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    DEUS QUEER -

    Marcella Althaus-Reid

    Novos Diálogos
    2019
    256 páginas
    8h 32m
    ISBN-13: 9788594750747
    Português Brasileiro
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    Deus Queer apresenta uma nova teologia a partir das margens dos desvios sexuais e da exclusão econômica. Seus capítulos sobre a Teologia Bissexual, a santidade sadeana, os cultos afro-brasileiros frequentados por gays no Brasil e a santidade queer marcam a busca por uma face diferente de Deus - Deus Queer - que desafia os poderes opressivos da ortodoxia heterossexual, da branquitude e do capitalismo global. Inspirado pelos espaços transgressivos da espiritualidade latino-americana, onde as experiências das crianças da favela fundem-se com interpretações queer de graça e santidade, Deus Queer busca libertar Deus do armário do pensamento cristão tradicional, e abraçar a participação de Deus na vida dos gays, lésbicas e dos pobres.

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    Roberto Gonçalves Ramalho30/04/2020Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Corajoso.

    Deus Queer é um livro corajoso, desde o título. E necessário. Trata-se de um estudo sério, desenvolvido por uma pesquisadora teóloga, que foi professora de uma universidade britânica ao longo de anos. Não lhe concedo a quinta estrela pela complexidade com que o tema é discutido. Acho crucial que um tema de tal relevância - e urgência -, a inclusão dos dissonantes de sexualidade e gênero no arcabouço religioso, em outras palavras, uma teologia inclusiva para LGBTQI+, seja discutida de maneira ampla e clara, o que não acontece neste livro. Por conta de sua formação, Marcella faz uma profunda discussão político-filosófica que foge à compreensão do grande público, e mesmo do clero, tão rígido, tão fechado em questões de sexualidades dissonantes. Marcela desconstrói a cosmovisão do Deus-heterossexual através de mecanismos hermenêuticos que questionam a intransigência cristã de incluir, no escopo da salvação, seus filhos dissonantes. Marcella lança mão de filosofia, literatura e da própria teologia para questionar por que, apesar de tantas passagens de maus tratos contra a mulher na própria Bíblia, como casos de estupro, por exemplo, a teologia não excluiu/invalidou a hermenêutica heterossexual, optando pela exclusão homossexual com base em passagens também bíblicas. A pesquisadora argumenta com evidências do colonialismo, que invalidou cosmovisões religiosas de povos conquistados que não excluíam a prática homossexual, por exemplo, a partir do princípio da mais-valia (por que tal visão do sagrado é mais válida do que outra?), bem como avalia o exemplo de outras religiões sul-americanas, como a umbanda, que parece ser o refúgio dos homossexuais excluídos pelo cristianismo europeu, também levando em consideração as razões culturais que desqualificam tais representações do sagrado em contraposição ao cristianismo europeu. Conforme já dito, não concedo a quinta estrela à obra porque considero-a importante demais para ter sido escrita em moldes tão complexos. Acredito que, dada a sua relevância, ela teria a obrigação de estar acessível - linguisticamente - a um espectro maior da sociedade.

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