinado pela maternidade e ainda é julgada, seja de qual for a maneira que exerça esse papel. Esse livro me trouxe reflexões em diversos níveis, mas um aspecto que sempre me incomoda é o fato de que a cobrança para a maternidade pode influenciar negativamente a experiência da mulher, seja quando ela busca a maternidade por imposição social, seja quando a rejeita, talvez por causa do sobrepeso que isso sempre representa.

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