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    Uma jornada como tantas -

    Francisco J. C. Dantas

    Alfaguara
    2019
    240 páginas
    8h 0m
    ISBN-13: 9788556520937
    Português Brasileiro
    4
    15 avaliações
    Leram17Lendo3Querem43Relendo0Abandonos0Resenhas3
    Favoritos0Desejados43Avaliaram15

    Romance de grande humanidade, Francisco J.C. Dantas o constrói com um lirismo delicado e tocante, o que aprofunda a ironia diante da crueza das vicissitudes, mas que, por isso mesmo, lança um bote certeiro, a ponto de desarranjar a memória coletiva e pedir respostas. Durante os preparativos para a Festa da Padroeira num lugarejo do interior do Sergipe, Madrinha se acidenta na igreja e desencaminha a gravidez do quarto filho. Sinha Amália, parteira titular da região, é buscada às pressas, mas mãe e criança precisam de cuidados urgentes, quem sabe disponíveis na cidade mais próxima, ou só em Aracaju. O ano é 1954. A condição das estradas é deficiente e são escassos os meios de transporte. Resta apenas a Teodoro, o devotado marido, contar com os préstimos de Zé Carreiro para transportar, até lá, a gestante no seu carro-de-boi. A peregrinação dá à luz um saber sobre um mundo ainda ignorado, que se abre e fecha em armadilhas, em trancos, em pequenas lindezas. E em árdua lição para Valdomiro — o menino que, a cavalo, acompanha o carro-de-boi e que relata, com toda a inocência, os terríveis percalços da jornada. Ao seguir a comitiva, o leitor conhece o quanto esse universo é, em verdade, distante do seu. Mas apenas em aparência.

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    Ingrid Pereira Bassetto01/04/2021Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Realmente será uma jornada! Preparem-se!

    Realmente será uma jornada! Preparem-se! Valdomiro será quem nos conduzirá nessa jornada! Juntos com ele, vamos relembrando a saga da sua madrinha, no ano de 1954, quando era apenas um adolescente! A jornada começa quando a madrinha se acidenta na igreja da cidade, enquanto via os últimos preparativos da festa da santa padroeira da cidade! Ela está grávida do quarto filho, mas ao contrários dos outros, o parto torna-se difícil, e nem mesmo a Sinha Amália, experiente parteira da região, consegue ajudar a madrinha. Depois de dias de sofrimento, não há outra solução do que levar a madrinha para a cidade mais próxima, Aracaju! O povoado nem posto de saúde tem! O sofrimento do marido da madrinha, Teodoro, é notório e piora com essa notícia! Ele é muito apegado a mulher! Mesmo assim não a acompanha, transfere sua responsabilidade para seu afilhado, que segue com a madrinha, a parteira e Zé Carreiro, o dono do carro de boi que os levará! Por mais que eu descreva a jornada da madrinha, e seus acompanhantes, não fará jus ao sofrimento do grupo! E mais, o sofrimento comungado por muitas outras mulheres que vieram antes, e depois, da madrinha. Numa linguagem muito acessível, o autor consegue trazer seus sentimentos nas palavras, que faz com que o leitor se sinta na jornada com o grupo. E para quem, assim como eu, desconhece o mundo nordestino é impossível não se maravilhar por esse povo, e se condoer com o desamparo que vivem, pois o que se narra nesse livro não é fato passado! É fato muito mais que presente, infelizmente! Recomendo a leitura! E preparem-se para uma jornada e um final surpreendente!

    14 curtidas

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    4 / 15
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    Francisco J. C. Dantas profile picture

    Francisco J. C. Dantas

    Francisco J. C. Dantas é de origem rural; nasceu no engenho do avô em Riachão do Dantas, Sergipe, a 18 de outubro de 1941, e só entrou na Universidade aos 30 anos, quando já era casado e pai de uma menina. É arredio e reservado. Escritor do seu chão, sempre conviveu indiscriminadamente com bichos e livros. Autodidata, foi menino de bagaceira, diretor de escola, cavaleiro de pastos solitários, tabelião, foleador de formiga pelas madrugadas, caçador de alguns viventes noturnos e diurnos - fotógrafo. Montou laboratório apenas para reter a memória dos tempos que findavam; daí que tentasse evitar que amarelassem, agarrando-os na palavra. É árvore de raiz funda e só deixou o Sergipe para mestrado e doutoramento; de uma feita voltou com tese sobre Osman Lins e, de outra, sobre Eça de Queiroz. É professor na Universidade Federal de Sergipe mas peleja mais com animais que com gente; na roça tem criatório de bichos miúdos e graúdos, para os quais ouvido e faro são sempre apurados. Tem publicado contos e ensaios em revistas especializadas. Lançou ainda dois romances pela Companhia das Letras, <i>Cartilha do silêncio</i> (1997) e <i>Os desvalidos</i> (1993). Recebeu em 2000 o Prêmio Internacional União Latina de Literaturas Românicas.

    8 Livros
    10 Seguidores
    Sergipe, Brasil

    Francisco J. C. Dantas