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Xal Adriana Graças Pereira...


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Órfã, drogada, moradora de rua, prostituída, presidiária. E milagre de superação.




Adriana Graças Pereira nasceu para ser mais uma brasileira sem a menor perspectiva de vida, destinada a roubar e acabar cedo, de forma violenta, num meio em que a única escolha verdadeira é entre morrer ou matar.

Não sabe quem foram seus pais, nem a data certa de seu nascimento, colocada formalmente nos documentos como 9 de maio de 1982. Abandonada na infância, jogada de abrigo em abrigo, e depois, na maioridade, de cadeia em cadeia, sua vida é exemplo eletrizante, chocante e dramático da trajetória dos excluídos, que se tornam uma ameaça a toda a sociedade – e um exemplo de como é possível reintegrá-los por meio da cidadania e da humanidade.

Como ela mesma conta, neste relato sem censuras, foi estuprada aos 11 anos dentro da Casa da Criança, em Santos. Ainda menor de idade, Adriana roubava preferencialmente homens, por ódio. Sua escola foi a rua, dormindo com outras crianças na areia da praia em Santos, mais quente que os abrigos infantis onde cedo começou a consumir drogas e roubar.

Acostumou-se ao tráfico e à violência mais brutal. Homossexual, roubava vestida de homem como disfarce. Viciada em crack, a droga foi sua anestesia, quando teve seu primeiro filho na calçada da rua, abandonado em seguida num hospital.

Presa diversas vezes, a primeira na Cadeia Pública Feminina de Santos, onde duzentas mulheres podiam ocupar o lugar de sessenta, conheceu a lei do mais forte, o amor entre mulheres, liderou rebeliões, apanhou no pau de arara e aprendeu a ler e a escrever perto dos trinta anos de idade.

O mundo de Adriana e sua transformação em Xal, a mulher que assumiu sua masculinidade, livrou-se das drogas, procurou emprego e busca reencontrar os filhos que a vida acabou por separar, é também o de muitos brasileiros, num país que não lhes deu a menor oportunidade.

Seu caso é um alerta, um grito, denunciando a realidade aviltante e perigosa que vai ganhando um tamanho cada vez maior. Porém, mostra igualmente um caminho de resgate, que começa pela coragem de encarar a realidade crua de um Brasil que o Brasil tem preferido simplesmente renegar.

Biografia, Autobiografia, Memórias / LGBT / GLS / Não-ficção

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