Eu não sou nada romântica, mas às vezes gosto de acompanhar um clichê romântico só para aquecer o coração e esquecer do mundo real. A proposta dessa coletânea é bem essa mesmo e, embora tenha alguns contos não tão bons, acho que ela cumpre isso e pode agradar quem seja mais propenso aos romances.
Conto 01. A coisa mais doce, de Letícia Fávero. É o meu segundo preferido aqui, bem escrito, bem construído, com personagens cativantes (com uma exceção) e muito divertido. Senti falta de uma cena de confronto com o boy lixo, ainda que ele não merecesse, mas só porque queria ver mais da segurança da Betina em cena. Também queria ver mais do Vinicius, mas nem era possível porque só temos um ponto de vista. É a premissa básica do date fake, bem ridícula e inverossímil, mas que eu sempre amo acompanhar nas histórias. O contexto universitário é bem bacana também. Nota: 4,0 estrelas.
Conto 02. Balancê!, de Isabella Calmon. Simples e bonito, é o meu preferido justamente pela delicadeza da autora ao conduzi-lo. É completo em si e na medida certa, não deixa a sensação de que há nada faltando. E é bem coerente com a idade dos personagens, entre 14 e 15 anos. Me levou de volta à adolescência e me trouxe muitos sentimentos bons. E ainda tem o melhor contexto possível, as festas juninas. É sobre primeiras amizades, (des)amores e reconhecimentos. Nota: 4,5 estrelas.
Conto 03. Amy e Poe, de Gabriela Graciosa Guedes. É leve e bonito, se desenvolve em um clima de nostalgia, e tem bons personagens e bom desenvolvimento. O final força demais com uma coincidência gigante e uma solução difícil de acreditar, que poderia ser resolvida com uns parágrafos a mais. É uma leitura gostosa e simples, sobre primeiro amor e reencontros. Nota: 3,5 estrelas.
Conto 04. Você é a minha galáxia, de Vanessa Reis. Triste ver tanto potencial, envolvendo astronomia e uma personagem pcd, ser desperdiçado em uma narrativa confusa, monótona e sem qualquer desenvolvimento. E o pior é que o drama nem existiria se os personagens só conversassem. Não tenho nenhuma paciência para histórias sobre adultos que não sabem conversar. E nem é por não saberem lidar com sentimentos, é por serem imaturos mesmo. Nota: 2,0 estrelas.
Conto 05. Summer Nights, de Melanie Kress. Outra coisa para a qual não tenho paciência são histórias nacionais com cenários e contextos americanizados. Mas isso nem é o pior. Aqui é tudo meio chato, confuso, sem conteúdo, sem rumo e sem emoção. E tinha muito potencial para ser bom e trazer uma mensagem legal sobre amadurecimento, mas acabou sendo um dos piores. É (ou tenta ser) sobre crescimento, expectativas de profissão e reencontros. Nota: 1,0 estrela.
Conto 06. Senti Saudades, de Olívia Pilar. Esse aqui divide o pódio de segundo lugar dos preferidos. É o único com romance sáfico e diversidade racial. Olívia Pilar provou que é possível criar uma história pequena (é uma das mais curtas aqui) com conteúdo, bem construída, personagens com personalidade, abordar temas importantes de um jeito simples e natural e ainda intercalar passado e presente. Envolve amizade, descoberta e aceitação da sexualidade, autoestima e configurações familiares. Gostei muito da maturidade de Betina (sim, mesmo nome do outro conto) e de como ela se impôs, de falar como foi machucada e cobrar a responsabilidade da Sara nisso, mas também se abrir para contornar as pedras do caminho. E tudo foi bem crível para jovens de 16 anos. Nota: 4,0 estrelas.
Conto 07. Dear True Love, de Mônica Campos. Mais um com soluções mágicas, dates fakes e adultos que não gostam de conversar. Tem personagens secundárias em um romance sáfico, mas isso é pouco visto por nós. Se fala um pouco sobre gordofobia, de forma pontual. É uma história legal, mas peca pelos furos no roteiro e falta de revisão. Nota: 3,0 estrelas.
Conto 08. Distraída nas Estrelas: a paixão contra-ataca, de Mariana Rossi. Brega, chato e confuso. Falha em tudo no que se propõe, é sem coerência, sem emoção, estereotipado e com adultos que agem como adolescentes. Nota: 2,0 estrelas.
Conto 09. Loving Him Was Red, de Rovena Naumann. O ponto positivo foi a explicação sobre demissexualidade de forma clara e natural. A construção da narrativa é bem legal, ainda que muito rápida; a nota baixa foi só porque (de novo) não tenho paciência para a famigerada passada de pano com certas pessoas e certas situações. Nota: 2,0 estrelas.
Conto 10. Quando Gira O Mundo, de Gabriela Barbosa. Tem um dos clichês que amo (primeiro amor/desencontros/reaproximação na vida adulta), mas não consegui me apegar tanto aqui. Nem é por questão de escrita, o desenvolvimento é bem coerente e amarra todas as pontas, mas o plot secundário me distanciou da história, o tom entre suspense e humor ficou um pouco deslocado. Nota: 3,0 estrelas.