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    Uma história dentro da outra e Lendas do Rio Doce -

    Flávio Colin

    Zit editora
    2017
    80 páginas
    2h 40m
    ISBN-13: 9788579331121
    Português Brasileiro
    4.3
    5 avaliações
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    Ao redor do enorme ipê-amarelo, as árvores do pomar parecem pequenininhas. Do alpendre dá para ver as pastagens, a cachoeira, o Rio Doce. Do jirau dá para ver o mundo — até a floresta Amazônica e os cangurus da Austrália, se você olhar bem. Mas o melhor de tudo são as conversas de Vovó Carolina. Prosa que revela histórias que passaram de geração a geração, atiçando as noites à beira do fogão a lenha. Assim é a vida no Sítio de Cima, onde a narradora deste Uma história dentro da outra e Lendas do rio Doce busca inspiração, cavoucando a memória que não é só sua, mas de toda uma comunidade. A baía do Rio Doce — enorme território às margens do rio que cruza parte de Minas Gerais e do Espírito Santo — foi palco, em 2015, do maior desastre ambiental do Brasil. Mas não foi só a vida fluvial, a fauna e a flora ao redor que sofreram as consequências terríveis da tragédia. Tão exuberante quanto o ecossistema, a cultura e o imaginário do povo ribeirinho também vêm passando por perdas inestimáveis desde que o mar de lama tóxica invadiu municípios. As lendas e causos reunidas neste novo livro dão mostras de como é forte a cultura popular erigida ao redor do Rio Doce, e de como é importante preservá-la. Munida de um texto saboroso e cheio de lirismo, Geny Vilas-Novas conta histórias como a do filho do caçador, que ficava sob os cuidados de um cão enquanto o pai saía para caçar; do Capeta que se transforma num gato preto para desmantelar a vida de um casal feliz; ou do menino que caiu dentro do rio e que o pai transformou num peixe enorme de escamas douradas. Entremeadas a essas lendas, as histórias da meninice no sítio. Lembranças da alegre convivência em família, com direito a telescópio feito de argila, expectativa ante um ovo de ema, quadro da Mona Lisa que dá medo. Assombros e brincadeiras de inventar e de imaginar, compartilhadas entre crianças e adultos. Nesse ir e vir entre o íntimo e o popular, Geny Vilas-Novas cria um livro de grande voltagem poética, que ajuda a preservar a memória da cultura atrelada ao Rio Doce, ao mesmo tempo em que incita a imaginação e celebra a graça dos afetos. Uma viagem que fica ainda mais atraente com as ilustrações de Flávio Colin, craque do desenho que nos deixou em 2002.

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    Milena Nones picture
    Milena Nones26/12/2017Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Uma história dentro da outra e Lendas do Rio Doce

    Tendo como pano de fundo a baía do Rio Doce - território às margens do rio que cruza parte dos estados de Minas Gerais e Espírito Santo - Geny traz doces lembranças de sua infância feliz com a família no Sítio de Cima e das lendas passadas de geração a geração, contadas, à beira do fogão a lenha, pela vovó Carolina. É assim que conhecemos a história do menino que caiu no rio e, para evitar sua morte, o pai, que tinha poderes, o transformou em um peixe de escamas douradas, a história do filho do caçador que ficava aos cuidados de um cão enquanto o pai ia trabalhar, entre tantas outras. A narrativa é intercalada entre memórias pessoais - como a do telescópio feito de argila e o assombro causado pelo quadro da Mona Lisa - e as lendas e causos regionais. Eu nunca tinha ouvido falar sobre eles, mas a leitura do livro deixou bastante evidente a força da cultura popular presente na região e a importância de preservá-la, por isso, creio que as memórias do livro não pertencem apenas à autora, mas também, à toda comunidade. A escrita é leve, interessante e de fácil assimilação. Li em questão de horas. As ilustrações estão bem caprichadas, assim como a obra de forma geral. Aproveite, e venha você também embarcar nesta incrível jornada pelo Vale do Rio Doce.

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    Flávio Colin profile picture

    Flávio Colin

    Desenhista carioca, criado no sul do país, Flavio Barbosa Mavignier Colin iniciou sua carreira de quadrinhista ainda bem jovem, nos anos 50. De acordo com uma entrevista que deu nos anos 80, sua primeira HQ profissional saiu na revista “Enciclopédia em Quadrinhos”, da RGE, em 1956. Seguiram-se X-9, Águia Negra, Dom Quixote, Cavaleiro Negro e outros. O fato de trabalhar em títulos originariamente estrangeiros, serviu para consolidar seu estilo arrojado e diferente, além de lhe conferir um senso profissional, ainda hoje sem paralelos no mercado de comics tupiniquim. Ficou bem conhecido ao transportar para as páginas impressas, o herói radiofônico O Anjo, além da quadrinização de Os Brutos também Amam. Nos anos 60, marcaria definitivamente sua carreira, ao trabalhar no gibi do grande sucesso da TV brasileira: O Vigilante Rodoviário. Colin também atuou na área publicitária e colaborou para a (hoje) histórica revista O Cruzeiro; além de fazer parte de inúmeras tentativas de se nacionalizar a produção de quadrinhos, no Brasil. Para os estúdios de Maurício de Souza e o grupo Folha, produziu Vizunga, um dos primeiros personagens de quadrinhos realmente com background ecológico. Homem de fortes convicções, Colin sempre rendeu ótimas e esclarecedoras entrevistas... tão boas quanto suas histórias. Entre os anos 70 e 80, produziu ininterruptamente, colaborando para as publicações das editoras Grafipar e D-Arte, entre outras. Prolífico até o fim de sua vida, Colin ficou conhecido pela nova geração de leitores brasileiros, ao estrelar publicações especiais como: O Boi das Aspas de Ouro, Estórias Gerais e Fawcett. Colin faleceu em 13 de agosto de 2002, devido a complicações respiratórias. Tem em artistas como Watson Portela verdadeiros admiradores. “O Colin eu gostava por causa do estilo ímpar. Se existiu um desenhista realmente brasileiro, foi o Colin”, lembrou Watson em uma entrevista.

    114 Livros
    13 Seguidores
    Rio de Janeiro, Brasil

    Flávio Colin