Afetos - Ensaios Contraditórios

    Aldiney do Monte Aguiar

    Chiado Books
    2018
    56 páginas
    1h 52m
    ISBN-13: 9789895228683
    Português Brasileiro

    Influenciado por autores como Nietzsche, Pondé e, sobretudo, Cioran, o jovem escritor, Aldiney Aguiar, traz uma filosofia cinza; seus escritos estão permeados por uma descrença quase que absoluta. Neles, O povo, as instituições religiosas, a academia, a ciência, enfim, o mundo parece desprovido de razão e sentido. A verdade difundida por cada um de seus seguidores só demonstra o quão loucos são, pois, conforme o próprio Aldiney, "O louco está convencido de sua verdade". Munido de seu pessimismo aflorado, ainda faz considerações sobre política e sobre o sofrimento como o principal impulsionador do filósofo, do artista e do cientista, para ficar em alguns exemplos. Dessa forma, ainda reflete bastante sobre melancolia e morte. Portanto, já em seu livro de estreia, Aldiney Aguiar adota a única postura que lhe cabe: A de escrever sem objetivo claro. Ele registra a insignificância das coisas, a falta de sentidos delas, mas, em nenhum momento, aponta para uma saída, talvez por ela não existir, talvez por ser indiferente a ela.

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    Milena Policarpo16/10/2020Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Um bom livro pra quem gosta de filosofia e poesia

    O livro é todo escrito em forma de aforismos, ou seja, textos curtos diretos e muito provocativos. Isso faz com que a leitura seja bem ágil e ao mesmo tempo causam um impacto no leitor que a partir das provocações do autor vai se pôr a pensar ele próprio sobre aquele tema. O livro não é denso, no sentido de ser pouco compreensível. Aldiney consegue de forma muito clara, por vezes até didática, falar dos conceitos mais complicados da filosofia, mas aplicando ao plano da experiência, no caso, de suas próprias experiências. Ele defende uma filosofia que chama de "singular", pois não se pretende a dar respostas universais e tampouco oferecer alguma verdade. Ele fala de seus próprios afetos, suas próprias dores sem pretender generalizações. Por isso mesmo, ao longo do livro percebemos também que o autor não nos poupa de sua subjetividade e nem esconde suas dores e angústias. É nesse sentido que acho que é um bom livro pra quem gosta de poesia e o próprio autor defende que a fronteira entre elas (Filosofia e Poesia) é mais sutil do que parece. Conforme vamos lendo o livro ao mesmo tempo que refletimos sobre alguns temas e somos apresentados a alguns filósofos também mergulhamos no universo sentimental do autor, que diferente do universo real é desprovido de qualquer pretensão a coerência e uniformidade.

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