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    Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres -

    Clarice Lispector

    Rocco
    2020
    160 páginas
    5h 20m
    ISBN-13: 9786555950168
    Português Brasileiro
    4.4
    105 avaliações
    Leram178Lendo27Querem330Relendo1Abandonos3Resenhas15
    Favoritos26Desejados330Avaliaram105

    "O coração tem que se apresentar diante do Nada sozinho e sozinho bater em silêncio de uma taquicardia nas trevas." A experiência da protagonista desta aprendizagem mostra afinidades tanto com as provações da bela Psiquê, do mito grego, quanto com a mística aventura da alma, ao atravessar a noite escura no Cântico Espiritual de São João da Cruz. Como um quadro cujas linhas mestras o recortassem do grande mistério que tudo contém, este livro, que "se pediu uma liberdade maior", é a narrativa de uma iniciação e um extraordinário hino ao amor. Lóri, a mulher, faz uma longa viagem ao mais profundo de si mesma e chega à consciência total de ser. Diz: eu é; o homem, Ulisses, um professor de filosofia, que possui fórmulas para explicar o mundo, transforma-se em algo mais simples, um simples homem. Ambos serão iniciados: Ulisses fecha os ouvidos para as outras sereias porque só está disponível para Lóri, cujo verdadeiro nome é Loreley, como a personagem de Heine e de Apollinaire, uma ondina ou sereia que costumava atrair para os rochedos os barqueiros do Reno. Na verdade, cada um vai encontrar-se consigo mesmo em face do outro. Por ser trabalho, ascese, viagem, o amor de Lóri e Ulisses vence a diferença, o estranhamento, vence até mesmo a morte, ou o medo da morte. E a entrega finalmente física dos personagens se realiza com força tântrica de êxtase, de epifania. Para Lóri, "a atmosfera era de milagre"; Ulisses "estava sofrendo de vida e de amor". Nada termina, porém, o momento anuncia uma nova aurora: "Ambos estavam pálidos e ambos se acharam belos." Clarice, que se insere sabiamente no possível, fecha com dois pontos a narrativa que começara com uma vírgula.

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    Resenhas (15)Ver mais
    julia 🪐 picture
    julia 🪐20/11/2025Resenhou um livro
    2 (Razoável)

    "O óbvio, Lóri, é a verdade mais difícil de se enxergar."

    Foi a minha primeira leitura da Clarice, e não posso afirmar que voltarei a ler outra coisa dela ( só porque eu sou meio hipócrita), a escrita e eu não demos muito match, é confusa e da pra entender porque a própria Clarice não relia os próprios manuscritos hahaha. A história gira em torno da Lóri, ela não é uma personagem das mais legais, porém não é desgostavel. Tudo roda em torno ao período de auto descoberta dela, com muitas, muitas mesmo, crises existenciais, ela tá questionando TUDO, tipo Deus e o mundo! Pra no final descobrir que só precisa de uma noite boa de cama com o namorado. Já o Ulisses, não consegui entender muito bem se ele é fã ou hater da Lóri, em momentos ele parece estar totalmente devoto e desesperado por ela e em outros, ele é o homem "que sabe todas as coisas" e acaba menosprezando e diminuindo os poucos conhecimentos dela. Foi uma leitura um pouco confusa e cansativa.

    9 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    4.4 / 105
    • 5 estrelas50%
    • 4 estrelas37%
    • 3 estrelas10%
    • 2 estrelas1%
    • 1 estrelas2%
    Clarice Lispector profile picture

    Clarice Lispector

    Clarice Lispector, nascida Haia Lispector (Chechelnyk, 10 de dezembro de 1920 — Rio de Janeiro, 9 de dezembro de 1977) foi uma escritora brasileira, nascida na Ucrânia. Autora de linha introspectiva, buscava exprimir, através de seus textos, as agruras e antinomias do ser. Suas obras caracterizam-se pela exacerbação do momento interior e intensa ruptura com o enredo factual, a ponto de a própria subjetividade entrar em crise. De origem judaica, terceira filha de Pinkouss e de Mania Lispector. A família de Clarice sofreu a perseguição aos judeus, durante a Guerra Civil Russa de 1918-1921. Seu nascimento ocorreu em Chechelnyk, enquanto percorriam várias aldeias da Ucrânia, antes da viagem de emigração ao continente americano. Chegou no Brasil quando tinha dois anos de idade. A família chegou a Maceió em março de 1922, sendo recebida por Zaina, irmã de Mania, e seu marido e primo José Rabin. Por iniciativa de seu pai, à exceção de Tania – irmã, todos mudaram de nome: o pai passou a se chamar Pedro; Mania, Marieta; Leia – irmã, Elisa; e Haia, Clarice. Pedro passou a trabalhar com Rabin, já um próspero comerciante. Clarice Lispector começou a escrever logo que aprendeu a ler, na cidade do Recife, onde passou parte da infância. Falava vários idiomas, entre eles o francês e inglês. Cresceu ouvindo no âmbito domiciliar o idioma materno, o iídiche. Foi hospitalizada pouco tempo depois da publicação do romance A Hora da Estrela com câncer inoperável no ovário, diagnóstico desconhecido por ela. Faleceu no dia 9 de dezembro de 1977, um dia antes de seu 57° aniversário. Foi inumada no Cemitério Israelita do Caju, no Rio de Janeiro, em 11 de dezembro.

    135 Livros
    7.246 Seguidores
    Vinnytsia, Ucrânia

    Clarice Lispector