Intellivore

    Diane Duane

    Pocket Books
    1997
    320 páginas
    10h 40m
    ISBN-13: 9780671568320

    When several ships and colonies disappear into a legend-filled, virtually starless void in space known as the Rift, the U.S.S. Enterprise investigates and discovers a bizarre menace of unusual power. Original.

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    Usuário excluído04/10/2024Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Que jornada 👁️👄👁️

    Tava aqui pensando que um dos muitos aprendizados valiosos que eu adquiri desde que eu comecei a imergir nesse mundo trekiano há uns meses atrás é também uma reflexão sobre o universo em si (tanto no sentido mais comum como naquele sentido de "o universo dentro de cada um de nós"). Também sobre consumo de literatura, cinema e conhecimentos no geral. Juro que isso aqui vai ser mais coerente do que parece (espero) kkk Quando eu recomendo pras pessoas a franquia, muito provavelmente algo que assusta elas e as afasta disso é a extensão da coisa. Existem quase mil mídias audiovisuais de Trek (somando episódios e filmes), além de também quase mil obras literárias oficiais. Como se não bastasse isso tudo, ainda existem coisas-bônus como documentários e línguas artificiais (a mais famosa o Klingon). Relacionar todas essas mídias e compreendê-las com um mínimo de profundidade é uma tarefa hercúlea. Star Trek é um universo gigantesco que acredito que mesmo o fã mais aficcionado não é capaz de apreender em sua inteireza. Pouquíssimas franquias possuem o nível enciclopédico de informação acumulada por Star Trek há mais de cinquenta anos. E eu entendo bem o receio desse conteúdo todo, porque foi algo que me afastou inicialmente também. Eu pensei em assistir a série dos anos 60, que tem 3 temporadas, atraída pelo meu interesse em ficção científica "vintage", digamos assim. Ia ficar por isso. Mas cresceu em algo mais, e algo menos linear também. De repente, terminei a série original, e por um motivo ou algo do tipo, me vi mergulhando a ponta dos pés em boa parte das mídias audiovisuais que Trek tem a oferecer. Não vou conseguir terminar tudo até o dia que eu morrer. E o que eu estou lentamente começando a perceber, e muita gente que evita universos como Star Trek (e isso vale não só pra Trek em si, mas pra empreitadas aparentemente maiores do que parece possível abocanhar) não percebe, é que não é o ponto. Muito da mentalidade que nos levou aonde estamos tem a ver com uma necessidade de se relacionar com mídias com uma mentalidade completista, algo intrinsecamente relacionado com uma mentalidade de consumo. Encontrar mídia, fagocitar mídia, descartar mídia, encontrar nova mídia e por aí vai. Star Trek nos ensina, pouco a pouco, a não ser assim. Assistir Star Trek de maneira linear, como a maioria das pessoas que tenta pode comprovar, é uma tentativa que não raro fracassa. É uma franquia que tem um brilho estranho que nos fortalece a sede por conhecimento em cada um de nós. Você pode começar a ver porque gosta de ficção científica sessentista, permanecer em partes pelo carisma do triunvirato Kirk, Spock e McCoy, pular a série animada porque achou malfeita, assistir metade de The Next Generation pelo aprofundamento das histórias, assistir um filme entre um episódio e outro, passar a Deep Space Nine buscando um aprofundamento crítico maior, voltar pra série animada porque precisa de um alívio cômico depois de Deep Space Nine... ou você pode fazer uma jornada (haha, trocadilho) completamente diferente. Você pode até mesmo cometer aquilo que parece um sacrilégio hoje em dia: rever uma mídia, que foi ressignificada pelo que foi visto anteriormente. Cada peça dentro do quebra-cabeça de Star Trek pode responder a uma urgência interior diferente, ainda que compartilhando um vocabulário semelhante. IDIC ("infinita diversidade em infinitas combinações")! Isso nos assusta em alguma medida. Parece absurdo constatarmos que a nossa absorção de conhecimentos e experiências não tem objetivo algum. Que o universo é imenso, impossível de ser abarcado em sua imensidão e que tentar fazê-lo é um esforço inútil. Na verdade, tudo é quase... circular. Ou de qualquer outra forma que não linear. Mas tudo ao nosso redor nos diz o contrário. Precisamos ler 1001 livros e então compriremos algum tipo de propósito no ponto final de uma linha reta. Temos que nos reensinar a explorar pela alegria de explorar, reativar aquela vozinha interior que nos impulsiona nos deleitarmos com aprendizados pelo aprendizado em si. A nossa vozinha perdida. Já retomando um ponto, explorar pela alegria de explorar é parte do que se trata Star Trek. Pra citar Hannah Montana, é sobre a escalada 🤠✨ Isso foi menos uma resenha de Intellivore que uma reflexão que ele, a vida, o universo e Star Trek em geral me provocam (apesar que não longe de um dos temas do livro, que é a nossa dificuldade de lidar com o amplo e o desconhecido). Iria ser uma "breve reflexão", mas de palavra em palavra o texto foi crescendo mais do que previ... engraçado como essas coisas acontecem rs

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