Através de fatos reais da vida, esta obra nos traz de maneira simples, respostas para dúvidas cotidianas, como: ambição,feminismo,tóxicos, julgamentos, virtudes e muito mais.
Fotos da Vida -
Francisco Cândido Xavier, Augusto Cezar Netto
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Ver maisDepois da famosa alocução, a palavra livre foi concedida a todos os presentes que desejassem complementar as ideias que a jovem expendera. Alguns minutos de silêncio e, logo após, um homem, ainda moço, pediu permissão para externar-se e, sendo atendido, dirigiu-se particularmente à oradora que havia suscitado grande empolgação no público e falou com sarcasmo: Moça, você pregou a caridade a nós todos, os seus ouvintes, e mostrou a excelência dessa virtude, mas a sua apresentação é um contra-senso. Sou auxiliar de serviço em uma joalheria e sei que você está usando brilhantes autênticos. Isso não lhe dói no coração? Falar com tanta beleza sobre a caridade e parecer uma vitrine de jóias,exaltando a beneficência?... A comentarista não se deu por molestada e respondeu, graciosamente: - O senhor não me conhece. Já fui pior. Meu pai é negociante de pedras, classificadas em alto preço e a minha apresentação de hoje chega a ser humilde, porquanto, em muitas ocasiões, aparecia em público, ostentando brilhantes, considerados os mais caros. A Doutrina Espírita é que está garantindo a minha renovação. Estou deixando o uso de jóias aos poucos, até que não me veja atraída por elas. Penso que, muito breve, estarei mais comedida em meus contatos com os amigos que me ouvem Destacaram-se aplausos em geral e os companheiros foram festejar o êxito da iniciativa na residência de um dos irmãos de ideal, não longe da instituição. A jovem oradora, dirigindo o próprio carro, chegou em casa, na cidade grande, lá pelas onze horas da noite. Guardou o veículo, convenientemente, e voltou ao jardim que precedia a entrada da mansão. Preparava-se para girar a chave da porta que lhe daria acesso à intimidade doméstica, quando um homem mascarado abeirou-se dela e intimou-a a lhe entregar todas as jóias em uso. Muita calma, a oradora da tarde começou a desatarraxar os próprios brincos de modo a entregá-los ao assaltante, quando um guarda, armado de revólver, apareceu na cena e, com a melhor presença de espírito, ela disse ao mascarado: - Alfredo, retire o seu disfarce. O policial pode pensar que estamos agindo seriamente. O assaltante, colhido de surpresa, diante da arma que o recém-chegado lhe apontava, desfaz-se da máscara e a moça reconheceu nele o mesmo homem que lhe havia reprovado o uso dos brilhantes, no entanto, com invejável serenidade, explicou ao policial: O senhor, por obséquio, nos desculpe. Estamos, o meu primo e eu, ensaiando uma cena de comédia, em que ele faz o papel de lobo mau... Desejo, porém, esclarecer ao senhor que este meu primo atirou-se a tamanha dívidas de jogo que estou oferecendo a ele as minhas jóias que lhe darão a cobertura necessária. E, à frente do guarda espantado entregou ao assaltante todas as suas jóias do momento, uma por uma, e lhe falou em tom significativo: Veja, primo, estes brilhantes são seus, como se pertencessem a uma festa de caridade. O guarda boquiaberto acompanhava toda a cena e o assaltante se retirou de carro, lançando àquela jovem corajosa e digna, um inesquecível olhar, qual se estivesse falando a ela, através dos olhos, que jamais esqueceria aquela inesperada lição.
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