O livro é muito bom e não digo isso só pelo motivo de ele ser brasileiro, rs.
Ao ler a sinopse, a gente já tem uma noção, óbvio, do que acontecerá no livro, então sim, ele é um livro pesado, mas nada do que passe o que nos já foi dito. É pesado simplesmente pelo o tema que a autora aborda.
A Ró, ao perder a mãe, desesperadamente começa a fazer tudo o que a mãe mandava ela fazer e que ela não fez enquanto tinha tempo. E isso é justificável, pois, quando perdemos alguém, tentamos voltar atrás e buscar tudo o que ela nos deixou e isso é dobrado quando somos adolescentes, já que, nessa fase, sentimos tudo ao extremo, como a Ró.
Todos nós, no nosso dia a dia, generalizamos tais coisas.
Como por exemplo no livro, a protagonista, que é a pessoa que carrega o maior peso do luto, não consegue derramar uma lágrima sequer de cara e todas as pessoas de sua convivência ficam em choque com isso e sempre esperam uma oportunidade para verem ela chorar. Uma música que passa mais ou menos essa vibe, se assim eu posso usar ela, é “A Queda” da Glória Groove.
As pessoas do livro ficavam ditando como ou o que ela deveria fazer, se esquecendo que cada um é cada um e isso se tornava uma plateia esperando a primeira lágrima dela ao mesmo tempo em que, qualquer ação fora da curva que ela fizesse, o julgamento como consequência já não se lembrava mais da sua perca mesmo com os seus poucos quinze anos de idade. Também nos leva a pensar o quanto podemos tomar a dor do outro; em várias cenas, pessoas que não tinham nem um terço de convivência com a mãe dela, se achavam no direito de se sentirem mais especial que a própria filha e choravam sem se importarem em como ela se passava.
Acho que podemos também tirar a lição de que, o mundo trata os adolescentes como aborrecentes, mas eles são assim por estarem na fase de sentirem tudo ao extremo ao mesmo tempo em que o mundo começa a cobrar afazeres deles e tudo o que eles têm de diferente são apenas os hormônios. Ou seja, são crianças crescidas. Isso é explícito em todo o livro assim que ela perde a mãe, é como se cortassem novamente o cordão umbilical entre elas.
Algumas partes me fizeram ficar com uma pequena raiva da Ró, não porquê o personagem é ruim, mas sim porquê a autora conseguiu escrever ela, realmente, como uma aborrecente, rs.
A mãe dela também foi uma grande lutadora pelos os direitos que ajudarão as mulheres a se emancipar na sociedade. A frase do título é de uma de suas manifestações.
Como um livro brasileiro, achei muito legal a autora abordar esses assuntos.