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    O Instante - Como Cristo julga a respeito do cristianismo oficial

    Søren Kierkegaard

    LiberArs
    2019
    292 páginas
    9h 44m
    ISBN-13: 9788594591876
    Português Brasileiro
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    Revisão a partir do original: Else Hagelund Essa obra foi produzida entre os anos de 1854 e 1855 e restou inacabada em virtude da morte do pensador dinamarquês em meio à polêmica, o que, de certo modo, parece ter aumentado ainda mais o grau de sua dramaticidade e importância. Aqui, ao contrário de outros textos de Kierkegaard, onde são fartamente utilizados pseudônimos, aparece o próprio autor, sem o uso de tal recurso literário ou comunicativo, o que não quer obviamente dizer que o texto não esteja marcado pelo signo da ironia, pois essa percorrerá o todo de sua obra. Também não se trata aqui de uma obra ao estilo estético como outras, nem é tampouco uma obra de maior erudição filosófica como o Pós-escrito de 1846, ou ainda Conceito de ironia ou Conceito de angústia. O que temos aqui é um autor que claramente escreve teses em favor daquilo que ele veio a denominar como o crístico ou, se assim quiserem: em defesa do tipicamente cristão, da cristicidade em meio a cristandade. Tal defesa é dirigida ao homem comum, que deve ficar atento para não ser ludibriado e explorado por falsos profetas vestidos nas mais diversas peles como a de pastor, bispo, teólogo, professor, filósofo, etc. É curioso perceber que Kierkegaard, justo na segunda metade do século XIX, encontra-se totalmente encaixado numa típica forma de comunicação dos pós-hegelianos de esquerda, a saber, a produção de teses. Aqui podemos lembrar, sem medo de errar, das teses que, nesse mesmo período, são muito comuns entre os socialistas e entre os anarquistas, pois são deste mesmo período várias teses como as Teses a Feuerbach de Marx e a produção do Manifesto Comunista, aqui em coautoria com Engels. O Instante, por intermédio de seus dez fascículos, sendo o último inacabado em virtude da morte do autor, terá forte repercussão e impacto primeiramente em contexto religioso e teológico. Segundo certa interpretação, esse foi o Kierkegaard preferido de pastores e religiosos em luta contra a sua Igreja em contexto germânico e nórdico. Junto com esses fascículos também se somam os textos Como Cristo julga o cristianismo oficial e o discurso A Imutabilidade de Deus. Contudo, passado tal momento, percebe-se que os textos kierkegaardianos vão além de uma crítica que poderia estar inserida num domínio paroquial, mas apontam na direção de uma análise mais ampla da sociedade dinamarquesa e na crítica da sua cultura, alcançando, por assim dizer, aspectos éticos, morais e políticos, muitos dos quais, válidos ou vigentes até hoje. Marcio Gimenes de Paula Alvaro L. M. Valls

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