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    Os donos do inverno -

    Altair Martins

    Não Editora
    2019
    256 páginas
    8h 32m
    ISBN-13: 9788561249755
    Português Brasileiro
    4
    93 avaliações
    Leram119Lendo3Querem124Relendo0Abandonos3Resenhas18
    Favoritos8Desejados124Avaliaram93

    Apesar de viverem perto um do outro, os irmãos Elias e Fernando se evitam há vinte e quatro anos. Mas um acontecimento inesperado força o professor Elias a pedir a ajuda de Fernando, taxista, para realizar o antigo sonho de seu falecido irmão mais velho. Lado a lado num táxi, eles terão de fazer como os puros-sangues e seguir em frente, correndo pelo frio do Rio Grande do Sul, Uruguai e Argentina para levar os ossos do jóquei C. Martins até a grande noite do turfe em Buenos Aires. Altair Martins propõe discutir as estruturas afetivas da família brasileira. A relação entre os irmãos são marcas do distanciamento e da fratura social de nossa época. – Márcia Ivana de Lima e Silva Altair Martins é um dos mais surpreendentes escritores de sua geração. – José Castello

    Edições (3)

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    Resenhas (18)Ver mais
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    Denise Maria Souza João06/03/2021Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    “Ia dizer apenas que sentia muito, pêsames, aquelas coisas. Mas disse que o Carlito era diferente, era o melhor quando corria no frio. Era o dono do inverno, o dono do inverno, repetiu para nós dois.” - pág. 130 Eu adoro o Altair Martins, é um autor que sempre recomendo, mas este livro dele foi o que me causou mais estranhamento. É um livro bom, porque o Altair tem o dom da palavra, tudo flui, mas foi mais difícil me envolver aqui. Primeiro que é uma narrativa de estrada, o que já não me agrada muito; depois que trata em parte de turfe e cavalos, que não me interessam at all, por fim tem umas passagens de sofrimento animal que só me fazem ter vontade de não ler. O que eu gostei, afinal? Do drama familiar. Adoro histórias de família. Desde a morte precoce do jóquei Carlito, há 24 anos, num acidente de moto, seus dois irmãos não se falam. Agora, Elias, professor de Biologia e Fernando, taxista, rumam a Buenos Aires com a ossada do irmão até o local onde ele competiria se não tivesse morrido. Durante a viagem lembranças, traumas, mágoas, mal-entendidos e um luto tardio vêm à tona, unindo esses irmãos há tanto separados. “E apesar disso, o que espanta é que tenhamos vivido distantes. Depois da morte do Carlito nos tornamos o resto, aquilo que não precisa ficar inteiro. Mas só agora, viajando juntos, um parece envelhecer o outro. É mesmo deste modo: para envelhecer, temos que continuar, os vivos, lembrando o que nos é comum.” - pág. 161 Em vários momentos eu me desliguei do que estava lendo e recordei as várias viagens que fiz com meus pais e irmã pelo interior de São Paulo, as pastagens, as longas estradas arborizadas - minhas preferidas -, o cheiro que vinha das fábricas de papel, o enjoo nas curvas, as muitas sorveterias das cidadezinhas onde meu pai fazia questão de parar (e pedir sorvetes em ordem alfabética), os restaurantes de beira de estrada cujos banheiros sujos eu sempre queria visitar, para horror da minha mãe. Eu não sabia - e não queria - fazer xixi no matinho. No fim, embora eu não tenha me envolvido tanto com a história deste livro, quando ele trouxe parte da minha própria história, eu gostei mais dele. Às vezes me sinto assim em relação a uma leitura: ela me ganha não pelo que traz, mas pelo que desperta. Nota: C. Martins, o pai de Altair, era jóquei e morreu num acidente de moto em 1981. Segundo o autor, a ideia para o livro veio de uma cena de sua infância, numa manhã fria de inverno em que assistia ao pai dar voltas com o cavalo no Hipódromo de Cristal, em Porto Alegre. Ele corria com a cabeça muito próxima à do animal e, quando parava para conversar com o veterinário, a impressão era que estava falando aquilo que o cavalo havia lhe contado.” Para testar a viabilidade da narrativa, Altair Martins fez três viagens à Argentina, a primeira, em 2015, nos mesmos moldes dos personagens. Fonte: página do autor e da PUC-RS. Prêmios: Altair já ganhou vários prêmios literários, entre eles: Prêmio Guimarães Rosa, da Radio France Internationale, em 1994 e 1999, Prêmio Açorianos, Prêmio São Paulo de Literatura e Prêmio Moacyr Scliar.

    12 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    4 / 93
    • 5 estrelas25%
    • 4 estrelas45%
    • 3 estrelas23%
    • 2 estrelas5%
    • 1 estrelas2%
    Altair Martins profile picture

    Altair Martins

    É bacharel em Letras e mestre em Literatura Brasileira pela UFRGS. Leciona em escolas de Porto Alegre e é responsável pela cadeira de Conto no Curso de formação de escritores das Unisinos, em São Leopoldo. Como escritor, estreou com a antologia de contos Como se moesse ferro (1999), seguida de Se choverem pássaros. A parede no escuro, seu primeiro romance, foi vencedor do segundo Prêmio São Paulo de Literatura, na categoria primeiro romance, em 2009. Com seus livros anteriores, Altair Martins também foi vencedor do Prêmio Guimarães Rosa da Radio France Internationale, em 1999, do Prêmio Luiz Vilela e do Concurso Nacional de Contos Josué Guimarães, em 2001 e do Prêmio Açorianos na categoria Contos. Foi também finalista do Prêmio Jabuti em na categoria crônicas em 2001 com o livro Como se moesse ferro. A parede no escuro foi o vencedor do Prêmio São Paulo de Literatura 2009 na categoria melhor romance de estréia.

    8 Livros
    15 Seguidores
    Rio Grande do Sul, Brasil

    Altair Martins