Fiéis, em princípio, à tradição fabular de Esopo e La Fontaine, os contos deste livro tratam do comportamento humano a partir de associações com o caráter animal. Mas, diferentemente desses mestres do gênero na Antiguidade e no Classicismo, Gil Veloso vai bem além da antropomorfização de bichos domésticos e selvagens. O panorama ético que se compõe aqui é de via dupla: animais que representam o humano – como na história da joaninha escritora em busca da glória literária –, mas também o caráter humano que se desdobra e espelha no proceder animal – a crise de idade de um vaga-lume que deseja ficar literalmente apagado num spa etc. Na apreciação do sociólogo e filósofo Laymert Garcia dos Santos, “(...) histórias aparentemente simples e, no entanto, repletas de reviravoltas, ciladas, situações cômicas, banalidades expressas de modo rebuscado, maldades misturadas a simplicidades, tudo numa linguagem aceleradíssima e cortante”. Nessa nova fábula brasileira não deixam de entrar vícios e vaidades que se podem dizer “eternos” no comportamento humano, mas ao mesmo tempo são injetados temas que alimentam nosso cotidiano, como as sexualidades alternativas, as percepções quimicamente alteradas e a corrida pela celebridade. Assim, um jovem elefante sonha, para o desespero do pai, ser bailarino e estrear no Elefanteatro Municipal; um veadinho renega o presente de uma bola de futebol e causa escândalo ao exigir uma boneca falante, entre outros exemplos saborosos. Com tais ingredientes, o livro atinge um raro efeito: é cheio de terna auto-ironia, às vezes de apelo expressamente cômico, mas nunca complacente. Ilustrações: Vanderlei Lopes
Fábulas Farsas -
Gil Veloso
Opera Prima
2009
136 páginas
4h 32m
ISBN-14: 9788585871031_
Português Brasileiro
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