Resenha Crítica
LINTHICUM, Robert C., Cidade de Deus, Cidade de Satanás. Missão Editora. Belo Horizonte, 1995. Capítulos 2 e 3
Capítulo 2 - Nossa cidade como habitação do mal pessoal e sistêmico,
Neste capítulo Linthicum aborda o lado negro das cidades como locais da habitação do mal. Ao expor seus argumentos, o autor espera que ao compreendermos tanto a natureza da bondade e a natureza do mau presente numa cidade poderemos verdadeiramente entender a cidade para qual Deus nos chamou.
O autor afirma que a Escritura, fornece vários indicadores no que concerne ao mal de uma cidade. Sendo grande parte desse mal a condição pecaminosa da humanidade, uma vez acumulado entre seus moradores, torna-se opressa e dependente do pecado, tornando um problema de dimensões corporativas.
Linthicum usa como exemplo os profetas Isaías e Jeremias, relatando como ambos estavam comprometidos em apontar o pecado do povo de Israel. Usando o exemplo desses homens, ele tenta responder quais sãos as raízes do mal de uma cidade e a necessidade de conhecermos tais raízes, para que como povo de Deus, possamos causar impacto significativo sobre uma determinada cidade.
Linthicum apresenta três tipos de sistemas que se julgam ser de suma importância para compreensão da natureza do mal de uma cidade, são eles: 1) sistema econômico; 2) sistema político e, 3) sistema religioso. Ambos os sistemas devem ser analisados biblicamente. Portanto, usando o principio que Deus apresenta ao povo de Israel no livro de Deuteronômio capítulo 6, o autor propõe uma solução para acabar com os sistemas corruptos e maléficos da presente geração.
Mesmo o povo de Israel recebendo um modelo de um bom sistema, eles corromperam. Um exemplo disso era o grande rei Salomão, que durante o seu reinado fez Israel prosperar como nunca, mas, para atender tanto ostentação corrompeu no que diz respeito à exploração da nação. E assim foi com seus sucessores, Acabe e Josias.
Concluindo esse capítulo, o autor afirma que os instintos naturais pecaminosos da humanidade corrompem o sistema da cidade.
Capítulo três - Nossa cidade como habitação dos principados e potestades satânicos
O autor começa relatando uma experiência pessoal ocorrida na cidade de Calcutá, Índia. Logo em seguida, ele faz uma análise de como o Apóstolo Paulo estava preocupado em capacitar as igrejas urbanas, á qual havia escrito suas cartas.
Ao analisar a metodologia que o Paulo usava, o autor faz uma definição de como era o entendimento do Apóstolo sobre o mal. Tendo como base a carta de Colossenses 1:14-16, ele define o significado de: trono, dominações, principados e potestades. Contudo, Linthicum tenta mostrar que os principados e potestades são as forças espirituais que trabalham através das estruturas e sistemas da cidade, nação ou universo e essas forças podem ser forças do bem ou forças satânicas que são exclusivamente terrestres, ou, tanto celestiais quanto terrestres ao mesmo tempo (Sl 103:13-22. Cl 1:15-20).
Outra questão levantada pelo autor é que Paulo não desenvolveu uma doutrina de principados e potestades, mas ele faz algumas afirmações sobre o assunto, tais como: 1) Os principados e potestades foram criados por Deus, que é supremo sobre eles (Cl 2: 14-16); 2) Paulo mantém que os principados e potestades foram capturados por Satanás e agora são usados por ele para seu trabalho (Ef 6:10-12); 3) Cristo veio destruir o pecado das potestade e libertá-los de sua própria escravidão (Cl 1:19-20, Ef 1:18-22); 4) A igreja é chamada para responder aos principados e potestades (Ef. 3:8-11).
Numa outra análise Linthicum afirma que toda cidade possui um anjo que guia ou protege a cidade e para fundamentar sua posição ele se baseia em vários textos bíblicos tais como: Ap 2:3; II Rs 19:35-36; Dt 32:8-9; Dn 10:1 a 11:2; Portanto, cada cidade tem um anjo que é capaz de dominar os principados e potestades, sistemas e estruturas, grupos de pessoas e indivíduos dessa cidade. Essas forças podem ser espirituais ou angelicais, ou demoníacas (ou ambas).
Conclusão Crítica
Apesar de ter gostado da leitura desses dois capítulos, não concordo com algumas colocações do autor.
Concordo com o autor na sua afirmação de que o grande problema da maldade das cidades é resultado da condição decaída do homem. Outra coisa que me chamou a atenção foi o fato do autor apontar Deuteronômio 6, como um bom exemplo de sistema a ser seguido.
Não há, no meu entendimento, como concordar com a colocação do autor sobre a salvação coletiva, pois a salvação é individual, prova disso e quando Deus salva Ló e sua família de Sodoma e Gomorra.
No que diz respeito de que cada cidade possui um anjo protetor, apesar de usar textos bíblicos para fundamentar seus argumentos, acredito que seria necessário, maiores estudos a respeito desta afirmação.
Entretanto a leitura do texto foi interessante a título de conhecimento.