O livro é uma crítica ao raciocínio simplista, segundo o qual a língua portuguesa está sendo ameaçada pelos chamados estrangeirismos. Os autores, todos pesquisadores em lingüística e/ou professores de língua, consideram dever profissional demonstrar os equívocos e as impropriedades do projeto de lei 1676/1999 sobre a promoção, proteção, a defesa e o uso da língua portuguesa, do deputado federal Aldo Rebelo [PcdoB]. Aqui se encontram os principais argumentos contrários ao projeto de lei, a começar pela crítica radical à concepção de língua ali adotada. Alguns textos rebatem os apelos patrioteiros do deputado e todos eles trazem farta exemplificação da dinâmica histórica que atravessa os modos como os falantes gerem o funcionamento do léxico de sua língua, o que por si só já é motivo para a dispensa de tutores, censores e guardiães de um ideal de língua que ninguém pratica. Ao mesmo tempo, o livro ultrapassa e supera o projeto, ao defender que a língua não aceita mordaça, nem se deixa domesticar por mera pirotecnia legislativa. O discurso desse livro se faz a muitas vozes, todas unânimes na afirmação de que a língua muda para atender às necessidades de seus falantes e de que é impossível regulamentar a língua humana, porque a variação é inerente às línguas e ninguém até hoje conseguiu reverter essa dinâmica.
Estrangeirismos (Na Ponta da Língua) - Guerras em torno da língua
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1. Identificação Bibliográfica. FARACO, Carlos Alberto [org]. Estrangeirismos: guerras em torno da língua. 3ª ed., São Paulo: Parábola Editorial, 2004. 2. Objeto. O Projeto de Lei 1676/1999, que versa sobre “a promoção, a proteção, a defesa e o uso da língua portuguesa”, do deputado Aldo Rebelo. 3. Objetivos. “Mesmo que o projeto [nº 1676/1999] venha a ser lei, as questões que esse livro aborda não estarão resolvidas, porque a língua não aceita mordaça nem se deixa domesticar por mera pirotecnia legislativa. Precisamos de mais do que de ímpetos legiferantes.” [p. 7]. “[...] a língua simplesmente muda... nem para o bem nem para o mal. Muda para atender às necessidades das mulheres, dos homens e das crianças que a falam.” [p. 8] 4. Metodologia. 5. Fontes. 6. Principais Conceitos. “[...] estrangeirismos, isto é, as palavras e expressões de outras línguas, usadas correntemente em algumas áreas do nosso cotidiano.” [p. 9] “Estrangeirismo é o emprego, na língua de uma comunidade, de elementos oriundos de outras línguas. No caso brasileiro, posto simplesmente, seria o uso de palavras e expressões estrangeiras no português. Trata-se de fenômeno constante no contato entre comunidades lingüísticas, também chamado de empréstimo. A noção de estrangeirismo, contudo, confere ao empréstimo uma suspeita de identidade alienígena, carregada de valores simbólicos relacionados aos falantes da língua que origina o empréstimo.” [p. 15] 7. Principais Conclusões. “É um preconceito lingüístico supor que o que é percebido como estrangeirismo hoje permanecerá por muito tempo como elemento estranho e alheio à língua receptora, mantendo sua carga alienígena.” [p. 33] “A lingüística não conseguiu ainda ultrapassar as paredes dos centros de pesquisa e se difunde socialmente de modo a fazer ressoar seu discurso em contraposição aos outros discursos que dizem a língua no Brasil... Em termos de língua, vivemos numa fase pré-científica, dogmática e obscurantista.” “Gostaríamos que o deputado Aldo Rebelo apresentasse um verdadeiro projeto de lei de promoção do idioma e não um projeto de defesa do idioma, que contraria tudo o que se sabe sobre o funcionamento das línguas e que politicamente é indefensável. Precismos de ações concretas para a promoção do idioma, para a melhoria do ensino do português, para a difusão do português no mundo e isso o projeto fica a dever.” [p. 125] “O uso da língua não precisa de legislação. A língua é um sistema auto-regulador, que dá conta de suas próprias carências e necessidades.” [p. 82] 8. Comentário Pessoal. Organizado pelo lingüística Carlos Alberto Faraco, “Estrangeirismos: guerras em torno da língua” traz ensaios de outros sete lingüísticas que discutem sobre o Projeto de Lei 1676/99 do deputado Aldo Rebelo, sobre “a promoção, a proteção, a defesa e o uso da língua portuguesa”. O Projeto tem a pretensão de combater o uso indiscriminado de palavras emprestadas de outras línguas estrangeiras (os estrangeirismos) em uso no Brasil, oriundas principalmente do inglês norte-americano. O Projeto do deputado Aldo Rebelo recebe críticas de vários estudiosos da lingüística, por considerá-lo, dentre outras coisas, preconceituoso e restringir a língua da nação “à língua do poder, à norma escrita, socialmente controlável, cujos limites são definidos pelas classes dominantes.” [p. 28] Tal concepção, que toma a escrita como essência da linguagem (perdendo de vista a fala que é a verdadeira essência), quer acreditar que os estrangeirismos atuais são em quantidade maior que em outros tempos, quando a língua teria sido mais pura. Como afirma Marcos Bagno em seu ensaio: “Querer uma língua pura, e já sabemos a que tipo de tragédias idéias desse tipo podem nos levar.” É assim, versando sobre as nuanças do Projeto e suas implicações, exemplificando com outras tentativas fracassadas do passado, que o livro vai explanando sobre a guerra em torno de que língua é a nossa. 9. Palavras-Chave. Projeto de Lei 1676/99 – Estrangeirismos – Língua Portuguesa – Mídia – Preconceito Lingüístico
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