Um Dia em Dezembro foi o título escolhido para a caixinha VIB do mês de Outubro do Grupo Editorial Record - sendo esse também o mês de lançamento do livro. Escrito por Josie Silver, fala sobre um amor improvável e impossível que nasceu em Dezembro.
Na trama, Laurie está em um ônibus pensando nos problemas da vida quando, numa das paradas, avista um rapaz. Esse rapaz, ela percebe, é o amor da sua vida, e ela se vê determinada a encontrá-lo, ainda que não saiba nada a respeito dele. Eis que, um belo dia, alguns meses depois, sua melhor amiga apresenta o novo namorado para Laurie. Ele se chama Jack e é o moço do ponto de ônibus.
No instante em que conheci a Laurie, já senti aquela fisgada de que não ia gostar tanto assim do livro. O fato de tratar um instalove extremamente instalove (sério, nem eu com a Eva Green me apaixonei tão rápido desse jeito) e de girar toda a trama do livro inteiro em cima de um "amor impossível" que, na real, não é nada impossível, não me convenceu.
Todo o drama e os choramingos da Laurie e do Jack não existiriam se eles simplesmente conversassem. Se fossem honestos com a Sarah, namorada do Jack, e com eles mesmos. Mas, claro, é mais fácil complicar do que resolver logo, então eles ficam num lenga-lenga fingindo que nunca se viram e isso se desenvolve por muito tempo.
E, desculpa, mas olhar pra um cara no ponto de ônibus e decidir que ele é o amor da sua vida? Que você tem total direito sobre ele? Conhecê-lo como o namorado da sua melhor amiga e pensar "mas eu vi primeiro"? Laurie, você precisa de ajuda. Primeiro que a obsessão dela pelo Jack até encontrá-lo é doentia e assustadora (e ele poderia muito bem ser um maníaco do parque até onde sabemos!) a ponto de ela se lamuriar, DEZ MESES DEPOIS, por ainda não ter encontrado o cara aleatório do ponto de ônibus, de decidir que vai ser a "tia dos gatos" porque óbvio que perdeu o amor da sua vida.
Aí, depois que o conhece, vive um misto de "mas ele é da Sarah" e "mas deveria ser meu" que foi hipócrita e extremamente egoísta e só me deixava revirando os olhos a cada cena que passava. Bela amiga, senhoras e senhores.
Jack era muito do que a Laurie é, mas me irritou mais ainda porque ele tinha muito de "a Sarah é linda e eu a amo, mas a Laurie é diferente".
Sinceramente, macho...
Sarah merecia mais do que esses dois. Todos os personagens que cruzam o caminho deles mereciam mais do que esses dois.
O romance, por ser instantâneo, não convence - ainda mais quando se desenvolve em meio a um sentimento de traição, porque Jack ESTÁ com Sarah quando pensa na Laurie, e a Laurie sabe do relacionamento deles quando olha diferente para o cara. As personalidades dos protagonistas, como eu mencionei, não ajudam. E ainda que a narrativa não seja ruim, toda a trama acaba por tirar sua vontade de chegar ao final - que foi um clichê desagradável, por sinal.
No mais, não acho que Um Dia em Dezembro contribua para listinhas como "clichês fofos para ler e ficar feliz" porque tudo que senti durante a leitura foi a vontade de abandoná-la, infelizmente.