Publicado pela primeira vez em 1865, Nosso Amigo em Comum foi o último romance que Charles Dickens conseguiu terminar. Um romance extenso que repete, em diferentes níveis, um tema: o das aparências.
Temos personagens que assumem mais de uma identidade ao longo do livro; temos um falso vilão, que serve ao propósito de ocultar o verdadeiro vilão; temos amor real que precisa passar por provações, amor que não é amor, porém obsessão, amor que não se reconhece como tal, abafado por convenções e preconceito. Aparências.
Se a princípio o leitor iniciante em Dickens pode espantar se e até ficar desnorteado com a apresentação de tantos personagens logo nos capítulos iniciais, quando Dickens parece saltar de um ambiente para outro, pode tranquilizar se: Dickens não se perde. Ele irá amarrar grupo a grupo, conectando diversas figuras através de suas peripécias.
Reviravoltas, drama, uma arguta percepção social, ironia, toques sombrios, quase góticos, em determinadas passagens, Nosso Amigo em Comum é um dos mais extraordinários romances do autor de Oliver Twist e Grandes Esperanças. Uma comprovação,se era preciso, do grande poder desse escritor vitoriano que era, como escreveu a autora inglesa Doris Lessing, um gênio.