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    Calibre 22 -

    Rubem Fonseca

    Nova Fronteira
    2017
    208 páginas
    6h 56m
    ISBN-10: 8520938779
    Português Brasileiro
    3.8
    196 avaliações
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    Neste novo livro de contos, Rubem Fonseca traz de volta um personagem marcante de sua trajetória literária, o detetive Mandrake, contratado para desvendar quem está por trás de uma série de assassinatos envolvendo o editor de uma famosa revista feminina. Além dessa, a coletânea reúne outras narrativas mais curtas, em que temas caros ao autor voltam à cena, entre eles a desigualdade social e suas consequências muitas vezes trágicas; a violência motivada por racismo, misoginia, homofobia e outros preconceitos; a crítica velada ou escancarada a dogmas religiosos; as atitudes imprevisíveis de mentes psicopatas. Tiros certeiros de um autor do mais alto calibre.

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    Resenhas (14)Ver mais
    Fabio Shiva picture
    Fabio Shiva10/06/2021Resenhou um livro
    3 (Bom)

    Viva Rubem Fonseca!

    Esse livro de contos foi publicado em 2017, quando o autor estava já contava 92 anos de muita e robusta literatura! Para mim, que sou um grande fã da prosa de Rubem Fonseca, tendo lido seus principais livros duas ou três vezes, esse primeiro contato com “Calibre 22” foi fonte de muitas emoções contraditórias. Logo de cara, foi o estranhamento. Em “Pródromo”, quarto dentre os vinte e nove contos curtos que compõem “Calibre 22”, mal pude acreditar em meus olhos ao ler o trecho abaixo: “Fomos a especialistas em (cito apenas alguns): alergia e imunologia; gastrenterologia, angiologia, cancerologia, cardiologia; hematologia e hemoterapia; endocrinologia, metabologia; homeopatia e infectologia. Fiz ecodoppler e... CHEGA!!!” Quem se acostumou a admirar a narrativa seca e concisa de Rubem Fonseca não pode deixar de se escandalizar diante de uma palavra grafada em maiúsculas, e ainda por cima acompanhada por três pontos de exclamação! Para dar ideia do assombro que senti, imagine que você é um católico devoto assistindo à missa dominical, quando de repente o padre começa a cantar um funk proibidão! Tentando encontrar alguma explicação para essa bizarra aparição no sagrado texto de meu ídolo, lembro que ainda pensei: “Rubão continua transgressor, experimentando novas linguagens, só pode ser”. Contudo em seguida o estranhamento foi dando lugar à consternação, quando fui me deparando com uma série de discrepâncias inaceitáveis em qualquer texto profissional, que dirá em algo saído da pena de um dos maiores escritores brasileiros de todos os tempos! Encontrei falhas como frases ferindo a coesão textual, confusão com nome de uma personagem e até um cacófato. A essa altura, foi inevitável chegar à conclusão de que a idade provecta estava cobrando seu preço até mesmo ao privilegiado cérebro de Rubem Fonseca. Só não consegui entender até agora como essas falhas escaparam à revisão, que é uma fase imprescindível em qualquer publicação. Novamente buscando encontrar explicações para o inusitado, só pude imaginar que o sentimento de reverência pelo Grande Autor impediu o revisor de cumprir o seu dever e bulir no texto. Ou então, outra hipótese aventada por minha imaginação fértil, Rubem Fonseca era uma espécie de tirano, que não admitia que mexessem em uma vírgula de seus escritos. Mas isso tudo foi apenas metade da viagem que tive ao embarcar na leitura de “Calibre 22”. O resto foi um sentimento crescente de respeito e admiração ainda maior pela jornada literária de um escritor que, do alto de seu pedestal de “maior escritor brasileiro vivo” (o que Rubem Fonseca foi indisputavelmente até sofrer um enfarte fatal em 15 de abril de 2020), continuou escrevendo aos 92 anos de idade, enfrentando corajosamente os desafios da velhice, sem se preocupar com o que pudessem dizer ou pensar. A leitura de “Calibre 22”, em resumo, entra em minha memória afetiva como testemunho da existência de um verdadeiro escritor, que escreveu porque não tinha outra opção, porque precisava escrever como precisava respirar. Essa necessidade visceral de escrever, só quem sente sabe o que é. Por isso expresso gratidão profunda ao grande Rubem Fonseca, por continuar sendo luminoso exemplo e inspiração em minha vida de escritor. https://comunidaderesenhasliterarias.blogspot.com/2021/06/calibre-22-rubem-fonseca.html

    50 curtidas

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    3.8 / 196
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    José Rubem Fonseca profile picture

    José Rubem Fonseca

    O escritor e roteirista cinematográfico brasileiro José Rubem Fonseca nasceu no dia 11 de Maio de 1925, na cidade de Juiz de Fora, em Minas Gerais. Ele se graduou em Ciências Jurídicas e Sociais pela Universidade do Brasil, hoje Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde ele passou a residir a partir dos oito anos. Antes de se devotar ao ofício literário, Rubem percorreu uma longa jornada na carreira policial, na qual ingressou ocupando o cargo de comissário, no 16º Distrito Policial, em São Cristóvão, ainda em terras cariocas, no dia 31 de dezembro de 1952. Ele permaneceu nesta profissão até o dia 06 de fevereiro de 1958, quando foi exonerado. Durante a maior parte de sua vivência policial ele trabalhou no gabinete, como relações públicas dessa instituição, estagiando por pouco tempo nas ruas. Um dos melhores estudantes da Escola de Polícia, ele se destacou profissionalmente por sua percepção apurada da psique humana, sua visão psicológica dos infortúnios do Homem. As experiências então vivenciadas pelo autor foram depois traduzidas por ele em sua obra. Neste momento, porém, ele ainda não revelava nenhuma inclinação literária. Em 1954, no mês de Julho, ele e mais nove policiais receberam a oportunidade de estudar nos EUA. Ele aproveitou este momento para também cursar Administração e Comunicação nas Universidades de Nova York e de Boston. De volta ao Brasil, atuou na Fundação Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro, ministrando aulas sobre seu campo de trabalho. Ao deixar a Polícia, o escritor ainda teve uma passagem pela Light, antes de se dedicar totalmente à literatura. O autor iniciou sua trajetória literária escrevendo contos, reunidos depois no livro Os Prisioneiros, lançado em 1963. A partir daí seu impulso criador não mais cessou. Ele publicou A Coleira do Cão, de 1965; Lúcia McCartney, de 1967; O Caso Morel, em 1973; Feliz Ano Novo – livro de 1975, censurado durante a Ditadura Militar; O Cobrador, de 1979; A Grande Arte – romance de 1983, adaptado para o cinema pelo próprio autor, dirigido por Walter Salles Jr.; Buffo & Spallanzani, de 1986; Vastas Emoções e Pensamentos Imperfeitos, em 1988; Agosto, de 1990 – convertido para as telas televisivas com grande sucesso; O Selvagem da Ópera, de 1994; O Buraco na Parede, de 1995; Diário de um Fescenino, em 2003; O Romance Morreu, de 2007, entre outros. Em seus livros despontam seres à margem da sociedade, assassinos, prostitutas, policiais, representados em um cenário povoado pela violência explícita e por uma alta voltagem sexual. Estes elementos são apresentados ao leitor através de uma linguagem austera, crua e sem circunlóquios. A ficção mesclada com fatos históricos também é uma característica da produção literária de Rubem Fonseca, como no retrato de Getúlio Vargas em Agosto, e a representação da trajetória existencial do compositor Carlos Gomes em O Selvagem da Ópera. Rubem Fonseca também escreveu críticas cinematográficas para a revista Veja, em 1967. Recebeu, ao longo de sua carreira literária, várias premiações importantes, entre elas o Prêmio Camões, o mais importante do idioma português. Ele foi igualmente consagrado por seus roteiros escritos para o cinema, recebendo o Coruja de Ouro por seu roteiro Relatório de um Homem Casado, de Flávio Tambelini; o Kikito de ouro, no Festival de Gramado, pelo longa-metragem Stelinha, dirigido por Miguel Faria; e o Prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte, pelo roteiro de A Grande Arte, acima citado. Ele criou um personagem que se imortalizou nos meios literários – o advogado Mandrake, despido de valores morais, sempre cercado de mulheres, habituado a circular pelo ‘underground’ carioca. Este protagonista foi transportado para as telas da TV em uma série popular do canal HBO, vivido pelo ator Marcos Palmeira, em roteiro adaptado pelo filho de Rubem. Viúvo, pai de três filhos - Maria Beatriz, José Alberto e o diretor de cinema José Henrique Fonseca, o escritor era uma pessoa retraída e pouco se expunha diante da mídia. Sempre respeitado e admirado por seus amigos como uma pessoa modesta, amável e bem-humorada, faleceu no dia 15 de Abril do ano de 2020, aos 94 anos, decorrente de um infarto, em plena pandemia de Covid-19.

    64 Livros
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    Juiz de Fora, Brasil

    José Rubem Fonseca