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    Sozinha -

    Keka Reis

    Gutenberg
    2022
    208 páginas
    6h 56m
    ISBN-13: 9788582356616
    Português Brasileiro
    3.8
    236 avaliações
    Leram296Lendo33Querem950Relendo1Abandonos19Resenhas63
    Favoritos19Desejados950Avaliaram236

    Rosa tem 15 anos e está naquela fase intensa da adolescência, cheia de impulsos rebeldes, certezas absolutas e desejos inconfessáveis. Ou nem tão inconfessáveis assim, já que em uma das muitas brigas que tem com Julieta, sua mãe excessivamente presente, um pensamento reprimido escapa: “Acho que a minha vida seria muito mais fácil se você morresse de uma vez”. Até aí, normal. Provavelmente nove entre dez meninas que estão nesse momento de construir a própria identidade e de se libertar das expectativas familiares já desejaram a morte da mãe pelo menos uma vez na vida. A história explica e a psicanálise também. Então, com o tempo, as brigas diminuem e a relação se transforma. Mas, para Rosa, o impensável acontece: logo após o último conflito com a mãe, logo após Rosa desejar sua morte, Julieta sofre um aneurisma fatal. Agora, a jovem terá que atravessar uma das fases mais complexas da vida sem a mãe, sua maior referência. Sozinha é uma jornada emocional de transformação e amadurecimento que toca em importantes questões da juventude contemporânea, trazendo à tona a delicada – e às vezes simbiótica – relação entre as meninas adolescentes e suas mães.

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    Resenhas (63)Ver mais
    JK Andrade picture
    JK Andrade04/08/2025Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    “Não vai ter corte, vai ter luta.”

    O livro é muito bom e não digo isso só pelo motivo de ele ser brasileiro, rs. Ao ler a sinopse, a gente já tem uma noção, óbvio, do que acontecerá no livro, então sim, ele é um livro pesado, mas nada do que passe o que nos já foi dito. É pesado simplesmente pelo o tema que a autora aborda. A Ró, ao perder a mãe, desesperadamente começa a fazer tudo o que a mãe mandava ela fazer e que ela não fez enquanto tinha tempo. E isso é justificável, pois, quando perdemos alguém, tentamos voltar atrás e buscar tudo o que ela nos deixou e isso é dobrado quando somos adolescentes, já que, nessa fase, sentimos tudo ao extremo, como a Ró. Todos nós, no nosso dia a dia, generalizamos tais coisas. Como por exemplo no livro, a protagonista, que é a pessoa que carrega o maior peso do luto, não consegue derramar uma lágrima sequer de cara e todas as pessoas de sua convivência ficam em choque com isso e sempre esperam uma oportunidade para verem ela chorar. Uma música que passa mais ou menos essa vibe, se assim eu posso usar ela, é “A Queda” da Glória Groove. As pessoas do livro ficavam ditando como ou o que ela deveria fazer, se esquecendo que cada um é cada um e isso se tornava uma plateia esperando a primeira lágrima dela ao mesmo tempo em que, qualquer ação fora da curva que ela fizesse, o julgamento como consequência já não se lembrava mais da sua perca mesmo com os seus poucos quinze anos de idade. Também nos leva a pensar o quanto podemos tomar a dor do outro; em várias cenas, pessoas que não tinham nem um terço de convivência com a mãe dela, se achavam no direito de se sentirem mais especial que a própria filha e choravam sem se importarem em como ela se passava. Acho que podemos também tirar a lição de que, o mundo trata os adolescentes como aborrecentes, mas eles são assim por estarem na fase de sentirem tudo ao extremo ao mesmo tempo em que o mundo começa a cobrar afazeres deles e tudo o que eles têm de diferente são apenas os hormônios. Ou seja, são crianças crescidas. Isso é explícito em todo o livro assim que ela perde a mãe, é como se cortassem novamente o cordão umbilical entre elas. Algumas partes me fizeram ficar com uma pequena raiva da Ró, não porquê o personagem é ruim, mas sim porquê a autora conseguiu escrever ela, realmente, como uma aborrecente, rs. A mãe dela também foi uma grande lutadora pelos os direitos que ajudarão as mulheres a se emancipar na sociedade. A frase do título é de uma de suas manifestações. Como um livro brasileiro, achei muito legal a autora abordar esses assuntos.

    43 curtidas

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    3.8 / 236
    • 5 estrelas24%
    • 4 estrelas37%
    • 3 estrelas28%
    • 2 estrelas10%
    • 1 estrelas1%
    Keka Reis profile picture

    Keka Reis

    Estudei rádio e televisão na Unesp e comecei a minha carreira na MTV dos anos 1990, onde escrevi, produzi e dirigi programas de tv de diferentes tipos e formatos. Depois de experimentar essas diferentes funções, tive a certeza de que queria mesmo era ser roteirista. Atuo como freelancer desde 2006 e já colaborei para canais como GNT, Nickelodeon, Nat Geo, Sony, Fox, Warner, TV Cultura, Cartoon Network, Discovery Kids, Gloob e TV Cultura. Meus trabalhos e roteiros já venceram mais de oito editais e alguns concursos internacionais. Em 2016 fui selecionada para fazer parte do Núcleo de Dramaturgia do Sesi e concluiu o curso com a peça Rio Vermelho, uma discussão adolescente sobre a menstruação.

    11 Livros
    13 Seguidores

    Keka Reis