A Igreja, desde suas origens, continua destinada a ser uma agência de transformação histórica e uma promotora da verdadeira liberdade. Enquanto se discute os métodos para o crescimento numérico da Igreja, encontramos um ufanismo ou triunfalismo por parte de muitos, que se fixa na dimensão apenas quantitativa, dependente de técnicas humanas. Vive-se a tirania dos números, à custa da qualidade. No lugar da exortação ao caminho do discipulado ou da santidade, busca-se agradar aos "clientes", com produtos aprazíveis, de melhor consumo. A superficialidade, a auto-ajuda, a prosperidade, a "batalha espiritual", os cultos-shows marcam um cenário eclesiástico que "incha" mais do que realmente cresce. Fala-se tanto em Igreja, mas não encontramos uma preocupação e um estudo sério sobre Eclesiologia. Qual a natureza dessa instituição? Apenas uma instituição burocrático-administrativa, cuja maior preocupação deve ser sua funcionalidade? E a longa História, a Tradição Apostólica? E o legado dos mártires, dos pensadores, dos reformadores, dos missionários? E a Igreja-Mistério? E a Igreja-Sacramento? A Igreja humanamente constituída, mas divinamente instituída, Povo da Nova Aliança, portadora da mensagem do Reino de Deus, sólida, profunda, ética, ampla, parece ser deixada de lado nesses tempos "realistas" pragmáticos.
