Uma Noite na Ópera

Uma Noite na Ópera Gregório Belichón...


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Uma Noite na Ópera


Coleção Clássicos da Folha




"se-9-17" é mais um trabalho anarquista dos três irmãos Marx - Grouxo, Chico e Harpo. Um humor ofensivo, sem restrições, com muitas situações visuais gratuitas que promovem uma grande bagunça na tela. Suas personagens mais clássicas estão lá: a ricaça de quem todos querem se aproveitar, o sujeito que mais quer se aproveitar dela, o vilão que quer colocar tudo a perder, o palhaço que vive apenas para perturbar os outros. No geral, esses elementos formam um roteiro quase sem sentido e o objetivo sempre fica sendo encaixar uma nova piada em cada cena.



Tudo começa quando amigos de um casal em crise tentam afastar o tenor oficial de uma ópera para que um outro amigo assuma seu lugar, tendo assim a chance de sua vida e de fazer as pazes com sua amada.



Os humoristas justificam seu nome na história do cinema com diálogos irônicos e situações físicas que fazem seus coadjuvantes sofrerem para delírio do público. A cena na qual o detetive da polícia chega no apartamento de Driftwood (Grouxo) em busca de seus amigos, que viajaram clandestinamente para a América, é uma amostra do estilo de humor do grupo. Alguém tem que sofrer para a risada rolar. Esses tipos de cena, que não ajudam muito o enredo, são comuns no filme todo, mas ainda assim conseguem ser muito engraçadas.



No filme dirigido por Sam Wood, Groucho é um malandro empresário de ópera que quer tirar dinheiro de uma mecenas milionária (Margaret Dumont). Chico e Harpo tentam ajudar um cantor de ópera novato (Allan Jones) a alcançar o sucesso e ficar com sua amada (Kitty Carlisle). Todos se encontram num navio que leva a companhia da ópera em excursão.



São antológicas as sequências da minúscula cabine de Groucho lotada de pessoas, sendo uma cena copiada até os dias de hoje, da negociação de contrato entre Chico e Groucho e do clímax no teatro de ópera. Além disso, a película tem boas sequências musicais em que os irmãos mostram sua versatilidade.



"se-9-17" é uma excelente comédia da época de ouro do cinema americano, que acaba deixando quem o assiste relaxado, depois de muitas gargalhadas. Assim que o filme termina, fica uma sensação de mistura de cenas que não importam, mas que são engraçadas, com outras que importam, mas que são simplesmente chatas.



Os bons diálogos dos irmãos Marx conseguem manter o pique da trama, mas não é sempre que acontece. Muitas boas piadas são repetidas exaustivamente - e da segunda vez em diante já não são mais tão engraçadas. Este é considerado por muitos críticos o melhor filme do grupo. Há aqueles que consideram o melhor filme do trio de irmãos "O Diabo a Quatro" (Duck Soup). O fato é que ambos os filmes são comédias escrachadas. Uma das melhores cenas é a sequência musical a bordo do navio que transporta os personagens para a América.



A mais endiabrada comédia dos irmãos Marx - e uma das mais geniais, prova como o talento não tem limites. Os rapazes invadem o mundo da ópera e os resultados são devastadores. Ao som de Il Trovatore, de Giuseppi Verdi, e Pagliacci, de Leoncavallo, o trio apronta - e não deixa pedra sobre pedra, tenor sobre tenor.



Com um toque magistral de Sam Wood, o filme parte de um roteiro simples, porém muito bem construído, com a intenção de colocar os endiabrados irmãos Marx num círculo da alta sociedade, onde eles possam aprontar das suas traquinagens.



Os números musicais têm uma extensa duração, o que não chega a prejudicar o desenrolar da comédia. Margaret Dumont e Groucho Marx se firmam como uma dupla humorística de primeira linha. O elenco de apoio, de maneira geral, também apresenta boas interpretações.



Numa das cenas mais engraçadas do filme, o personagem de Groucho, Driftwood, parce estar falando um idioma oriental. Na verdade, Groucho fala em inglês, apenas de trás para frente. Se fosse falado normalmente seria "Este homem está acusando vocês de impostores".



Os irmãos Marx provam com esta película porque estão entre os grandes comediantes da primeira metade do século XX. Eles brilharam nas décadas de 20 e 30, época de ouro com o auge de Chaplin, Buster Keaton e Harold Lloyd.


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Marcelo Amado
cadastrou em:
09/08/2009 21:49:03

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