A Concise Chinese-English Dictionary for Lovers (Vintage Voyages) -

    Xiaolu Guo

    Vintage
    2019
    368 páginas
    12h 16m
    ISBN-13: 9781784875312

    Twenty-three-year-old Zhuang (or Z as she calls herself) arrives in London to spend a year learning English. Struggling to find her way in the city, and through the puzzles of tense, verb and adverb; she falls for an older Englishman and begins to realise that the landscape of love is an even trickier terrain...

    Edições (1)

    Ver mais
    • book cover
    Resenhas (2)Ver mais
    Berttoni Licarião picture
    Berttoni Licarião27/10/2025Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Leituras de 2025 A concise Chinese-English Dictionary for Lovers [2007] Xiaolu Guo (China, 1973-) Random House, 2007, 292 p. Certo dia, o título deste livro da escritora, roteirista e diretora de cinema Xiaolu Guo chamou minha atenção entre as prateleiras abarrotadas de um sebo. Sim: tenho uma queda incontrolável por romances nomeados por outros gêneros (Memorial do convento, Ensaio sobre a cegueira, Carta à rainha louca, Diálogos para o fim do mundo, História da violência etc). Havia prometido a mim mesmo que não levaria mais de um livro (estava viajando e o espaço da mala era escasso), mas bastou uma breve folheada para entender a proposta e me decidir pela aquisição do exemplar. A chave de ouro foi a presença de uma única frase ocupando toda a página antes do sumário, onde se lia: “sorry of my english”. Reparem vocês que a frase em questão contém dois erros: a preposição após sorry é “for” e idiomas (assim como nacionalidades) em inglês são escritas com letra maiúscula: ou seja, “Sorry for my English” seria a forma gramaticalmente “correta” de acordo com a norma do momento. Essa espécie de “advertência ao leitor” introduz a história de Zhuang, filha de 23 anos de um casal de sapateiros na China rural, que viaja para Londres para aprender inglês por um ano. Escrita em primeira pessoa, a narrativa acompanha a jovem pelos doze meses em questão, tendo início ainda durante o voo, algumas horas antes de pousar no aeroporto internacional de Heathrow: Now. Beijing time 12 clock midnight. London time 5 clock afternoon. But I at neither time zone. I on airplane. Sitting on 25,000 km above to earth and trying remember all English I leaning in school. I not met you yet. You in future. (p. 3) A medida que “Z” (seu nome para os londrinos que têm dificuldade em pronunciar o mandarim) desenvolve um relacionamento amoroso e de grande dependência afetiva e social com um artista mais velho — o “you” do trecho acima — a escrita da narradora vai ganhando nuances e mais correção gramatical e vocabular (ainda que nunca chegue a um registro livre de desvios). A contraparte ocidental representada por esse artista, o típico espírito livre individualista carpe diem, gera inúmeros conflitos culturais com a filosofia gregária e coletivista de uma formação maoísta, mas é sobretudo na descoberta da linguagem do outro (como forma de entender seu pensamento e sua forma de encarar o mundo) que o romance revela seus momentos mais luminosos: “English words made only from twenty-six characters? Are English a bit lazy or what? We have fifty thousand characters in Chinese.” “Love,” this English word: like other English words it has tense. “Loved” or “will love” or “have loved”. All these specific tenses mean Love is time-limited thing. Not infinite. It only exist in particular period of time. In Chinese, Love is “爱” (ai). It has no tense. No past and no future. Love in Chinese means a being, a situation, a circumstance. Love is existence, holding past and future. If our love existed in Chinese tense, then it will last for ever. It will be infinite. A personalidade excessivamente carente de Z talvez provoque alguma aversão entre seus leitores (eu mesmo me incluo nesse grupo irritadiço), mas ainda assim a personagem é capaz de surpreender, mostrando camadas de dureza e autoafirmação que desmontam aquela imagem da chinesa ingênua, anuente e influenciável que estereótipos ocidentais construíram em nosso imaginário. “But you never really ask me. You never really pay attention to my culture. You English once took over Hong Kong, so you probably heard of that we Chinese have 5,000 years of the greatest human civilisation ever existed in the world… Our Chinese invented paper so your Shakespeare can write two thousand years later. Our Chinese invented gunpowder for you English and Americans to bomb Iraq. And our Chinese invented compass for you English to sail and colonise the Asian and Africa.” (p. 228) Quando os desdobramentos finais do enredo finalmente se tornam claros para a narradora, o romance ganha mais algumas passagens de fôlego filosófico e momentos de profunda simbologia. Da natureza do amor à construção de si por meio da linguagem (própria e do outro), A Concise Chinese-English Dictionary for Lovers é uma leitura que diverte e encanta com sua sinceridade muitas vezes brutal. Um romance de formação que justapõe aparentes extremos (ocidente-oriente, feminino-masculino, individualismo-coletivismo) sem, contudo, escolher lados. A despeito da transformação de sua protagonista, somos nós que saímos da leitura com menos certezas e mais perguntas, umas e outras igualmente insuficientes à aproximação de pólos aparentemente inconciliáveis.

    2 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    4 / 5
    • 5 estrelas40%
    • 4 estrelas40%
    • 3 estrelas20%
    • 2 estrelas0%
    • 1 estrelas0%