Hungria, 1944. Batidos em todas as frentes, o exército nazista, em desespero, invade o país. Os judeus estão destinados ao extermínio. Mansamente, sem resistir, eles deixam-se conduzir para o matadouro dos campos de concentração. E se tivessem resistido? Essa é a pergunta provocadora que perpassa a trama desta "fábula", um jogo de "faz de conta" que prende o leitor logo nas primeiras linhas. Júlia, uma burguesa mimada da alta classe média judaica, opta por resistir, forjar seu próprio destino, enfrentando os nazistas. Sem preparo, ingênua, ela comete erros primários e sem querer prejudica o movimento de resistência. Aprende, às duras penas, que em tempos de guerra não se pode confundir a esfera pública com a privada, sob pena de causar prejuízo irreparável a ambas. Ela introduz neste caldeirão de emoções primitivas de ódio, vingança e inveja, que vicejam em tempos de guerra, os sentimentos singelos do amor. O resultado imediato é catastrófico. Mesmo assim, a ousadia compensa e o saldo de sua resistência é positiva . Por um sublime instante a máquina de extermínio nazista emperra e, de uma forma tortuosa e inesperada, Julia triunfa. A vida triunfa.

