Todos Iguais, Poucos Diferentes -

    Morais de Carvalho

    Chiado Editora
    2016
    146 páginas
    4h 52m
    ISBN-13: 9789895184606
    Português

    Agora, neste preciso momento, esqueça o que está ao seu redor. Pare e sente-se comigo neste banco de jardim. Observe todas estas pessoas que correm, que sobrevivem, que morrem. Sinta o seu cheiro a desespero, veja a sua luta diária para pertencer à sociedade. Repare agora nos pormenores: a vizinha que me acolhe nos seus braços e me vem dizer um «olá», uma mulher que foge de mim por ter medo de se tornar num ser louco como eu e um gato que se esfrega nas minhas pernas. Venha, sente-se comigo no meu banco de jardim e no final poderá decidir se quer ser afinal como todos os outros, levantar-se e ir a correr atrás de todos nós, à procura de coisa nenhuma, ou se por outro lado prefere sentar-se neste banco e caminhar os seus próprios pensamentos. Sente-se, vou contar-lhe a minha estória, a minha loucura.

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    Diane Ramos28/03/2017Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    TODOS IGUAIS, POUCOS DIFERENTES (Morais de Carvalho)

    Hoje trago pra vocês a resenha de Todos Iguais, Poucos Diferentes da autora portuguesa Morais de Carvalho. Fiquei muito honrada quando recebi via e-mail a proposta de parceria da autora, e como logo me senti atraída pela premissa do livro imediatamente aceitei a parceria, e apesar de ter realizado a leitura cheia de expectativas, o livro conseguiu suprir todas elas e não exagero quando digo que a leitura foi uma das melhores que já realizei!E para melhorar ainda mais a autora conseguiu me enviar dois exemplares, ou seja, um deles é de vocês! O livro traz as reflexões de um personagem sem nome, porque ele representa todos aqueles que são diferentes, a única coisa que sabemos dele é que ele é um homem de quarenta e poucos anos e foi diagnosticado com uma doença mental durante a sua adolescência, e desde então procura passar despercebido nesta sociedade cada vez mais seletiva. Fechado no seu apartamento ou sentado no seu banco de jardim, ele observa a vida dos outros, a vida de todos nós. Durante o dia de hoje já teve tempo para parar e respirar? Já teve tempo para se sentar num banco de jardim? A nossa vida é cada vez mais longa, mas o nosso tempo é cada vez mais curto... É isso que o personagem principal da obra constata todos os dias. Ao olhar para o mundo, sem que o mundo olhe para ele, o personagem conta tudo o que vê em sua volta, tendo apenas como seu “pilar” que lhe transmite equilíbrio é a Dona Maria, uma vizinha já idosa que o aceita como um filho, após a sua própria família o ter abandonado. O destino leva-o a vigiar o quotidiano desta outra mulher que o fascina e a sua relação não amorosa, mas fatídica, acaba por transformar a vida deste homem. Alienado da realidade que passa à sua volta, ele faz-nos ponderar a cada parágrafo se será ele o louco, ou apenas a única pessoa sã a viver num mundo de loucos. Mais do que contar a sua estória, este louco faz-nos iniciar uma análise crítica à nossa própria existência. Todos Iguais, Poucos Diferentes é narrado em primeira pessoa pelo personagem principal sem nome, o que faz com que o leitor acompanhe no íntimo todas as idéias e percepções do mundo sob um personagem que não sabemos se ele é realmente o louco, ou se é a sociedade padronizada que se tornou louca. A autora é dona de uma narrativa poética, inspiradora e muito, muito reflexiva, tanto que em diversos trechos me peguei analisando a minha própria vida e como reagiria em determinadas ocasiões. Abordando temas muito importantes como relações familiares, o apoio e afeto de entes queridos, a correria do dia a dia e o desperdício de momentos da própria vida faz de Todos Iguais, Poucos Diferentes um livro único, pois, a autora fala de tudo isso de forma clara e crua e, é claro, sem ser piegas e tenho certeza que nunca li nada tão forte e tão sensível ao mesmo tempo. Durante a leitura fica impossível não se questionar sobre a vida, as relações humanas e as nossas diferenças, que apesar de nos fazerem pessoas únicas, infelizmente, ainda causam estranheza e preconceitos da maioria das pessoas, que não concordam com nada que seja diferente do que eles “pensam” ser o correto, que nada mais é do que o estipulado pelas perfeições das capas de revistas e outras mídias. Contendo pouco mais de 140 páginas, o livro é bem curto, porém, como pode perceber pelo que descrevi na resenha é um livro de grande conteúdo e com personagens muito bem construídos, tanto que o protagonista nem tem nome e durante a leitura o leitor se envolve de tal maneira que nem nos damos conta da anonimidade do narrador. Enfim, o livro é sim curtinho, porém, se prestarmos atenção na história e na forma como tudo se desenrola, os pensamentos e acontecimentos, a conclusão é que Morais de Carvalho criou uma história na medida certa. Gostei demais do livro, queria falar muito mais sobre essa obra prima, mas, creio que se continuasse resenhando ia acabar soltando spoiler, mas com certeza é um leitura que indico, especialmente para quem gosta de dramas e temas como crise existencial. TEM SORTEIO DELE LÁ NO BLOG!!! Acesse o link abaixo e participe: http://coisasdediane.blogspot.com.br/2017/03/resenha-premiada-80-todos-iguais-poucos_27.html

    1 curtida

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