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    Macaco Infinito -

    Manuel Jorge Marmelo

    Quetzal Editores
    2016
    200 páginas
    6h 40m
    ISBN-13: 9789897223143
    Português
    4.5
    2 avaliações
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    Se sentarmos um macaco a uma máquina de escrever por tempo indeterminado e sem limite, o animal acabará por conseguir escrever uma obra-prima da literatura à altura de Shakespeare ou de Cervantes. Isto diz a Teoria do Macaco Infinito. Pegando nesta tão extraordinária quanto absurda teoria, Marmelo escreveu uma metáfora sobre a criação: Paulo Piconegro é o dono paralítico (e não menos ressabiado) de uma casa de meninas; Wakaso é o negro chegado do outro lado do Mediterrâneo que o serve, um criado absolutamente disponível e servil, manso e eficaz como um eletrodoméstico. Maria do Socorro é a sua escrava sexual e a rapariga mais bonita do Bar Mitzvá. Piconegro planeou uma vingança cruel, concentrando em Wakaso o difuso ódio e a misantropia que até aí cultivara como a uma flor morta. Mas da sua condição de escravo de Piconegro agrilhoado à máquina de escrever horas e horas sem fim, Wakaso sairá vencedor.

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    Elisa Munhoz Cazorla picture
    Elisa Munhoz Cazorla15/02/2022Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Como os livros salvam-nos

    Não será nada fácil falar sobre este livro. Duro de ler, não porque a narrativa seja difícil, mas sim porque os personagens são duros e ásperos e o sofrimento é tanto que torna a leitura uma ação dolorida. Cada página é marcada por pontas agudas e que nos espetam em cada frase. Dolorido. Temos aqui, talvez, uma metáfora sobre a prisão que é viver em sociedade (ou viver de qualquer forma) e o quanto a arte nos liberta, nos lança longe dali, nos salva do enlouquecer e do morrer estando vivo - e, muitas vezes, do morrer literal. Viver é um ato de dor crônica, constante, pulsante e a arte, especificamente aqui, os livros, permitem um voo desta angústia. Não é um livro fácil de ler, mas é uma metáfora tragicamente lindíssima do quanto os livros, e a arte de modo geral, surgiram em nossa espécie para nos salvar de nós mesmos. Se não fosse a arte não teríamos evoluído enquanto espécie e também não teríamos sobrevivido até aqui. Sem os livros, sem a arte, não sobra nada exceto o pior, a desgraça, o impensável. Nossa espécie maldita, paradoxalmente, inventa a arte para existir e para continuar a ser. Devemos agradecer ou amaldiçoar nossa capacidade para a arte?

    3 curtidas

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    Avaliações

    4.5 / 2
    • 5 estrelas50%
    • 4 estrelas50%
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    Manuel Jorge Marmelo

    Manuel Jorge Marmelo nasceu em 1971, na cidade do Porto. Estreou-se na literatura em 1996 e publicou, de então para cá, em Portugal e não só, romances, crónicas, contos e livros infantis, destacando-se os romances Uma Mentira Mil Vezes Repetida, editado em 2011, que conquistou o prestigiado Prémio Literário Casino da Póvoa/Correntes d'Escritas 2014; Macaco Infinito, de 2016; Somos Todos Um Bocado Ciganos, de 2012; e o livro O Silêncio de um Homem Só, distinguido em 2005 com o Grande Prémio do Conto Camilo Castelo Branco. O romance O Tempo Morto É Um Bom Lugar, de 2014, foi um dos três finalistas do Livro do Ano da Time Out Lisboa.

    8 Livros
    1 Seguidor

    Manuel Jorge Marmelo