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    Mariette em êxtase -

    Ron Hansen

    Objetiva
    1996
    161 páginas
    5h 22m
    ISBN-10: 8573020857
    Português Brasileiro
    3.1
    6 avaliações
    Leram11Lendo0Querem15Relendo0Abandonos0Resenhas1
    Favoritos0Desejados15Avaliaram6

    1906. Convento das Irmãs da Crucificação. Mariette Baptiste, jovem postulante de 17 anos, vê seu corpo abrir-se em chagas como as de Cristo. As marcas que subitamente irrompem de sua pele branca, seu olher extasiado esgarçam a frágil harmonia do convento. Enviada de Deus? Possuída pelo demônio? Histérica? Perguntas ansiosas agora dividem o tempo antes dedicado à prece, ao trabalho. MARIETTE EM ÊXTASE é um desnorteante mergulho neste convento da virada do século. É o retrato vivo de um mundo de sentimentos velados, desejos ocultos, inveja, traição. A narrativa ágil e poética, a forma magistral com que estrutura o texto asseguram a Ron Hansen um lugar de destaque entre os grandes escritores contemporâneos. [Contra-capa]

    Resenhas (1)Ver mais
    Ladyce West picture
    Ladyce West23/02/2010Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    A fé como linha divisória

    Não sei exatamente porque escolhi recentemente a leitura de MARIETTE EM ÊXTASE, [Editora Objetiva: 1996] romance do escritor americano Ron Hansen, um livro que já fazia moradia na minha estante há alguns anos. Não sei tampouco como esse livro “apareceu aqui em casa” tendo um perfil tão diferente do que costumo comprar. Mas estou grata às circunstâncias que me levaram a ele, pois essa foi uma leitura cativante, rica e inesperadamente marcante. A história se passa no início do século XX, no convento das freiras Irmãs da Crucificação, no interior do estado de Nova York. Mariette, uma bela jovem de dezessete anos, filha de um médico local, decide entrar para esse convento, o mesmo escolhido anos antes por sua irmã mais velha, também chamada para a vida monástica. Mariette é uma jovem devota, extremamente espiritual, dada a sonhos e transes, que se realiza na vida doméstica e regrada das religiosas. Com essa abertura, seria difícil imaginar que o cotidiano de um convento, com rotinas de orações, horas para meditação, jantares em silêncio seria evocado de tal maneira que ler o texto até o final poderia tornar-se uma obsessão tão aguda quanto se essa história fosse um conto de espionagem. E é. Foi assim que me senti. Acho que esta é de fato uma história de quase espionagem, uma história de mistério. Não da espionagem como a entendemos entre nações rivais, companhias multinacionais roubando novas idéias umas das outras. Nem mesmo uma história de mistério com algum crime por resolver. Mas há semelhanças com a espionagem porque depois de seis meses de vida conventual Mariette recebe sinais de que suas preces e sua devoção são respondidas. Sua fé talvez esteja sendo agraciada por poderes espirituais desconhecidos por meros mortais. Agraciada por quem? Como ela conseguiu esse canal de comunicação com o mundo espiritual? Porque não qualquer outra freira do convento? Fervorosa nas suas orações, zelosa ao manter suas penitências, obstinadamente dedicada à sua crença, Mariette é arrebatada por eventos fora de seu controle: estigmas que aparecem em suas mãos, sangue que jorra de feridas no seu corpo. Esse é o mistério que a abraça, que a faz diferente das outras irmãs. A natureza da diferença de Mariette em relação às suas companheiras é o fator de divisão nessa pequena comunidade. Devemos acreditar ou não nos sinais de fé da Mariette? São verdadeiros ou forjados? Logo, logo o convento se divide. O mistério invocado pelos estigmas é onipresente, devastador. Nesse aspecto, o romance chegou a me lembrar do filme O ANJO EXTERMINADOR de Luís Buñuel (1962). Não que haja perigo de morte para os habitantes do convento, mas a presença do mistério, do indescritível poder de uma força diferente, exterior, alienígena leva a revelações íntimas sobre as próprias freiras. As conseqüências são as dúvidas sobre o próprio mistério, são a inveja, são as inseguranças de cada membro afloradas. Tudo isso me lembrou forçosamente da parede invisível que condena os convidados de um jantar a uma clausura indefinível do filme mexicano. O sucesso dessa narrativa deve-se principalmente à magnífica prosa de Ron Hansen, — em grande parte deixada intacta pela excelente tradução de Marcos Santarrita — que não usa uma palavra a mais do que o necessário; que mantém até o final o enigma dos mistérios testemunhados pelos personagens e pelo leitor. O ritmo da narrativa é fundamental nesse romance. Determinado a não se acomodar a soluções fáceis e a dar ao leitor a opção de solucionar o que se passa por si mesmo, Ron Hansen consegue produzir uma pequena obra prima que nos leva a considerar a natureza da fé e do milagroso. Esse é um livro fascinante. De leitura rápida e bem ritmada, sua história fica na nossa imaginação sendo revivida de diversas formas, sendo aludida com freqüência. Uma ótima leitura.

    1 curtida

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    Avaliações

    3.1 / 6
    • 5 estrelas17%
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    • 3 estrelas17%
    • 2 estrelas17%
    • 1 estrelas17%