Em 1936, freqüentemente havia conflitos entre a juventude negra por causa dos focos de discriminação. Quebrávamos cinemas, barbearias, boates que não deixavam negro entrar. A vida em São Paulo era pontilhada por esses incidentes, resultado de uma discriminação ostensivo, diverso da que se faz hoje, de maneira velada. Enquanto eu participava, escondido, desse movimento, trabalhava no QG como escriturário. Até que eu e Sebastião Rodrigues Alves - um outro militar - estávamos à paisana, fomos a um bar: onde nos proibiram de entrar pela porta da frente. Queriam que entrássemos pela porta dos fundos. Eu e Rodrigues Alves não aceitamos a discriminação; houve um grande pugilato na porta do bar; então apareceu o delegado de ordem política e social... Ele também entrou no pugilato. Houve uma pancadaria geral e conseguimos fugir. Não fomos presos naquela noite, mas houve alguém que sabia onde morávamos e nos denunciou. Certa manhã, fomos encurralados. Foi um batalhão de gente armada como se fossemos perigosíssimos, criminosos, e nos prenderam.
Liderancas Negras -
Marcia Contins
AEROPLANO
2005
469 páginas
15h 38m
ISBN-13: 9788586579844
Português Brasileiro
Edições (1)
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