A crucificação é tida como um termo usado esotericamente para exprimir um estado específico em que a essência dos três corpos (físico, mental e emocional) fundiu-se no corpo da alma, e esta, buscando aproximar-se à energia espiritual e divina, “crucifica-se” a si mesma, ou seja, renuncia a tudo o que diga respeito ao seu próprio nível de existência. Tal é o mistério da cruz.
A vida de Cristo em Jesus mostra sete etapas (iniciações):
1. A prisão: a traição da humanidade;
2. O julgamento: a escolha dos homens;
3. O caminho da cruz: o gradual despertar do ser;
4. A crucificação: o sacrifício como meio de transmutação;
5. Os momentos finais no Gólgota: a reação inevitável; 6. O sepultamento: uma nova oportunidade para os que se calaram;
7. A ressurreição: o novo tempo prenuncia-se.
A vinda de Cristo se faz pelo retorno da energia crística entre os homens, profetizado nos ensinamentos espirituais. Esse reaparecimento diz respeito ao despertar da chama crística que está acontecendo na parcela resgatável da humanidade. Esse despertar do Cristo já é uma realidade para muitos seres. São vários os caminhos que em sua evolução a Consciência regente de um planeta, o seu Logos, pode seguir.
O Logos que regeu a Terra na etapa que ora se finda assumiu o Caminho do Sacrifício (sendo este correspondente a realização de um sagrado ofício), e essa opção estendeu-se por toda a Hierarquia, canal de transmissão e de realização do propósito logóico. Assim, a cruz é símbolo de perfeito inter-relacionamento da existência material (haste horizontal da cruz) com a vida interior, espiritual e cósmica (haste vertical da cruz), oculta seu mistério na mais profunda essência da vida planetária, a qual acolheu a tarefa de estabelecer a harmonia e o equilíbrio de expressões aparentemente opostas da energia.
O homem que se integra ao amor nada teme, no céu ou na terra comunga da união com a Fonte, e fatos temporais não podem usurpar-lhe a eternidade. A história da Terra, entretanto, revela que o ser humano não compreendeu essa simples lei espiritual. A influência que os objetos e conceitos concretos exercem sobre o homem é mais forte do que sua fé na providência e misericórdia dos planos internos. Teme pelo efêmero e afasta-se do essencial, propala sua crença, porém pouco a confirma em seus atos.
A alma, na simbologia esotérica, está relacionada ao Filho, e seu destino é a unificação com a mônada, o Pai. Quando, por um ato de vontade, a mônada ativa o potencial da alma numa intensidade suficiente para elevá-lo em poder e energia, a alma torna-se capaz de crucificar o ego e libertar-se do jogo de destruição e caos que envolve a maioria dos seres humanos. Aqueles que entregam o próprio ego à crucificação, o que implica trilhar a senda da renúncia e da dor, a senda do abandono dos seus próprios conceitos, normalmente são pouco compreendidos pelo mundo. O repúdio lançado pelo mundo sobre os que buscam a Luz é uma das provas pelas quais o discípulo (indivíduo que respondendo a uma necessidade do ser interno eleva seus padrões de conduta e aproxima-se da aura de uma Hierarquia) deve passar.
Nada pode alterar sua disposição para entregar-se a vida interior. Os números são códigos, são símbolos de muitos processos. O numero três, por exemplo, corresponde a Triade primeva (trindade original que expressa as energias da vontade, o Pai, do amor, o Filho, e da luz, o Espírito Santo.
Nisso vela-se o mistério do arquétipo de multiplicidade e unicidade (3 e 1) que tem sua correspondência na absorção, pela alma, da síntese dos três corpos da personalidade. O fato de a crucificação de Cristo-Jesus ter acontecido no Gólgota, que significa “o lugar do crânio”, guarda uma simbologia oculta associada ao atual processo de transição que tem o nível da mente como o campo de maior conflito das forças renitentes à Luz. Cristo não permanecia por tempo prolongado nos corpos materiais de Jesus.
A evolução e o serviço dos dois seres nesse processo transcorreram por meio do ser Jesus, representando a coligação entre a humanidade e a Hierarquia planetária; e o ser Cristo, representando a coligação entre a Hierarquia planetária e a solar. Na integração dos seres Cristo e Jesus estão ocultas realidades que não chegaram a ser desveladas, exceto nos planos internos, a certo Iniciados.
Quando Cristo encarnou utilizando os corpos de Jesus, ocorreu uma conjuntura não apenas planetária e solar, mas também cósmica: um alinhamento entre Sirius, o Sol deste sistema, Vênus e a Terra. Deus (vida, Sirius) enviou seu Filho (amor-sabedoria, Sol) ao mundo (matéria, Terra) para salvar o mundo (libertar o planeta do jugo das forças involutivas e introduzir a humanidade na vida das leis evolutivas superiores).
O fato de Jesus ter alcançado a quarta iniciação, ao mesmo tempo em que o Cristo atingia a sexta iniciação, permitiu que a Terra saísse da etapa preparatória, etapa necessária e prevista, e avançasse para a transição que ora está se dando, possibilitando desse modo a salvação do planeta.
A “morte” de Cristo e de Jesus ocorrida sob tal conjuntura estava preparando a matéria planetária para acolher, no âmbito da evolução regular de toda a humanidade, a transcendência da Lei da Morte e da Lei do Nascimento físico, a qual estará acessível a muitos seres na etapa vindoura da Terra, e que nesta transição já o é em certo grau. Desse modo, mais facilmente se pode aceitar que um mesmo fato tenha sido, em certos momentos, vivido de maneira diferente por dois setes “encarnados” nos mesmos corpos.
Não eram as leis que normalmente regem a evolução que se dá sobre a Terra que estavam ali atuando, mas outras leis, que sob as bênçãos da Fraternidade de Sirius desciam sobre o planeta. As três primeiras iniciações fundamentam-se na aproximação da alma aos corpos materiais do ser; visam permitir que a matéria seja permeada pela energia interna e fazer com que esta possa expressar-se pela energia interna e fazer com que esta possa expressar-se livremente nos níveis concretos, redimindo-os.
Para que isso seja possível, os núcleos de consciência do ser nos níveis espiritual, intuitivo e causal já devem ter adquirido certo alinhamento com a mônada. As três primeiras iniciações podem ser sinteticamente compreendidas como etapas nas quais o controle da ação, do sentimento e do pensamento é conferido ao ser; nesse caso, não é mais o ego que dirige as forças humanas, mas a alma, que passa a predominar.
Na quarta iniciação a essência do corpo causal integra-se ao corpo de Luz, polarizando no nível espiritual (ou átmico), e enriquece esse corpo. Há de se considerar também que isso está ocorrendo de maneira grupal, ou seja, todo um grupo de mônadas é permeado por um potente impulso energético, e, sob uma única onda vibratória, cada mônada dá o passo que lhe corresponde e cruza o portal que se encontra diante de si. Misteriosamente a quinta, sexta e sétima iniciações fundem em si os processos antes vivenciados na sétima, oitava e nona iniciações.
Nestas ultimas o ser liberta-se totalmente do nível físico cósmico, filia-se de maneira direta à Fraternidade de Sirius, reconhece desveladamente o mistério do mal cósmico e rompe o contato com essas forças obscuras que compõem a chamada irmandade das trevas; o caminho do ser é então o da síntese no Regente-Avatar, o da vida Divina, rumo à evolução Inanimada. A existência é uma, todos os seus setores são interligados. O que ocorre em um nível de consciência reflete-se nos outros, pois são partes do corpo de manifestação do Criador. Portanto, as transformações advindas da evolução do ser em um dado nível podem acarretar transformações igualmente fundamentais ao repercutirem nos demais níveis.
A cruz, qualquer que seja a sua forma, expressa o perfeito equilíbrio e a fusão de quatro forças básicas no âmbito deste universo, quatro elementos: terra, ar, água e fogo. A esses elementos estão associados seres denominados elementais que compõem a substância-vida dos níveis de existência, perfazendo um caminho evolutivo paralelo ao humano. Quando um símbolo é trazido ao conhecimento dos seres humanos por indicação da Hierarquia, ele vem realizar um trabalho energético também nas camadas materiais do planeta. Nesses casos, traz consigo a vibração de padrões de conduta superiores que devem ser apreendidos pela humanidade.