# 8 O LADRÃO HONRADO
Uma história triste sobre um alcóolatra que termina por roubar seu benfeitor para sustentar seu vício e se arrepende amargamente por seu ato.
A atitude do benfeitor é um exemplo de compaixão, de bondade, de fé na conversão do outro.
É um conto bonito e doloroso, com passagens marcantes.
#7 CORAÇÃO FRÁGIL
Pelo o que eu entendi, a personagem de CORAÇÃO FRÁGIL é um rapaz traumatizado pelo passado, que mesmo quando tem a chance de ser feliz, sabota a própria felicidade por considerar-se indigno dela.
Ficamos sabendo que ele é órfão e tem uma deformidade (algum defeito em sua perna que o faz mancar quando caminha). Entende-se que seu passado foi difícil, pois tem consciência de como o mundo é um lugar cheio de sofrimento e é muito grato a todos os seus benfeitores.
Apesar do seu temperamento, ele parece estar levando bem sua vida, até que ao se ver numa situação feliz, é incapaz de suportá-la. Ele reage de maneira tão emotiva e exagerada, chegando a perder completamente a razão e tendo um surto de loucura.
A história é linda e cheia de ternura. Um dos mais belos contos de Dostoiévski.
#6 POLZUNKOV
O protagonista deste conto é conhecido como Polzunkov, que significa "aquele que se humilha", "aquele que rasteja".
É um homem que conta piadas depreciativas sobre si mesmo, com o intuito de agradar, e se ressente que terminam por rir dele e não de suas piadas. Ele tem o desejo de "ser alguém", de ser reconhecido, mas termina por fracassar, devido a sua falta de malícia e confiança nas pessoas erradas.
Fez-me lembrar do Coringa, de Todd Phillips.
#5 UM ROMANCE EM NOVE CARTAS
Não consigo digitar essa resenha agora porque só consigo fazer isso pelo computador (enquanto o livro não é marcado como "lido"), mas preciso fazer pelo celular, pois usei vários emoticons.
#4 A DONA DA CASA
O protagonista é um rapaz sonhador e romântico, que irá se apaixonar por uma moça que foi seduzida por um homem mais velho e PARECE agora querer se afastar dele.
O problema desse livro é que tudo PARECE. No final das contas me deixou confusa [entra aqui aquele meme da Nazaré Tedesco com os cálculos matemáticos]. Eu não sei quem mentiu, nem até que ponto vai a mentira, se a moça é apenas vítima ou também comparsa do homem...
A única certeza que eu tenho é que o protagonista é um iludido (e assim já me identifico com ele, pois também sou trouxa). Isso é que dá passar muito tempo trancado em casa...
#3 O SENHOR PROKHÁRTIN
Conta a história de um pobre escriturário que acaba se tornando avaro devido ao medo de cair na miséria. Dostoiévski parece querer justificar sua avareza, pois de fato, se por qualquer calamidade ele perdesse o emprego, estaria do dia para a noite na rua da amargura, já que não tinha mais ninguém por ele. O medo parece traumatizar o protagonista, que ao final do livro chega a ter um surto de loucura.
O problema deste conto é que parecem estar faltando partes da história. Ela não flui muito bem, dá uns saltos às vezes.
#2 O DUPLO
Creio que quando Dostoiévski apresentou o seu duplo (algo hoje já excessivamente explorado pelo cinema e literatura) tenha sido uma ideia bem original.
O protagonista é um rapaz tímido, desengonçado, mal articulado, mas de bom coração. Ele desejaria ser aceito em reuniões sociais, reconhecido pelos colegas de trabalho e notado por uma determinada moça pela qual nutre grande afeto, mas não consegue, devido à sua total falta de traquejo social.
O surgimento do seu duplo, que é tudo o que ele não é extrovertido, confiante, sedutor, mentiroso e dissimulado vira sua vida de ponta cabeça, a medida em que o duplo não apenas toma seu lugar, mas conquista tudo o que ele não conseguiu.
Dostoiévski faz uma baita crítica às características que a sociedade valoriza numa pessoa, pois este duplo não é menos que um psicopata, e todos o amam, enquanto o protagonista que é boa pessoa, é sempre ignorado e humilhado pelos seus próximos.
Esse livro me causou grande impressão e foi meu favorito até agora.
#1 POBRE GENTE
Os personagens deste livro claramente carecem de dinheiro, mas eu entendo que os personagens do Dostoiévski em geral, carecem mais ainda de amor.
O protagonista desta história, um velho e pobre escriturário, sozinho no mundo, sem o carinho de ninguém, corresponde-se com uma moça, sua parente afastada, também muito pobre, e faz de tudo por ela, caindo na miséria para tentar ajudá-la financeiramente.
Tudo em prol de ter um objeto de amorosidade, um vínculo afetuoso, alguém para cuidar. Dostoiévski sabe que essa é definitivamente uma necessidade das mais humanas.
É um livro triste, com passagens belíssimas, que termina em solidão e abandono.