Mulheres atrás das câmeras - As cineastas brasileiras de 1930 a 2018

    (Orgs.) Camila Vieira da Silva, Luiza Lusvarghi

    Estação Liberdade
    2019
    368 páginas
    12h 16m
    ISBN-13: 9788574483085
    Português Brasileiro

    Editado em parceria com a Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine), Mulheres atrás das câmeras: as cineastas brasileiras de 1930 a 2018 é fruto de uma inquietação perante as poucas informações disponíveis sobre a história do cinema brasileiro feito por mulheres. Os 27 artigos estruturam esta produção por meio de ensaios com recortes temáticos ou focados em figuras de destaque. Vamos desde o pioneirismo de Cléo de Verberena (a primeira realizadora mulher), Carmen Santos (produtora, atriz, criadora de estúdios) e Gilda Abreu (roteirista e diretora do sucesso O ébrio [1946]), até diretoras em atividade como Anna Muylaert e Suzana Amaral. A edição também inclui filmografias das realizadoras perfiladas e o Pequeno dicionário das cineastas brasileiras com mais de 250 verbetes. O prefácio salienta as dificuldades impostas às mulheres (e, em particular, mulheres negras) para ascender à qualidade de diretoras na indústria cinematográfica. Nos artigos, acompanhamos a jornada dessas mulheres que diversificaram o cinema brasileiro e o histórico de suas contribuições.

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    Vitória Romeiro26/12/2025Resenhou um livro
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    reescrevendo a história do cinema brasileiro a partir das mulheres

    esta é uma obra fundamental para a historiografia do cinema brasileiro ao enfrentar a histórica invisibilização das mulheres na direção cinematográfica. organizado por luiza lusvarghi e camila vieira da silva, o livro reúne ensaios e perfis que percorrem quase nove décadas de produção audiovisual feminina, articulando pesquisa acadêmica, resgate histórico e análise crítica. um de seus maiores méritos está no caráter pioneiro e documental, especialmente pelo “pequeno dicionário das cineastas brasileiras”, que transforma a obra em referência indispensável para pesquisadores e estudantes. os textos equilibram trajetórias individuais e contextos sociais, evidenciando como gênero, mercado e políticas culturais moldaram e muitas vezes limitaram, o acesso das mulheres à direção. como coletânea, o livro apresenta certa fragmentação narrativa, resultado da diversidade de vozes e abordagens, e tende a privilegiar cineastas com maior visibilidade ou produção em longas-metragens, ainda assim, essa pluralidade reflete a própria complexidade do cinema brasileiro feito por mulheres. mais do que mapear nomes, o livro questiona o cânone e os critérios de legitimação da memória cinematográfica nacional, consolidando-se como um gesto crítico, política e historiográfico essencial para repensar quem ocupa e quem foi historicamente afastada do lugar atrás das câmeras.

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