Guerras Infinitas #4 -

    Gerry Duggan, Donny Cates, Mike Deodato Jr., Brian Level

    Panini
    2019
    128 páginas
    4h 16m
    ISBN-13: 9788542622034
    Português Brasileiro

    Eclodem as primeiras batalhas da saga cósmica cujas consequências serão sentidas por todo o universo! Na corrida pelas Joias do Infinito, Thanos sempre foi considerado o mais temível dos adversários, mas uma misteriosa figura mostra ao Titã Louco que ele não é tão invencível quanto pensava. O Dr. Estranho reúne a nova Guarda do Infinito para proteger as Joias e levá-las para longe do planeta Terra, preservando a vida de seus habitantes. Mas, para isso, a equipe terá de resolver seus complexos conflitos internos. Gamora está determinada a recuperar a parte que está faltando em sua alma, e pobre daquele que ficar em seu caminho. E ainda: Thanos tem um vislumbre de seu legado e sai numa missão para acabar com seu próprio futuro! Guerras Infinitas Primordial #1 Guerras Infinitas #1-2 O Legado de Thanos #1

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    Paulo Vinicius28/12/2023Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Finalmente a saga se inicia. Depois de três edições de muita enrolação, temos o começo. E é possível começar a ler por aqui, pulando as três edições. O princípio é explicado o suficiente, deixando apenas algumas coisas de lado como as joias estarem diferentes do que costumam ser ou a situação da Gamora. A narrativa começa com a edição Prime que se debruça sobre Loki, o Deus da Trapaça. Ele se pega analisando os livros antigos de Asgard e percebendo que algumas informações a seu respeito estão faltando. Ele deseja saber por que nunca é o herói de nada; qual é o motivo de ele sempre sair como um sujeito vil e desonesto. Para completar, um livro mais detalhado sobre as encarnações de Loki em diferentes universos teve as páginas rasgadas. É então que ele parte junto da bibliotecária Flowa para investigar a respeito. Na Terra, a nova Guarda do Infinito se reúne e logo percebemos que isso vai dar problemas. Cada um dos possuidores das pedras possui objetivos próprios, incluindo Tucão Barrett, um indivíduo cujos interesses são quase como imprevisíveis a todos. A chegada de Requiem traz um acontecimento portentoso: ela foi a responsável por decapitar Thanos e agora quer as joias a qualquer preço. A história começou e saímos da lenga-lenga anterior onde parecia que nada ia a lugar algum. Duggan começa a movimentar as peças do tabuleiro e traz algum nível de imprevisibilidade à trama. Tem um elemento de enredo que me incomodou demais, e já discuto ele, mas a narrativa é bem redondinha. Temos três momentos bem claros nessa primeira edição: Loki tentando entender seu papel no tabuleiro cósmico, a reunião da nova Guarda do Infinito e o ataque da Requiem. Tudo acontece numa velocidade frenética e a edição é um grande massaveio e isso não é ruim. Duggan peca por algumas conveniências, mas a edição é divertida. Até o volume três, sentia a minha inteligência sendo insultada. Agora não. Quero tentar entender aonde Duggan pretende ir com as novas ideias que ele jogou no mito das joias e no papel dos asgardianos nesse jogo maluco. A ideia da equipe estranha e disfuncional com os possuidores das joias era previsível sabermos no que ia dar. O enredo não esconde isso. Duggan usa os clichês de maneira adequada. Alguns mistérios que ele insere na narrativa são fáceis de adivinharmos o que são, mas não deixam de ter boas revelações. Não é uma saga marcante, porém o leitor vai ter algumas boas horas de diversão. Finalmente temos o mago Deodato em ação. Okay. O homem está arrasando. Essa é uma das últimas edições em que ele vai usar a exaustão o esquema de grids que o fez bem famoso na Marvel. E ficou muito bem feito a ideia das janelas caleidoscópicas para os acontecimentos. Dá uma ideia de que o leitor está enxergando tudo a partir de várias janelas na qual ele vai bisbilhotar para saber o que está havendo. A construção das imagens de forma quebrada dá um efeito bem legal. Lembro que esse esquema de criar páginas tinha me agradado muito quando li os Vingadores Sombrios e achava a arte do Deodato ali impressionante. Aqui ele me impressionou ainda mais. A arte está meio suja e com hachuras e isso pareceria fora de tom para uma narrativa cósmica, mas Deodato faz funcionar. Não consigo não pensar no Guts, protagonista de Berserk, quando vejo a Requiem. Deodato tem que ter se inspirado ali. Posso citar várias cenas que eu curti, seja a da decapitação do Thanos ou a do Dr. Estranho parando o tempo enquanto a Requiem impalava o Peter Quill. Sério, o Deodato está com uma arte no fino. O roteiro do Duggan é frenético demais, mas mesmo nas partes em que temos mais diálogos, gosto de como o artista dá personalidade às pinceladas. A colorização ficou a cargo do Frank Martin Jr que usou cores mais escuras para dar um ar mais sombrio à trama. Se formos folhear as páginas, iremos perceber que a palheta gira mais no marrom e no cinza granito. Dá um bom efeito principalmente quando se mescla com cores mais vibrantes. Como mencionei acima, o enredo de Duggan é um pouco previsível. Ele continua a linha dos Guardiões da Galáxia tendo se separado como vimos nas edições anteriores. Basicamente temos Drax seguindo sozinho, Gamora indo atrás da joia da alma e Quill, Rocky e Groot tentando manter a posse da joia do poder. O Dr. Estranho se torna uma espécie de anfitrião para as coisas e tenta colocar ordem na situação. Só que os acontecimentos escalam rapidamente quando os interesses não convergem. É diferente da Guarda do Infinito que foi criada por Warlock há muito tempo atrás. A inserção de Tucão, que é um bandido puro e simples dá um ar de wild card para a coisa. Ou pelo menos tenta. Ver os personagens se enfrentando faz parte daquele clichê de team-up em que primeiro os personagens esbarram, se confrontam e depois encontram um inimigo em comum. É precisamente o que acontece. Temos a Viúva Negra também como fator estranho. Duggan tenta dar um ar de imprevisibilidade, mas essa história das joias já foi contada tantas vezes que não dá para criar algo novo. O melhor é investir no fator diversão que até o presente momento ele está conseguindo. Daí temos os problemas de roteiro. Vamos começar pelo elefante na sala. A série se vendeu a partir de uma grande revelação que é a da identidade da Requiem. Uma poderosa inimiga que viria balançar o equilíbrio da disputa pela posse das joias. Essa identidade é entregue quase no final da primeira edição da série (depois do capítulo Prime) sem mais nem menos. Não é montado o mistério que vai sendo carregado nas próximas edições. Duggan poderia ter brincado com a identidade da Requiem fornecendo pistas falsas, becos sem saída. Mas, não. A menos que ele construa algo em cima disso ou surpreenda após a descoberta da identidade da Requiem, a saga vai ser só mais uma saga com as joias. Nada contra ser só isso, o problema é vender expectativas falsas. O segundo problema é a conveniência das coisas. Loki está em um diálogo instigante com Flowa, a bibliotecária de um salão de Asgard. E depois de algumas descobertas surpreendentes, ele quer que ele a acompanhe e ela não quer problemas. Depois de uma troca de diálogos digno de crianças de oito anos, ela decide segui-lo porque... bom, porque sim. Se ela ia segui-lo de todo jeito, por que dizer não em um primeiro momento? Essa é a forçação de enredo que me incomoda. Para que fazer um personagem dizer não, se ele dirá sim daqui a duas páginas? Se ele der uma negativa, faça o personagem trabalhar para que a afirmativa seja obtida. Do contrário, parece apenas diálogo vazio. Vou deixar para falar sobre a Requiem com mais detalhe na próxima edição porque aí não terá problema em eu dizer quem ela é. Apesar de que muitos que leram até aqui já desconfiam quem ela possa ser. Me volto para Thanos Legacy que está presente no final dessa edição. Com roteiro de Donny Cates, somos colocados ao que aconteceu segundos antes do Thanos ser decapitado. O titã está procurando um meio de morrer. Ele sabe que uma longa e enfadonha vida o espera e ele luta para mudar o seu destino. Cates consegue mostrar para o leitor toda a arrogância do personagem, planejando e organizando o seu próximo ataque, tudo em prol de um nilismo absoluto. Diferentemente das sagas escritas por Jim Starlin, Thanos não quer mais agradar a Morte. Ele deseja apenas encontrar o vazio universal, a não existência. Só que Cates o faz refletir qual legado ele está deixando para trás. E tanto no final da segunda edição de Infinity Wars como nessa história vemos isso sendo aventado: qual é o testamento desse personagem, o que ele está deixando para trás. Thanos sempre se vangloriou de ser uma força absoluta de destruição e parece que ele deixou uma semente para trás, alguém que pode seguir seus passos. E nesse momento inesperado do destino, quando nem ele pôde prever o que aconteceria a seguir, ele sorri. Cates captou bem essa faceta do personagem e aproveita para apresentar uma criação sua: o Motoqueiro Cósmico. Uma bizarrice sem tamanho que iremos ver melhor nas próximas edições. Com um enredo bem melhor do que as edições anteriores, esse começo superou as minhas expectativas. Talvez por elas serem tão baixas, a história conseguiu realmente me divertir. Duggan não se deixa levar por aquela máxima de criar algo revolucionário; pelo contrário, ele usa os clichês à exaustão, mas consegue divertir o leitor com boas sacadas, uma pancadaria que dura muitas e muitas páginas e aqueles momentos malucos típicos de histórias cósmicas que envolvem a própria criação. A arte do Deodato está estupenda, possivelmente um dos seus melhores trabalhos. O que ele consegue fazer nas páginas mescla beleza e barbarismo ao seu último nível. No final da revista temos uma história curta que se liga aos acontecimentos da saga mostrando os momentos finais da vida de Thanos de Titã. Vale a pena a leitura porque Cates bebe da mesma fonte de Starlin no sentido de que enxerga o personagem como uma força sombria dedicada à destruição absoluta.

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