A educação e o significado da vida (J. Krishnamurti)... Melhores trechos: "...Para compreendermos uma criança, devemos observá-la quando brinca, estudá-la em suas diferentes disposições; não podemos 'projetar' nela nossos próprios preconceitos, esperanças e temores, ou moldá-la e ajustá-la ao padrão dos nossos desejos. Se estamos constantemente julgando a criança de acordo com nossos gostos e aversões pessoais, é inevitável que criemos barreiras e obstáculos em nossas relações com ela e em suas relações com a vida. Infelizmente, em geral, queremos formar a criança de maneira que satisfaça às nossas próprias vaidades e idiossincrasias; sentimos, em graus variáveis, conforto e satisfação na posse e no domínio exclusivos. Tal maneira de agir não é um estado de relação, mas simples imposição e, por conseguinte, é essencial se compreenda o dificultoso e complexo problema do domínio. Ele assume muitas formas sutis; e no seu aspecto 'virtuoso' é sobremodo obstinado. O desejo de 'servir', com a inconsciente ambição de dominar, é difícil de compreender. Pode haver amor onde há espírito de posse? Podemos estar em comunhão com aqueles que desejamos dominar? Dominar significa fazer uso de outrem para nossa satisfação própria, e na utilização de outra pessoa não pode haver amor... Como pode haver união entre os homens quando as crenças nos separam, quando há domínio de um grupo por outro, quando os ricos são poderosos e os pobres ambicionam igual poder, quando as terras estão mal distribuídas, quando uns andam bem nutridos e multidões a morrer de fome? Pode-se alcançar a paz pela violência?... A educação correta é evidentemente um perigo para os governos soberanos, e por isso ela é impedida de maneira rude ou sutil. A educação e a alimentação, controladas por uns poucos, se tornaram o meio de dominar o homem; e os governos, quer da esquerda, quer da direita, não se interessam, desde que continuemos a ser máquinas eficientes de fabricar mercadorias e balas de fuzil..."