Essa é a minha primeira leitura de Magda Szabó. A despeito de “A porta” ter tradução em português pela Intrínseca. Se serve como uma preview da minha avaliação, coloquei esse livro na minha lista.
Abigail conta a história de Giorgina Vitay, carinhosamente apelidada de Gina, uma adolescente da alta sociedade húngara, de 15 anos, órfã por parte mãe e filha de um general do exército húngaro. O livro se situa no começo dos anos 1940, durante a invasão nazista na Hungria
Sendo órfã de mãe e com pai no alto escalão do exército, Gina é enviada para um internato protestante calvinista.
Para aqueles que não sabem, Calvino pregava que todos deveriam ser extremamente humildes, não devendo demostrar luxos de forma alguma. Tanto que, quando Calvino tinha seu estado teocrático no Cantão de Genebra, proibiu todos os artigos de luxo.
Esse é um dos diversos fatores que afetam a vida se Georgina no internato. Dentre outros que vão fazer ela amadurecendo ao longo do livro.
Por ser uma história de “Coming of age”, cujo foco é o ganho de maturidade por parte do personagem principal, a narrativa quase que inteira conta como Gina se sente e seus pensamentos.
Nesse eu ponto eu tenho uma crítica quanto ao estilo de prosa da Szabó.
O livro é narrado em terceira pessoa, conta com poucos diálogos, pois quase todos são narrados em vez de descritos. Além disso, no meio do parágrafo pode vir o pensamento de um personagem, que não necessariamente é a Georgina, isto pode ser meio desagradável. Isto porque, pode acabar ficando meio confuso a leitura.
Uma das consequências são os trechos que coincidem com os pensamentos da Georgina. O narrador terceira pessoa narra fatos, enquanto Gina é totalmente não confiável.
Esse problema fica aparente quando o livro quer demonstrar a maturidade de Gina e como ela amadureceu. A prosa de Szabó é recheada de comparações muito belas, realizadas pelo narrador.
Porém, em determinados momentos, essas comparações, que tem como função demonstrar o quão Georgina vem amadurecendo ao decorrer do livro, ficam meio insuportáveis. Pois são feitas diversas vezes pelo narrador e, como consequência, parece um fato que a protagonista é daquele jeito. Só que não, como o livro demonstra.
Sinto que, se essa narração fosse feita mais na perspectiva da Georgina, ou deixado mais claro que se tratava do pensamentos dela (como ocorre em determinados trechos) não seria tão problemático. Pois apenas demonstraria a visão de uma adolescente que acha ser uma adulta que sabe tudo.
Porém, nenhum adulto sabe tudo. Sinto que faltou esse aspecto no decorrer do livro. Não vou adentrar na explicação para não dar spoilers.
Outra pequena crítica que tenho é quanto aos “mistérios” do livros. Achei ambos extremamente previsíveis. Sei que o foco não é esse e está longe de ser, por isso coloco apenas como uma pequena crítica.
De resto, o livro é excelente e muito emocionante em diversos momentos. Certamente será uma das minhas leituras favoritas do ano.
Além disso, o livro não tem tradução para o português, de modo que li a versão ebook em inglês. Me considero alguém com nível avançado ou fluente em inglês e mesmo assim encontrei certa dificuldade em alguns momentos, devido ao uso de palavras difíceis. A leitura no Kindle ajudou bastante, devido a função do dicionário. Sendo assim, recomendo a leitura para aqueles que tenha um nível um pouco mais avançado de inglês.
Dou, ao fim, 4 (tendendo para 4.25), devido aos problemas que tive com o estilo de prosa e narração do livro. Contudo, a despeito disso, Abigail é um livro excelente e recomendo fortemente a sua leitura.
4.25/5