O livro é o resultado da tese de doutorado que levanta e analisa as interfaces políticas e sociais das religiões de matrizes africanas no Rio contra os processos de intolerância religiosa e o racismo no Brasil, entre 1950 e 2008. Com esta pesquisa, Ivanir se credenciou como doutor em História Comparada pela UFRJ, em maio de 2018. E para a publicação pela Pallas, o autor escreveu um posfácio exclusivo que apresenta o panorama até os dias atuais. O título conta também com prefácio de Muniz Sodré, professor da UFRJ, e orelha de Lazare Ki-Zerbo, vice presidente do Comitê Internacional Joseph Ki-Zerbo para a África e a Diáspora (CIJKAD).
Marchar não é caminhar - interfaces políticas e sociais das religiões de matriz africana no Rio de Janeiro
Ivanir dos Santos
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Ver maisOlhar a história presente por outro viés...
A leitura me fez perceber o que tenho procurado ultimamente: os outros lados das histórias que sempre me contaram. Afinal, somos cercados e formados por inúmeras histórias únicas (como explicou Chimamanda Ngozi Adichie) e, com isso, perdemos, muitas vezes, a capacidade de enxergar que elas podem ser bem diferentes se as lermos por outras perspectivas. De forma bem resumida, o livro trata da intolerância religiosa com uma visão da história desde o início do século XX até os dias de hoje, fazendo correlações diretas com o racismo e a política de extermínio. Ivanir dos Santos mostra os problemas decorrentes das religiões consideradas marginais em oposição àquelas que se impõem como oficiais. E demonstra com dados, relatos e notícias o crescimento das religiões evangélicas pentecostais e neopentecostais que se apoderam das diversas mídias (rádios, redes de televisão, jornais próprios etc.) e utilizam esses meios para marginalizar ainda mais as religiões afrodescendentes. Segundo o autor, "Essas ações, em relação às religiões de matriz africana, são resultados, em grande parte, da criação de uma representação simplista, menosprezada e desqualificadora, que foi construída ao longo do tempo no Ocidente e, principalmente, no Brasil, sobre as etnias africanas, assim como sobre suas experiências religiosas. Elas foram compreendidas como 'primitivas' e 'arcaicas', destinadas, assim, ao desaparecimento, porque representavam o passado da humanidade. Tanto a intelectualidade brasileira, quanto a Igreja Católica e o Estado colaboraram, cada um a seu modo, para construir e moldar o imaginário social desqualificador do negro e das suas religiões e ressignificações religiosas no Brasil." (SANTOS, 2019, p. 67) Ivanir dos Santos ainda ressalta que "Os ataques às religiões afro-brasileiras, que antes ocorriam exclusivamente nos templos, restringidos ao meio evangélico, ampliaram-se para o conjunto da sociedade, devido à difusão midiática e ao empreendedorismo econômico." (SANTOS, 2019, p. 86) Acho que essa é uma leitura extremamente válida para todos que vivem alguma fé no Brasil, para todos que gostam de ver por outras perspectivas as histórias que conhecemos e que nos são também transmitidas pelos noticiários. Esse livro nos traz o momento presente, as intolerâncias, o racismo e as políticas atuais de extermínio que, muitos de nós têm apoiado, acredito eu, por desconhecimento. Citando outro autor, Ivanir dos Santos nos mostra que intolerância religiosa no Brasil é antônimo de tolerância, mas é sinônimo de discriminação racial. Precisamos entender esses absurdos com o qual convivemos e de que, muitas vezes, somos repetidores. Escrevo um pouco mais sobre a experiência com esse tema em meu blog tatiandoavida.com
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