O cozinheiro de Bangu -

    Wagner Fontoura

    Nau Editora
    2019
    296 páginas
    9h 52m
    ISBN-13: 9788581280684
    Português Brasileiro

    É grande a tentação de apresentar este livro afirmando que o herói da história é um homem comum, um mineiro de meia-idade que morava na cidade de São Paulo, empresário e pai de família dedicado, que levava uma rotina normal entre a casa e o trabalho, até que uma notícia inesperada produz um abalo sísmico em sua vida. Só que em O cozinheiro de Bangu, a subversão do clichê já começa quando conhecemos José, um homem nem tão comum assim: executivo bem-sucedido/falido/novamente bem-sucedido, atualmente em crise, suicida malogrado, diagnosticado e medicado como bipolar, pai superprotetor dos filhos que teve com a ex- mulher, cozinha como quem faz amor e acaba de assumir um casamento gay com Arthur, seu sócio no novo empreendimento. Mas não é por não se encaixar nos padrões sociais tradicionais que José conseguiria se livrar do evento inimaginável que é o motor de toda história que vale a pena ser contada, a tal notícia inesperada que, num belo e terrível dia, chega para todos. No caso de José, chegou numa sexta-feira, no horário do almoço, e produziu um desvio na linha da sua vida que fez com que se embrenhasse num território desconhecido, uma verdadeira realidade paralela E agora?

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    rita nascimento23/06/2020Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Bom drama familiar

    E agora?" Como é bom ler um livro nacional não "badalado", mas que me causou muito prazer. Sim, ao baixá-lo eu li a apresentação do Skoob acima. Ponto para quem a colocou lá. Deixou-me curiosa para saber o que aconteceu com José, aliás o encanto da história começa aí, nomes, locais e gentes comuns que vivem uma história bem contada. Como sou boazinha e gosto de falar dos livros que gosto, vou resumir: Um belo dia, na tranquilidade de sua vida José recebe um telefonema inusitado do filho mais novo. "Pai, tô preso". Daí desenrola-se a via crucis de José, o pai que sabia o filho um rebelde sem causa, mas aparentemente só mais um jovem de classe média bem criado, alimentado, e querendo "causar".Nunca, nas piores trabalhadas feitas por Gael, José poderia imaginá-lo preso por tráfico de droga. Bom de mais de ler, vontade de esganar José, o marido e o filho rebelde. Vontade de acarinhar José e o marido que sofreram, se descabelaram, agoniaram, mas em tempo algum desampararam o irresponsável do Gael - o filho. Tá certo que o autor, a meu ver - já que só conheço por livros e notícias diárias, pintou as "casas de custódia" com cores suaves, mas entendi que os personagens fundamentais ali eram Gael e sua família amorosa e acolhedora. Confesso que não consegui me ver no lugar daquela gente; não me conheço o suficiente a ponto de conceber-me na mesma situação. Uma bela história sobre pais e famílias neste sec XXI, onde muitos bezerros sem juízo acham que podem pastar sozinhos, mas acabam derrubando o rebanho todo.

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