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    História & fotografia -

    Maria Eliza Linhares Borges

    Autêntica Editora
    2007
    136 páginas
    4h 32m
    ISBN-11: 8575260758_
    Português Brasileiro
    3.7
    24 avaliações
    Leram43Lendo10Querem36Relendo0Abandonos2Resenhas2
    Favoritos1Desejados36Avaliaram24

    Antiga hóspede da literatura, da política e da filosofia, a História busca, ao longo do século XIX, construir sua própria morada. No decorrer desse período, historiadores empenharam-se na definição da fisionomia e da identidade cognitiva da História com o objetivo de distingui-la das demais ciências do homem. É também esse o momento do surgimento de um novo tipo de imagem visual - a fotografia. Desde então, sua trajetória e suas relações com a história-conhecimento têm passado por percursos variados e até mesmo inimagináveis por seus criadores e pelos historiadores de ofício do século XIX.

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    Aubergs Lopes Neves12/05/2015Resenhou um livro
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    A Professora Maria Eliza Linhares Borges é doutora em Sociologia pelo Instituto Universitá-rio de Pesquisas do Rio de Janeiro (IUPERJ) e atuava no Departamento de História e do Programa de Pós-Graduação em História da UFMG. Vem desenvolvendo trabalhos na área de história social e o uso de imagens visuais no ensino e na pesquisa. Publicou trabalhos como “Cartografia Poder e imaginário” e “A hermenêutica cartográfica em uma sociedade mestiça”, publicados em 2001 e 2002 que são estudos sobre iconografia de mapas e cartas. Publicou também “Representações do Universo Rural e Luta pela Reforma Agrária no Leste de Minas Gerais” que é um artigo sobre as representações de mundo do campesinato mineiro em sua luta pela reforma agrária. O livro “História & Fotografia” analisa a importância da fotografia como fonte de pesquisa histórica e faz parte da“Coleção História e Reflexões” da editora Autêntica, sendo o quarto livro da série. Um livro teórico com uma abordagem voltada a História Social, sobretudo em sua preocupação com relação ao tratamento de imagens que deve orientar o trabalho do historiador. Um dos pontos chave no livro é que a fotografia teria sido, por muitos anos, um objeto meramente ilustrativo no trabalho historiográfico. Os argumentos que a autora encadeia para mostrar isso são: 1. A Escola Metódica, fundada no século XIX, utilizava documentos oficias como fonte in-discutível de verdade, quando muito o historiador se daria o trabalho de provar a au-tenticidade do documento. Desse modo, a história era pré-existente e imutável, faltava apenas dar visibilidade a ela. 2. Tal método de pesquisa tornou-se um paradigma e a fotografia não se encaixava nele. 3. A Escola Metódica supervalorizava o documento escrito pois não adentrava ao símbolo, à linguagem metafórica, buscando um conhecimento histórico que fosse “cientifi-camente conduzido”, completamente racional. Dessa forma a fotografia serviria apenas para confirmar o documento escrito. Como resposta a isso, a autora argumenta que as fontes imagéticas, como as fotografias, devem de fato ser utilizadas mas com cuidado metódico. Os argumentos que são utilizados pela autora são: 1. Fernand Braudel, em 1950, ensina que os documentos não devem mais serem vistos como fontes completas de verdade absoluta, mas que deveria haver um diálogo entre a fonte e o pesquisador, de modo que não só os documentos oficiais serviriam como fontes. 2. O poder que as imagens têm demonstrado possuir para o uso político-ideológico, deixa claro que elas têm crucial importância para formação do pensamento. 3. As imagens chegam até nós como fragmentos do real, mas subjazem intenções volun-tárias ou involuntárias passíveis de interpretação. 4. Para as interpretações é necessário a contextualização da imagem, o cruzamento de tais com documentos orais ou textuais, além de conhecimento sobre a técnica de produção da imagem. Importante descobrir qual a intenção do fotógrafo e de quem pagou pela foto. Esse seria o paradigma atual, onde fazer uso de fotos apenas como ilustração ou para re-forçar documentos escritos deram lugar a um sistema onde a própria fotografia se insere como fragmento do real, mas com um propósito, com objetivos que estão tão impressos quanto o próprio documento. Por se utilizar de uma metodologia específica, o pesquisador é capaz de fazer o antes mudo documento falar e transmitir não só imagens, mas uma forma de ver o mudo, de organização social, de hierarquização, de um imaginário coletivo que dá sentido as posturas ali impressas. Sem dúvida que são textos muito elucidativos, com uma linguagem clara e acadêmica que nos levam a uma reflexão profícua sobre o uso das imagens. A autora deixa evidente que a postura em relação às fotografias mudou porque a postura em relação à história mudou. A princípio, com a crítica ao documento em si, depois com a procura daquilo que está “do outro lado” do documento, o tipo de pensamento que o produziu. Nessa nova história as fontes ima-géticas caem como “luvas”. No entanto, por se prender a crítica aos metódicos a autora acaba fazendo um apanhado muito geral do uso que a historiografia fez de tais fontes. Além disso, não fica claro se trabalhar com fotos significa entrar no campo da história cultural ou social, ou, por exemplo, se a história econômica poderia utilizar de tais. Mas, sem dúvida, o texto é de grande valia ao se pensar em fontes imagéticas e sua relação com o mundo simbólico.

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