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    Sagarana

    João Guimarães Rosa

    Nova Fronteira
    2015
    328 páginas
    10h 56m
    ISBN-13: 9788520923702
    Português Brasileiro
    3.7
    14 avaliações
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    Favoritos1Desejados8Avaliaram14

    "Deitado na esteira, no meio de molambos, no canto escuro da choça de chão de terra, Nhô Augusto, dias depois, quando voltou a ter noção das coisas, viu que tinha as pernas metidas em toscas talas de taboca e acomodadas em regos de telhas, porque a esquerda estava partida em dois lugares, e a direita num só, mas com ferida aberta. As moscas esvoaçavam e pousavam, e o corpo todo lhe doía, com costelas também partidas, e mais um braço, e um sofrimento de machucaduras e cortes, e a queimadura da marca de ferro, como se o seu pobre corpo tivesse ficado imenso." "A hora e vez de Augusto Matraga"A Editora Nova Fronteira, conhecida e reconhecida por ser a casa dos grandes clássicos da literatura, comemora 50 anos. É muita história já contada e muita ainda por contar. Para festejar essa data tão importante, lançamos a Coleção 50 Anos, com vinte títulos imperdíveis e obrigatórios em qualquer estante.Guimarães Rosa é, por seus experimentos linguísticos, sua técnica e sua inventividade, o mais completo renovador de nossa ficção. Ao aparecer efetivamente como escritor em 1946, com os contos de Sagarana, levou Graciliano Ramos a escrever sobre ele, dizendo-se entusiasmado com os contos "O burrinho pedrês", "A volta do marido pródigo", "Duelo", "Corpo fechado" e, sobretudo, "A hora e vez de Augusto Matraga", "que me faz desejar ver Rosa dedicar-se ao romance". O título, Sagarana, é uma criação do autor, que juntou à palavra saga ("narrativa histórica ou lendária") o sufixo tupi -rana, que expressa a ideia de semelhança. Rosa achou o neologismo tão expressivo que pediu que o conservassem em todas as traduções da obra. Apresentando a paisagem e o homem de sua terra numa linguagem até hoje exclusiva, Guimarães Rosa fez de Sagarana a semente de uma obra cujo sentido e alcance ainda estão longe de ser inteiramente decifrados.

    Resenhas (3)Ver mais
    Jamal Oliver picture
    Jamal Oliver13/10/2021Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Um dos melhores livros que já li na minha vida. Gosto muito da escrita do Rosa e de como ele dá vida a uma realidade tão distante da minha. Cheia de violência, doenças, pobreza, ausência do Estado, acerto de contas. Dizem que a literatura tem o poder de gerar um contato com realidades diferentes da vida. Rosa é excelente nisso. Consegui sentir pertinho de mim, um povo do interior de Minas que luta diariamente para viver o cotidiano caústico dos arraiais esquecidos desse Brasil.

    2 curtidas

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    3.7 / 14
    • 5 estrelas43%
    • 4 estrelas29%
    • 3 estrelas7%
    • 2 estrelas14%
    • 1 estrelas7%
    João Guimarães Rosa profile picture

    João Guimarães Rosa

    Guimarães Rosa foi um dos mais importantes escritores brasileiros de todos os tempos. Foi também médico e diplomata. Os contos e romance escritos por Guimarães Rosa ambientam-se quase todos no chamado sertão brasileiro. A sua obra destaca-se, sobretudo, pelas inovações de linguagem, sendo marcada pela influência de falares populares e regionais. Tudo isso, somado a sua erudição, permitiu a criação de inúmeros vocábulos a partir de arcaísmos e palavras populares, invenções e intervenções semânticas e sintáticas. Consonante aos debates sobre a lírica moderna mundial, sua obra também inovou por criar um modo de fazer poesia num texto em prosa. ___ Guimarães Rosa (João G. R.), contista, novelista, romancista e diplomata, nasceu em Cordisburgo, MG, em 27 de junho de 1908, e faleceu no Rio de Janeiro, RJ, em 19 de novembro de 1967. Foram seus pais Florduardo Pinto Rosa e Francisca Guimarães Rosa. Aos 10 anos passou a residir e estudar em Belo Horizonte Em 1930, formou-se pela Faculdade de Medicina da Universidade de Minas Gerais. Tornou-se capitão médico, por concurso, da Força Pública do Estado de Minas Gerais. Sua estreia literária deu-se, em 1929, com a publicação, na revista O Cruzeiro, do conto "O mistério de Highmore Hall", que não faz parte de nenhum de seus livros. Em 36, a coletânea de versos Magma, obra inédita, recebe o Prêmio Academia Brasileira de Letras, com elogios do poeta Guilherme de Almeida. Diplomata por concurso que realizara em 1934, foi cônsul em Hamburgo (1938-42); secretário de embaixada em Bogotá (1942-44); chefe de gabinete do ministro João Neves da Fontoura (1946); primeiro-secretário e conselheiro de embaixada em Paris (1948-51); secretário da Delegação do Brasil à Conferência da Paz, em Paris (1948); representante do Brasil na Sessão Extraordinária da Conferência da UNESCO, em Paris (1948); delegado do Brasil à IV Sessão da Conferência Geral da UNESCO, em Paris (1949). Em 1951, voltou ao Brasil, sendo nomeado novamente chefe de gabinete do ministro João Neves da Fontoura; depois chefe da Divisão de Orçamento (1953) e promovido a ministro de primeira classe. Em 1962, assumiu a chefia do Serviço de Demarcação de Fronteiras. A publicação do livro de contos Sagarana, em 1946, garantiu-lhe um privilegiado lugar de destaque no panorama da literatura brasileira, pela linguagem inovadora, pela singular estrutura narrativa e a riqueza de simbologia dos seus contos. Com ele, o regionalismo estava novamente em pauta, mas com um novo significado e assumindo a característica de experiência estética universal. Em 1952, Guimarães Rosa fez uma longa excursão a Mato Grosso e escreveu o conto "Com o vaqueiro Mariano", que integra, hoje, o livro póstumo Estas estórias (1969), sob o título "Entremeio: Com o vaqueiro Mariano". A importância capital dessa excursão foi colocar o Autor em contato com os cenários, os personagens e as histórias que ele iria recriar em Grande sertão: Veredas. É o único romance escrito por Guimarães Rosa e um dos mais importantes textos da literatura brasileira. Publicado em 1956, mesmo ano da publicação do ciclo novelesco Corpo de baile, Grande sertão: Veredas já foi traduzido para muitas línguas. Por ser uma narrativa onde a experiência de vida e a experiência de texto se fundem numa obra fascinante, sua leitura e interpretação constituem um constante desafio para os leitores. Nessas duas obras, e nas subsequentes, Guimarães Rosa fez uso do material de origem regional para uma interpretação mítica da realidade, através de símbolos e mitos de validade universal, a experiência humana meditada e recriada mediante uma revolução formal e estilística. Nessa tarefa de experimentação e recriação da linguagem, usou de todos os recursos, desde a invenção de vocábulos, por vários processos, até arcaísmos e palavras populares, invenções semânticas e sintáticas, de tudo resultando uma linguagem que não se acomoda à realidade, mas que se torna um instrumento de captação da mesma, ou de sua recriação, segundo as necessidades do "mundo" do escritor. Além do prêmio da Academia Brasileira de Letras conferido a Magma, Guimarães Rosa recebeu o Prêmio Filipe d'Oliveira pelo livro Sagarana (1946); Grande sertão: Veredas recebeu o Prêmio Machado de Assis, do Instituto Nacional do Livro, o Prêmio Carmen Dolores Barbosa (1956) e o Prêmio Paula Brito (1957); Primeiras estórias recebeu o Prêmio do PEN Clube do Brasil (1963).

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    Minas Gerais, Brasil

    João Guimarães Rosa