Recentemente o tema reencarnação tem sido utilizado como enredo central de muitos livros do gênero YA. Posso citar alguns exemplos como a série Fallen e a obra The Eternal Ones lançada nos Estados Unidos em 2010. Como já afirmei anteriormente, sou grande pesquisadora do assunto e a tenho grande afinidade com o Espiritismo, portanto de minha parte jamais haverá preconceito em relação ao assunto.
A escritora Ann Brashares já possui grande credibilidade no universo dos livros para jovens. Ela é autora da série “A Irmandade das Calças Viajantes” que teve adaptação para o cinema, dividido em dois filmes. Existe, em sua narrativa, certo “q” de poesia e isso não só fascina como prende a atenção do leitor.
O Primeiro acerto do novo de livro de Brashares é o título. My Name is Memory, em português “Meu nome é Memória” é a síntese perfeita da história de Daniel, o protagonista. A estória de amor entre ele e Sophia é comovente e ao mesmo tempo realista. Apesar das incontáveis encarnações vividas, para Daniel, ela seria sempre Sophia.
Em sua encarnação atual ele é Daniel e ela é Lucy. Os dois se conhecem ao freqüentarem a mesma Escola. Apesar de existir certo interesse da parte de Lucy, Daniel se porta como uma pessoa extremamente reservada. Entretanto, no Baile de Formatura, os dois se beijam pela primeira vez. Lucy acaba se assustando com a intensidade de Daniel e ele se recrimina por não ter esperado mais.
O grande conflito entre ambos se baseia no fato de que a cada reencarnação, ao completar cinco anos de idade, Daniel é bombardeado pelas memórias das vidas anteriores. Porém Lucy/Sophie continua sempre intacta, como se ainda fosse sua primeira vida. Ela não carrega lembrança alguma de suas vidas anteriores e das incontáveis histórias que viveu com Daniel.
A narrativa é digna de Ann Brashares e nos encanta a cada página virada. Já faz um bom tempo desde a última vez que li um romance tão estimulante e emocionante. O amor de Daniel, o peso que carrega ao lembrar-se de tudo que fizera ou deixara de fazer em outras vidas, o tornam um homem taciturno, sério. Os capítulos são compartilhados, esporadicamente, entre os pontos de vista de Daniel e Lucy.
Meus momentos favoritos foram aqueles onde Daniel se perde em suas memórias, e narra ao leitor suas vidas anteriores. Talvez o único aspecto negativo da obra seja Lucy, devo dizer que fiquei um pouco irritada com a personagem. Não sou grande apreciadora de pessoas extremamente céticas e medrosas. Se o destino lhe oferece uma alma gêmea você corre para ele, e não dele. Entretanto, é uma opinião muito pessoal e é provável que outros leitores não se preocupem com isso.
O que mais me fascina, a cada vez que leio uma estória de tópico reencarnação, são as possibilidades que esta idéia trás. Para Daniel e Lucy existiram muitas, contudo, como toda estória de amor, há sempre um vilão e devo advertir que é um vilão mesmo, com V maiúsculo. E isto é tudo que direi sobre o assunto.
My name is Memory é o primeiro de uma série, o que me causa grande felicidade, já que o livro termina de uma forma que deixou meu coração doendo por uma semana inteira. Outra informação pertinente é que é provável uma adaptação do livro para o cinema.
O livro My name is Memory é sobre amar, amar novamente e mais uma vez, amar de todas as formas, desafiando as leis da física e do universo. E sempre a mesma pessoa. Daniel está em uma peregrinação milenar pelo coração de uma mulher. Porque afinal de contas, a cada encarnação a aparência física de ambos muda, o que não muda Caro Watson, é o coração, ah... Esse não muda mesmo. E não adianta tentar fugir de uma alma gêmea, porque você cai, e cai feio, o lado positivo é que ele está lá pra lhe segurar.
Assim acontece com Daniel e Lucy, e assim espero que aconteça comigo algum dia. Nossa. Como esse livro me deixou romântica...
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