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    Agosto -

    Rubem Fonseca

    Companhia das Letras
    1990
    352 páginas
    11h 44m
    ISBN-10: 8571641390
    Português Brasileiro
    4
    3910 avaliações
    Leram7031Lendo218Querem3076Relendo14Abandonos278Resenhas238
    Favoritos213Desejados3076Avaliaram3910

    1º de agosto de 1954, Rio de Janeiro, capital da República. Um empresário é assassinado e outro crime é planejado na sede do governo federal. O atentado frustrado contra o jornalista Carlos Lacerda, opositor de Getúlio Vargas, causará uma das maiores reviravoltas da história do Brasil. Um dos maiores sucessos de crítica de Rubem Fonseca, Agosto nos questiona: em que medida a história de uma pessoa e a história de um país se determinam, se diferenciam e se assemelham? Ao misturar com maestria história e ficção, o autor encontra a resposta: a boa literatura.

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    Resenhas (238)Ver mais
    Tiago Dos Santos picture
    Tiago Dos Santos03/08/2023Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Crise de Agosto

    Fiquei impressionado com a recriação histórica e a costura que o autor faz dos eventos ocorridos no turbulento agosto de 1954. Desde a tentativa de assassinato do jornalista Carlos Lacerda, forte opositor de Getúlio, a investigação para descobrir os mandantes, até o suicídio do presidente. Tem muitos detalhes sobre a situação política do país, com o toma lá dá cá e a corrupção sempre presente na história. Gostei do fato de ter vários pontos de vista, mostrando um grande leque de opiniões(geralmente conflitantes) sobre aqueles acontecimentos. Como ficção histórica é bastante imersivo. Tudo isso misturado com uma narrativa policial que, apesar de eu não ter gostado tanto pela forma dispersa que ela é desenvolvida, reconheço que ela teve um bom desfecho e se conectou bem com a narrativa principal. Gostei do detetive Mattos, ele é um estranho no ninho no trabalho justamente pela inversão de valores, por ser um policial honesto. “Aqueles que se consideram homens de bem nem sempre são bons policiais.” A história pessoal dele, uma espécie de triângulo amoroso nada convencional, é a subtrama mais interessante do livro. Tem uns momentos de humor sombrio inseridos que funcionam bem para quebrar a tensão. Me pegaram desprevenido quando aconteciam. Saio dessa leitura satisfeito. É um período muito interessante da história do Brasil. Recomendo.

    62 curtidas

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    Avaliações

    4 / 3910
    • 5 estrelas32%
    • 4 estrelas41%
    • 3 estrelas22%
    • 2 estrelas4%
    • 1 estrelas1%
    José Rubem Fonseca profile picture

    José Rubem Fonseca

    O escritor e roteirista cinematográfico brasileiro José Rubem Fonseca nasceu no dia 11 de Maio de 1925, na cidade de Juiz de Fora, em Minas Gerais. Ele se graduou em Ciências Jurídicas e Sociais pela Universidade do Brasil, hoje Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde ele passou a residir a partir dos oito anos. Antes de se devotar ao ofício literário, Rubem percorreu uma longa jornada na carreira policial, na qual ingressou ocupando o cargo de comissário, no 16º Distrito Policial, em São Cristóvão, ainda em terras cariocas, no dia 31 de dezembro de 1952. Ele permaneceu nesta profissão até o dia 06 de fevereiro de 1958, quando foi exonerado. Durante a maior parte de sua vivência policial ele trabalhou no gabinete, como relações públicas dessa instituição, estagiando por pouco tempo nas ruas. Um dos melhores estudantes da Escola de Polícia, ele se destacou profissionalmente por sua percepção apurada da psique humana, sua visão psicológica dos infortúnios do Homem. As experiências então vivenciadas pelo autor foram depois traduzidas por ele em sua obra. Neste momento, porém, ele ainda não revelava nenhuma inclinação literária. Em 1954, no mês de Julho, ele e mais nove policiais receberam a oportunidade de estudar nos EUA. Ele aproveitou este momento para também cursar Administração e Comunicação nas Universidades de Nova York e de Boston. De volta ao Brasil, atuou na Fundação Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro, ministrando aulas sobre seu campo de trabalho. Ao deixar a Polícia, o escritor ainda teve uma passagem pela Light, antes de se dedicar totalmente à literatura. O autor iniciou sua trajetória literária escrevendo contos, reunidos depois no livro Os Prisioneiros, lançado em 1963. A partir daí seu impulso criador não mais cessou. Ele publicou A Coleira do Cão, de 1965; Lúcia McCartney, de 1967; O Caso Morel, em 1973; Feliz Ano Novo – livro de 1975, censurado durante a Ditadura Militar; O Cobrador, de 1979; A Grande Arte – romance de 1983, adaptado para o cinema pelo próprio autor, dirigido por Walter Salles Jr.; Buffo & Spallanzani, de 1986; Vastas Emoções e Pensamentos Imperfeitos, em 1988; Agosto, de 1990 – convertido para as telas televisivas com grande sucesso; O Selvagem da Ópera, de 1994; O Buraco na Parede, de 1995; Diário de um Fescenino, em 2003; O Romance Morreu, de 2007, entre outros. Em seus livros despontam seres à margem da sociedade, assassinos, prostitutas, policiais, representados em um cenário povoado pela violência explícita e por uma alta voltagem sexual. Estes elementos são apresentados ao leitor através de uma linguagem austera, crua e sem circunlóquios. A ficção mesclada com fatos históricos também é uma característica da produção literária de Rubem Fonseca, como no retrato de Getúlio Vargas em Agosto, e a representação da trajetória existencial do compositor Carlos Gomes em O Selvagem da Ópera. Rubem Fonseca também escreveu críticas cinematográficas para a revista Veja, em 1967. Recebeu, ao longo de sua carreira literária, várias premiações importantes, entre elas o Prêmio Camões, o mais importante do idioma português. Ele foi igualmente consagrado por seus roteiros escritos para o cinema, recebendo o Coruja de Ouro por seu roteiro Relatório de um Homem Casado, de Flávio Tambelini; o Kikito de ouro, no Festival de Gramado, pelo longa-metragem Stelinha, dirigido por Miguel Faria; e o Prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte, pelo roteiro de A Grande Arte, acima citado. Ele criou um personagem que se imortalizou nos meios literários – o advogado Mandrake, despido de valores morais, sempre cercado de mulheres, habituado a circular pelo ‘underground’ carioca. Este protagonista foi transportado para as telas da TV em uma série popular do canal HBO, vivido pelo ator Marcos Palmeira, em roteiro adaptado pelo filho de Rubem. Viúvo, pai de três filhos - Maria Beatriz, José Alberto e o diretor de cinema José Henrique Fonseca, o escritor era uma pessoa retraída e pouco se expunha diante da mídia. Sempre respeitado e admirado por seus amigos como uma pessoa modesta, amável e bem-humorada, faleceu no dia 15 de Abril do ano de 2020, aos 94 anos, decorrente de um infarto, em plena pandemia de Covid-19.

    64 Livros
    706 Seguidores
    Juiz de Fora, Brasil

    José Rubem Fonseca