"Desde que partira de Wisconsin eu estava fugindo de minha sexualidade.
Como resultado direto de tal atitude, começara a sofrer alucinações.
Eu tinha perdido a vontade de matar friamente, brutalmente, com minhas próprias mãos.
Matar utilizando uma arma me transformara numa pessoa sem importância, anônima, destituída de orgulho, com hábitos relaxados.
O único jeito de inverter a situação seria planejar e executar assassinatos sexuais perfeitos, metódicos, violentos."
Assim é uma das auto-análises de Martin Plunkett, assassino confesso que conta sua história de vida desde sua infância até os trinta e tantos anos. Atravessa momentos da história dos Estados Unidos nas décadas de 50, 60, 70 e termina nos anos 80. Sai de Los Angeles, onde se criou, nos sixties, viajando de carro e cometendo crimes, e termina sua jornada em Nova York, meados dos eighties.
Considero admirável que neste romance publicado inicialmente em 1986 com o título de "Silent Terror" James Ellroy já praticava elementos que o faria famoso com sua trilogia do submundo americano, iniciada em 1995 com "Tabloide Americano": enxertos de notícias fictícias de jornais e revistas, e misturando personagens reais, históricos, com ficcionais. Em "Viagem sem Volta", Plunkett tem um encontro com Charles Manson em uma das suas prisões. Há citações sobre Nixon e o assassino Zodíaco.
Ótimo constatar que grandes escritores evoluem e criam seu próprio estilo ao longo de anos de escrita: James Ellroy é um deles.