Imagina você ter que sair fugida da sua vida, correr do seu passado e do presente, se esconder para ter um futuro? É assim que a história de Violet começa: uma fuga e a escolha de um destino aleatório.
Mas o que Violet não sabia era que Holambra, a capital das flores brasileira, reduto da descendência holandesa, seria muito mais do que uma nova cidade para recomeçar.
"A pior solidão é aquela que sentimos mesmo quando estamos cercado por umas multidão. O desespero e a apatia são infinitamente mais dolorosos porque temos a sensação de que estamos mais sozinhos do que nunca."
Ao desembarcar naquela cidade pitoresca, com casinhas típicas holandesas, muitas cores, ruas com nomes floridos e pessoas simpáticas, Violet descobre amigos, emprego, invejosos e até o amor, coisa que ela achava que nunca encontraria em lugar algum.
Ah, o amor... quem diria que podemos encontrar o amor na dor? É mais ou menos o que acontece entre Violet e Josef, a faísca se acende quando um enxerga a dor da perda no outro. E então o amor surge com calma, com desenvoltura e curiosidade não por causa da dor, mas por causa do modo como lidam com ela. Isso e uma dose de "Elenice"... rsrs... nada como uma criança para fazer o papai se apaixonar.
Mas segredos não duram para sempre. Especialmente se os invejosos fazem de tudo para descobrir quais são. E então, quando os segredos vêm à tona, resta a Violet uma escolha: fugir mais uma vez ou enfrentar o passado para ter uma chance de futuro.
Que história linda!!! Giu soub/e trabalhar o presente da personagem sem deixar escapar o segredo de seu passado em nenhum momento além do necessário. Apenas quando a personagem se sente pronta para encarar seus medos que os encaramos junto com ela. E que medos! Ela tem toda a razão em escondê-los.
"Todo mundo do tem uma bagagem dentro de si que por vezes torna-se mais pesada do que os braços e o coração são capazes de carregar."
Além disso, os personagens são bem críveis e todos possuem uma personalidade peculiar. Desde a amiga maluquinha da Anya até a sensata Tia Betsie. Da amorosa Eleninha ao carinhoso Josef.
Uma das coisas que mais gostei no livro foi a pesquisa que a autora fez sobre a história, a geografia, sobre monumentos, turismo, enfim sobre tudo que há para se saber de Holambra e foi jogando esses detalhes aos poucos no texto. Até mesmo a comida típica teve sua cota de estrelismo, com nomes típicos e a explicação em notas de rodapé.
Outra coisa foi o jeito que a autora encontrou de homenagear a literatura nacional e sua autora nacional preferida, dando a ela um destaque em um capítulo todinho especial. Confesso que fiquei com invejinha, daquelas branquinhas... rsrs
O final? Espetacular! Ao mesmo tempo que é um clichê, foi um final um tanto diferente. Clichê porque o amor faz mesmo que superemos barreiras, incluindo a do tempo. E diferente pelo mesmo motivo, uma vez que, atualmente, ninguém tem paciência para esperar ninguém. Na realidade, o "amor" tem pressa e no livro não foi assim;
"As palavras tornam-se supérfluas quando os sentimentos se comunicam de forma tão natural através de um simples abraço."
Favoritei com o coração S2! Eu não sei se preciso deixar mais clara minha recomendação, mas vá lá: leiam! O livro tem uma carga emocional bem grande, um drama cotidiano que as pessoas sabem que existe e que fazem questão de virar a cara, fingir que não viram nada.
Ao final, Giu deixa um alerta. E eu nem posso falar sobre ele, para não dar um baita spoiler. Só digo que você precisa ir até lá. Leia e se conscientize.