A Moreninha é um dos romances tarimbados em listas de vestibular por ser um dos senão o primeiro romance brasileiro... o que não implica que a leitura seja lenta ou a escrita defasada. Joaquim Manuel de Macedo parecia escrever com a alegria típica de quem absolutamente não se sentia intimidado pela façanha e o resultado é uma história leve e fácil de assimilar.
A galeria de personagens raramente ultrapassa os vinte anos, portanto não espere grandes discussões filosóficas ou morais. Os poucos diálogos mais extensos representam um papel bem simples: garantir o drama do casal de namorados.
A caracterização de ambos é interessante e recheada de humor. Carolina é a típica menina de quinze anos, cheia de atrevimento e criancice. Augusto é ainda mais especial, pois como um estudante de medicina, o autor se deleita em fazer dele arrogante, sentencioso e imaturo.
É uma obra surpreendentemente suave para o Romantismo, com um vocabulário relativamente simples. Pode-se dizer que ela passa longe da tragédia e ornamentação descritiva que é parte da definição desse movimento.